segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sem assunto


- E aí? Vamos escrever sobre o quê hoje?
- Sei lá. Tem alguma ideia?
- Não. Acho que você é que deveria ter.
- Eu sei. Mas não tive até agora.
- ...
- ...
- E aí? Nada?
- Não. E você?
- Pensa em alguma coisa.
- Não consigo.
- Dormiu mal à noite, é?
- Não. Sonhei bastante até.
- Sonhou com o quê?
- Nada de importante. Sonhei que tinha me esquecido que estava de férias e acabei indo trabalhar. E o trabalho ficava no prédio da escola onde estudei.
- Sério? Que doideira! Podíamos escrever sobre isso.
- Isso o quê?
- Isso aí que você sonhou.
- Ah... Mas, o que isso tem de útil?
- Sei lá. Pode se tornar...
- Algo como o quê? Nunca se esqueça de que está de férias para não ir ao trabalho? Quem é que faz isso?
- Tá bom! Já entendi!
- E você, dormiu bem?
- Claro. Se você dormiu, óbvio que eu dormi também.
- Credo. Quem vê você falando assim pode até pensar que somos um casal, sabia?
- De certa forma sim, por que não?
- Não to gostando do rumo dessa conversa...
- Nossa, você não entendeu nada. Está lerdo hoje! Foco! E aí, o que vamos escrever?
- Deixa-me ver... Hum, na boa, cansei de ficar sentado. Vou deitar.
- Já?
- Sim. Me deu sono. Mas, deixa eu ver... Ah, não sei.
- Nenhuma ideia mesmo?
- Até tenho, mas é muita coisa. Nossa, cara, que sono.
- Ah não! Não dorme! Me ajuda!
- Tá bom. Sei lá, escreve aí “Conto nº...”
- Já escrevi.
- Agora põe... Ih, sei lá, algum cara aí que... que... Coloque algo como “Era uma noite quente...”
- E...?
- Sei lá, um cara, jovem, andando sem rumo.
- Isso! E aí?
- Hum... Daí ele vai...
- Tá, vai...
- Vai indo...
- Esse cara não para de andar não?
- Tá bom. Ele agora corre.
- Ai meu Deus... Corre do quê? E por quê?
- ...
- Ei cara! Ei! Ei! Acorda! Ah não! De novo! Outra vez isso... Não dorme não! Ei! O cara corria, e... E... ZzZzZzZz
E assim, mais uma vez, ele dormiu junto com a sua imaginação.

Danilo Moreira
© 2011

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Foto: http://vamoseducar2.blogspot.com.br/2011/02/baloes-para-hq.html

domingo, 15 de julho de 2012

Antes e Depois – Por onde anda a protagonista de Blossom?

Blossom, em 1991

Olá! Depois de um bom tempo, a Sessão Antes e Depois está de volta.

Nossa personagem de hoje vem dos anos 90. Quem não se lembra da série “Blossom”, exibida pelo SBT entre os anos 90 e começo dos anos 2000? A série norte-americana, criada por Don Reo (um dos produtores de “Eu, a patroa e as crianças”), foi exibida pela rede NBC, entre 1991 e 1995. Para quem não lembra, Blossom era a caçula da família Russo, composta pelo pai Nick (Ted Wass), um pai coruja, e os irmãos Antony (Michael Stoyanov), ex-usuário de drogas e Joey (Joey Lawrence), um típico jovem engraçado, com mais hormônios do que cérebro. Sua mãe abandonou a família para tentar a vida como cantora em Paris, obrigando a família a se reestruturar. Blossom vive os dilemas da adolescência à base de muito humor, ao lado de sua melhor amiga Six (Jenna Von Oÿ).

Mayim Bialik é o nome da atriz que deu vida à personagem. Mayim Bialik Hoya nasceu em San Diego (Califórnia – EUA), em 12 de dezembro de 1975. Neta de poloneses, húngaros e tchecoslovacos, foi criada em Los Angeles, dentro da religião judaica. Seu nome em hebraico significa “água”. Começou sua carreira fazendo participações em produções dos anos 1980, como no filme de terror “Pumpkinhead” (1988) e “Amigas para sempre” (1988) interpretando a personagem de Bette Midler quando criança, e nos seriados “MacGyver” (produzida entre 1985-1992), “The Facts of Life” (1979-1988) e Webster (1983-1989), além do clipe de “Liberian Girl” (1987), single de Michael Jackson. Ela também foi protagonista da série Molloy (1990).

Mayim se tornou mundialmente conhecida com a série “Blossom”, produzida pela emissora NBC de janeiro de 1991 até maio de 1995. No Brasil, a atração foi exibida (e muito reprisada) pelo SBT de 1997 até 2006 (entre várias mudanças de horários e interrupções).

Depois de Blossom, Mayim fez dublagens para alguns desenhos como “As Incríveis Aventuras de Jonny Quest” (produzido de 1996 até 1997), “Hey Arnold” (1996-2004), “Johnny Bravo” (1997-2004) e “Kim Possible” (2002-2007), e participações especiais em séries como “Fat Actress” e “A vida secreta de uma adolescente americana”.

Em 2000, a atriz recebeu o diploma de Bacharel em Neurociência, e Estudos da Cultura Judaica e Hebraica pela University of California, Los Angeles (UCLA). Em 2007, se tornou PhD em Neurociência. Casou-se em 2003 com Michael Stone, tendo dois filhos, Miles (nascido em 2005) e Frederick (nascido em 2008). Ela também atua em algumas ONGs da comunidade hebraica.

Familia: Miles, Michael, Frederick e a atriz
Mayim ficou durante algum tempo afastada da grande mídia e fazendo papeis de pouco destaque. Seu retorno aos holofotes veio a partir de 2009, com seu papel na 3º temporada da série “The Big Bang Theory”, como a Dra. Amy Farrah Fowler. Ela também voltou a contracenar com alguns atores do elenco de “Blossom”, numa participação na série “Till Death” em 2010. E hoje, continua atuando em “The Big Bang Theory”, além de ter publicado em maio o livro “Beyond The Sling: A Real-Life Guide To Raising Confident, Loving Children The Attachment Parenting Way”, que fala sobre um método de educação intuitiva, tomando como exemplo a aplicação do mesmo na criação dos seus próprios filhos.

E esta é Mayim Bialik hoje, aos 36 anos, fotografada no dia 13 deste mês no Comic-Con International 2012, em San Diego, Califórnia.

Mayim, no Comic-Con

A atriz em seu atual papel em "The Big Bang Theory" 

Bem, por hoje é só. No próximo post da sessão Antes e Depois você vai saber por onde anda o restante dos integrantes de “Blossom”. Não perca!

Até mais!

Danilo Moreira

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Mayim_Bialik
http://pt.wikipedia.org/wiki/Blossom
http://www.mayimbialik.net/bio.html
http://www.tvguide.com/celebrities/mayim-bialik/bio/165625
http://seriesedesenhos.com/br2/index.php?option=com_content&view=article&id=2247:qblosson-1991q&catid=84:series-1950-a-2009&Itemid=68
http://www.alohacriticon.com/elcriticon/article2635.html
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/atriz-de-big-bang-theory-lanca-livro-sobre-modo-controverso-de-criar-os-filhos

Fotos:

http://portaldatvaudiencia.wordpress.com/2010/01/02/protagonista-de-blossom-volta-a-atuar-na-tv/
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/atriz-de-big-bang-theory-lanca-livro-sobre-modo-controverso-de-criar-os-filhos
http://www.zimbio.com/pictures/1bItCBmvkN4/Bang+Theory+Press+Room+Comic+Con+International/KX6lLKKmcdl
http://www.smh.com.au/entertainment/tv-and-radio/in-theory-love-should-blossom-20120406-1wg2h.html

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Corra!



Corra com os ponteiros do relógio.
Corra com os fios que caem da tua cabeça.
Corra com a velocidade das cobranças.
Corra com a intensidade do teu remorso.
Corra com a vontade de ser livre.
Corra com o desejo de explodir os desejos.
Corra com o impulso de gritar.
Corra com a pressa de querer chegar.
Corra para não cair.
Corra para não parar no caminho.
Corra para não atrofiar as tuas pernas.
Corra para ultrapassar os teus medos.
Corra para ultrapassar o teu falso espelho.

Corra por correr.
Corra para não morrer por dentro.
Corra para não tropeçar.

- Corra!
- Ande!
- Corra!
- Ande!
- Corra!
- ANDE!
- CORRA!
- PARE!
- ANDE!
- CORRA!
- PARE!
- CORRA!
- PARE!
- ANDE!
- PARE!
- CORRAA!
- CORRAAAAAAAAAAAA!
- CORRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
- CORRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!


Corra... da vergonha...

Danilo Moreira

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FOTO: http://gilbertocarlos-cinema.blogspot.com.br/2010/05/um-quarto-final-para-o-filme-corra-lola.html

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Diferenças


Tarde fria de domingo e eu trancado no meu quarto mexendo no Facebook. Um amigo compartilha uma foto curiosa. Nela, está escrito: “crianças não pensam em preconceitos, elas são inteligentes demais pra isso”. A foto é de um jovem punk que, agachado, deixa uma criança negra impressionada tocar na sua jaqueta. A foto normalmente provoca um sentimento de admiração, e chama a atenção por ser um símbolo que quebra estereótipos.

Mesmo tendo amigos que são ou foram punks, conheço pouca coisa sobre esse movimento, mas sei da visão deturpada a quem sempre a mídia atribuiu a eles. Opiniões à parte, nunca vou me esquecer de um dia, quando tinha por volta de 20 anos, em que passei de ônibus em frente ao vão livre do MASP. Lá, um grupo de punks entregava mantimentos a mendigos. Foi ali que eu tinha entendido como o estereótipo deixava as pessoas cegas, mesmo que essas tivessem consciência dos males do preconceito.

O mesmo acontece para outros grupos. Conheço pessoas “de família” incapazes de dizer um “eu te amo” para os filhos. Por outro lado, já vi pessoas “tortas” que fazem de tudo pelas pessoas que amam. Conheço evangélicos que mesmo se dizendo com Deus no coração, possuem a frieza de uma pedra e preconceitos sem limites. Já outros evangélicos são capazes de dar a própria vida para ajudar o próximo. O mesmo acontece com ateus, judeus, católicos, umbandistas, etc. Vi gente de classe alta tendo fortes laços de amizade com pessoas da periferia. Já outros, paupérrimos, ostentam um desejo de ambição e segregação que impressiona. Quem disse que na periferia não existe fãs do rock, da música clássica e até indiana? Sim, existe. Conheço pessoas que possuem estilos de vida considerados “errados” e que têm o coração mais nobre do que alguns que se dizem com uma vida regrada. Gente intelectual que só pronuncia asneira. Pessoas sem grau de instrução que são capazes de falar da vida como poucos. Adolescentes maduros, decididos e responsáveis. Adultos irresponsáveis, infantis e sem futuro.

É por isso que eu digo: não adianta olhar e julgar o ser humano apenas pelo sistema ou grupo em que ele vive. Até porque, todos eles são feitos por pessoas constituídas de individualidade, gostos e preferências. Aqui entra o velho ditado que diz “as aparências enganam”.

E a minha curiosidade de jornalista acabou me fazendo pesquisar a origem dessa foto. Segundo o blog polonês “Suburbia Bomb”, ela foi tirada no começo de 2011, durante a Parada do Orgulho Gay em Boulevard Anspach, em Bruxelas, capital da Bélgica. Certamente é uma imagem que merece ser compartilhada, pois mostra como é possível conviver com diferenças, e principalmente, o mundo carregado de rótulos e estereótipos em que ainda vivemos. Se essa foto lhe causou algum tipo de surpresa, independente das suas convicções morais e éticas, pode ser que esse tipo de mundo esteja mais próximo do que você imagina...

Danilo Moreira

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FOTO: http://suburbiabomb.blogspot.com.br/2011/08/little-bit-of-fait-in-humanity.html

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Os três educados


Era um ônibus lotado. Em um banco perto da porta, um homem estava sentado. Em volta, um rapaz com uma mochila e outro com a mão no bolso. Havia também uma garota com a sua bolsa, cuidadosamente amparada pelos seus braços.

De repente, o tal homem se levantou do banco para descer no próximo ponto.

Sim, um banco vazio!

Olhares entre os três em volta, a garota, o rapaz de mochila e o com a mão no bolso:

“Eu quero sentar, mas vai que o outro tá precisando... Seria ganância demais da minha parte me jogar no banco.”

Silêncio. Ninguém sentou. Para não parecer fome do lugar, cada um dos três disfarçou, olhando para os prédios da Avenida Santo Amaro que passavam lentamente por causa do trânsito e dos constantes semáforos. O lugar continuava vazio... E os três queriam sentar. Mas ambos se consideravam um exemplo de educação, coisa que todo mundo sabe que era o que menos existia dentro de um ônibus, além, é claro, da velocidade (pelo menos em São Paulo).

Um dos homens, o de mochila, olhou para a garota:

- Pode sentar, moça.

- Não, obrigada. – respondeu ela, disfarçando-se de modesta. – Pode sentar.

O homem sorriu. Olhou para o rapaz que estava com a mão no bolso:

- Pode sentar.

- Não fera, que é isso, pode sentar.

- Não, pode sentar você.

- Não, obrigado. – e olhou para a moça. – Senta, moça.

- Não, não, pode sentar.

Ambos haviam trabalhado o dia inteiro. Estavam com as pernas cansadas. Mesmo assim, não desistiam de querer mostrar o quanto eram gentis com o outro.

- Pode sentar.

- Pode sentar, moça.

- Pode sentar.

- Pode sentar, moço.

- Pode sentar.

- Senta ae, mano.

- Não, pode sentar.

- Senta aí...

Foi então que, de repente, para a surpresa de todos, surgiu, não se sabe de onde, uma senhora de feições carrancudas. Acelerada, esbarrou na moça e não pediu desculpas. Empurrou com o corpo o rapaz que estava com mochila:

- Se vocês três não vão sentar, eu sento.

E sentou, ficando com a cara para cima e com toda a tranqüilidade do mundo.

Os três se olharam. O sentimento era o mesmo: “xingar aquela velha folgada e arrogante.” Respiraram fundo. Não iam fazer nada. Ela era uma senhora de idade. Era total falta de educação maltratar os idosos...

E os três, com sorrisos disfarçados nos rostos e egos orgulhosos, chegaram a um consenso de que foi melhor assim, afinal de contas, eles não eram como todos os outros ali, que não pensavam em mais nada além do próprio umbigo. Eles eram pessoas bem educadas, que não iriam morrer por causa de um lugar... mesmo que uma pessoa mal educada tenha levado aquele banco de presente...

E por trás daquela postura civilizada foi possível perceber o que realmente, naquele momento, eles sentiam por dentro:

“Ora, sua velha #$%#@$%@&%...”

Pois é, como era bom ter educação... principalmente com quem merecia justamente o contrário.


Danilo Moreira

Postado originalmente no blog "Em Linhas...", em 25 de junho de 2007. *
© 2011

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FOTO: http://omundodemloves.blogspot.com.br/2010/05/onibus-lotado.html

* Texto revisado
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