quarta-feira, 15 de junho de 2016

Antes e Depois – Intérprete de MacGyver (1985-92)


No dia 19 de maio, a emissora americana CBS divulgou o trailer do novo MacGyver, cujo protagonista que dá nome ao título será interpretado pelo ator Lucas Till (o Destrutor da franquia  “X-Men”) o que despertou a curiosidade de muitos fãs nostálgicos da série, cuja primeira versão foi sucesso entre 1985 e 1992.

Quem tem mais de 25 anos certamente se lembra ou já ouviu falar do agente secreto Angus MacGyver, que trabalhava para a Fundação Phoenix em Los Angeles e para o Departamento Governamental de Serviços Externos (DXS). MacGyver tinha uma incrível capacidade para resolver problemas usando objetos simples e até inimagináveis como chiclete e seu inseparável canivete suíço. Hoje o Ponto Três falará sobre a trajetória do ator Richard Dean Anderson, o cara que deu vida ao “mestre das gambiarras”.

Origem e primeiros trabalhos

O pequeno  (Portal do ator)
Anderson nasceu em 23 de janeiro de 1950 no subúrbio de Minneapolis (EUA). É o primeiro filho do professor e músico Stuart Anderson e da artista plástica Jocelyn Rhae Carter, além de ter mais três irmãos, Jeffrey Scott, Thomas John e James. Na adolescência, o jovem chegou a jogar hockey profissionalmente, mas aos 16 anos teve sua carreira abruptamente interrompida após quebrar os braços em dois incidentes separados. Além do esporte, Richard também tinha um espírito aventureiro e gostava de pegar a estrada. Aos 17 anos, juntou amigos e chegou a percorrer 5.641 milhas de bicicleta desde Minnesota até o Alasca, viajando os 30 últimos dias sozinho.

General Hospital (site do ator)
Também apaixonado por atuação, o jovem estudou teatro na St. Cloud State University and at Ohio University, mas não concluiu o curso. Seu prazer por viagens e seu espírito inquieto o levaram rapidamente a conhecer Nova York, São Francisco, até estabelecer-se em Los Angeles, onde fez diversos trabalhos como malabarista, mímico de rua, além de peças de teatro como “Superman in the Bones” no Pilgrimage Theatre. Também exerceu profissões curiosas, conforme descreve em seu site, como fazer números circenses com baleias assassinas e um bobo da corte em um cabaré. Em meados dos anos 1970, formou com seu amigo Carl Dante a banda de rock “Rick Dean and the Dante” em que era vocal e também tocava guitarra. 

Sua estreia na tela veio em 1976 na série dramática “General Hospital” como o doutor Jeff Webber e desempenhou o papel por cinco anos. O jovem ator também fez participações em séries como “The Love Boat” (“O Barco do Amor”, em português – 1977) e “The Facts of Life” (“Vivendo e Aprendendo”– 1979). Por meio da CBS, estrelou o irmão mais velho de “Seven Brides for Seven Brothers” (1982) e um piloto naval em “Emerald Point N.A.S.” (1983), ambas com curta duração.

Papéis de sucesso

Richard no papel que o consagrou mundialmente (Divulgação)
Tendo construído fama como ator, Anderson ganhou o papel do agente na série “MacGyver – Profissão: Perigo” (título em português). O ator foi escolhido para o papel nos testes por aparecer totalmente despretensioso usando óculos escuros. E era justamente essa falta de pretensão que a equipe buscava para o intérprete do protagonista. A produção estreou em 29 de setembro de 1985 e teve sete temporadas com 139 episódios no total. O papel lhe trouxe fama internacional e até hoje é o mais popular de sua carreira. Segundo o site Ego, graças ao personagem, foi elevado a símbolo sexual, sendo considerado pela revista “People” o “survivalist” (pessoa preparada para sobreviver a catástrofes) mais sexy do mundo em 1985.

Após a explosão com MacGyver e o encerramento da série em 21 de maio de 1992, Richard chegou a reviver seu papel em dois filmes para televisão: “MacGyver: O Tesouro Perdido da Atlântida” (1994) e “MacGyver: Trail to Doomsday” (1994). Ambas as produções foram feitas pela Gekko Film Corp, produtora que fundou com Michael Greenburg. 

Anderson em "Stargate" (Dilvulgação)
Voltou ao universo das séries em 1995 como o escritor Ernerst Pratt na série “Legend”, onde também atuou como produtor executivo. Em 1997, o ator volta ao sucesso com o general Jack O’Neill em Stargate –SG-1, série de aventura e ficção fruto do sucesso de Stargate – A Chave para o Futuro da Humanidade (1994). A produção tão bem sucedida que gerou algumas spin-offs (continuações por meio de outras personagens): “Stargate: Atlantis” (2004), “Stargate SG-1: A Aliança” (2005) e “SGU Stargate Universe” (2009). O’Neill lhe rendeu a nomeação como general honorário no 57ª Jantar Anual da Associação da Força Aérea (2004) em Washington DC, um reconhecimento para produções que retrataram positivamente a instituição.

Outros trabalhos  

No cinema, estreou em 1986 no filme “Ordinary Heroes” como um soldado que fica cego na Guerra do Vietnã pouco antes de voltar para casa. O papel lhe rendeu reconhecimento e outras atuações em filmes para a emissora CBS paralelamente à produção de MacGyver. Em 1992, atuou como um policial desiludido no filme “Eyes of a Stranger”, e um perseguidor psicótico em “Through the Eyes of a Killer” (1994) e um marido abusador em Beyond Betrayal, no mesmo ano. Em 1995, despontou em uma atuação comovente no filme “Past the Bleachers”, para a ABC, como um pai em luto pela morte do filho.  

"Ordinary Heroes" (Pinterest)
Já com sua produtora de filmes Gekko Film Corp, em parceria com Michael Greenburg e a Paramount Pictures, produziu e foi estrela em dois filmes com o personagem que o consagrou: “MacGyver: Lost Treasure of Atlantis” (“O Tesouro Perdido da Atlântida”) e “MacGyver: Trail to Doomsday” (“O Julgamento Final”), gravados em Londres no ano de 1993, ambos aclamados pela crítica, segundo seu portal. 

A Gekko também produziu a série de televisão “Legend” (1995) para UPN. Nele, Anderson era o escritor Ernest Pratt, que acaba por assumir o papel de seu herói literário, Nicodemos Legend, em uma mistura humorada de ficção ocidental e ciência.  Richard assumiu o papel de produtor executivo, bem como demonstrando seu talento para a comédia, no que ele descreveu como seu papel favorito até à data. A produção foi cancelada pouco depois. Em 1996, apareceu como um heroico capitão de um avião condenado na minissérie Relógio de Pandora, produção que foi elogiada pela critica.

Após os anos em “Stargate” (1997 -2009), Anderson fez participações esporádicas em séries como Farily Legal (2011) e Raising Hope, no mesmo ano. O ator também reviveu seu personagem no comercial “McGyver in the new Citan” (2012), produzido pela Mercedes-Benz, para a alegria dos fãs nostálgicos. Atualmente está afastado das telas, dedicando-se às causas humanitárias.

Vida pessoal

Richard nunca se casou, mas teve romances com atrizes como Teri Hatcher (que interpretava Penny Parker da série MacGyver), Lara Flynn Boyle, Sela Ward e Katarina Witt. Em 1996, seu relacionamento com Apryl A. Prosa lhe trouxe sua única filha, Wylie Quinn Annarose Anderson, que nasceu em agosto de 1998. Atualmente Richard vive tanto em Vancouver (Canadá) e próximo à Los Angeles (EUA), além de possuir uma cabana no norte do estado de Minnesota (EUA).

Apryl, Wylie e Richard (Pinterest)
Uma característica marcante do ator é o seu engajamento em causas sociais. Recebeu em 1995 o reconhecimento pela Make-A-Wish Foundation pelo compromisso com a fundação, que realiza sonhos de crianças doentes ou em estágio terminal, o que inclui visita a sets de filmagem de suas produções favoritas. Richard também apoiou e participou de campanhas que abordavam a esclerose múltipla, violência provocada por armas, jogos Paralímpicos, entre outras. Atualmente, está mais focado em questões ambientais, sendo parte do conselho de administração da Sea Shepherd Conservation Society, defensora da vida marinha. Ele também fez uma parceria com membros da Earth River Expeditions para produzir o "River Project" –  uma série de documentários sobre os grandes rios do mundo.

E abaixo está Richard Dean Anderson em uma foto recente. O interprete do inesquecível MacGyver possui atualmente 66 anos.

Richard atualmente (Reddit)
Até mais!

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Fontes: Richard Anderson (site oficial), IMDB, Vista and Sonance, Canaltech 

domingo, 6 de setembro de 2015

Estação 30


Obrigado a todos que tornaram ontem um dia tão especial. 

Obrigado ao tempo, que mesmo tendo passado tão rápido, conseguiu preservar em mim o desejo de saborear a vida ainda mais. E que para isso, não importa a idade, mesmo que o mundo lá fora tente mostrar o contrário.  

Obrigado a quem faz o meu tempo parar em momentos inesquecíveis.

Obrigado à vida, por me ensinar e continuar me mostrando o quanto devo e preciso ser eu mesmo. E por me proporcionar surpresas tão especiais. 

Obrigado a quem me arrancou o fôlego, as palavras da minha boca, o suor do meu corpo e me ensinou o que realmente vale a pena nesta sociedade moralmente hipócrita. 

Obrigado a quem puxa minha orelha quando necessário, mostra caminhos e me ajuda a superar trevas.

Obrigado a quem me faz rir, alegra meus dias mesmo longe e me acaricia com a sua amizade. 

Obrigado às pessoas que me mostraram o quanto perdi tempo com elas. E as que não mostraram, agradeço por aprimorarem a minha percepção de quando faço papel de trouxa. 

Obrigado Deus, que me ensinou e continua mostrando o quanto o Seu amor é simples, e que na verdade são as pessoas – movidas pela ambição – é que complicam (e distorcem) tudo. 

Obrigado a minha família, simplesmente, por existir e ser um pilar tão importante. 

E obrigado a você, que me observa no espelho. Não somos mais os mesmos. Quebramos algemas, especialmente no ano passado. Metemos o pé em portas trancadas. Estamos aos poucos aprendendo a lidar com as nossas sombras e assim, arriscarmos mais. Nós merecemos tudo que conquistamos e não devemos deixar de acreditar que podemos mais. E ainda tem muito que ser feito. 

Agora desembarquei nesta nova estação, com três décadas de bagagem nas costas – que ora pesam, ora me fortalecem ainda mais. 

Hora de viver o que esta nova fase me reserva. 

Danilo Moreira

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Foto: http://www.theblowoff.com/2013/07/im-turning-30-3-month-countdown.html#.VeyKBBFViko

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Verbos


(((((QUER SENTIR)))))
(((((QUER VER))))) 
(((((QUER PRODUZIR))))) 
(((((QUER SER))))) 
(((((QUER AMAR))))) 
(((((QUER BEBER))))) 
(((((QUER CELEBRAR)))))
(((((QUER SACUDIR))))) 
(((((QUER REVOLUCIONAR))))) 
(((((QUER RIMAR)))))
(((((QUER CANTAR))))) 
(((((QUER SEDUZIR))))) 
(((((QUER GRITAR))))) 
(((((QUER EXPLODIR))))) 
(((((QUER BEIJAR))))) 
(((((QUER TRANSAR))))) 
(((((QUER VIVER))))) 
(((((QUER AJUDAR))))) 
(((((QUER RIR))))) 
(((((QUER BERRAR))))) 
(((((QUER IGNORAR))))) 
(((((QUER ESCREVER))))) 
(((((QUER SOLTAR))))) 
(((((QUER ESPARRAMAR))))) 
(((((QUER RESPIRAR)))))

Agora pegue toda essa panela de pressão,
E tranque-a no seu peito,
Veja o relógio,
Siga sua agenda,
Vista o manto sagrado do seu papel social,
Sorria a todo momento,
Não seja antipático,
Ande somente nesta linha reta,
Contenha seus olhos, pois, o sol lá fora não pertence ao seu expediente.

O sol não te pertence.
Você não se pertence.

(((((NÃO?)))))

Danilo Moreira
Novembro de 2014

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O escuro


Sua libido abre a braguilha e coloca-se para fora
Sente invadir-se da brisa dos desejos da carne
Acende os sentidos com as línguas da noite
Atiça a pele com o alisar de várias mãos
Exclama a respiração com vários movimentos prensados
Boca a boca
Olhos fechados
Dedos libertinos que apertam peles suadas
Cheiros de animais insaciáveis que invadem almas
Santos e pecadores se livram de algemas morais
A liberdade os oferece aos corpos daquele mundo
O perigo excita tanto quanto tudo que as mãos procuram
Zíperes se abrem
Braços falam
Bocas tateiam
Mentes gemem
Peles se esfregam
Cintos se rangem
Peitos se entrelaçam
Pernas se grudam
Pulmões respiram orgasmos
E a sinfonia de delírios adentra pela noite
Celebrando o poder supremo do instinto
Quem quiser participar dessa festa no escuro
Leve apenas o prato principal
E sem culpa.

Danilo Moreira

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Foto: http://poetaapto.wordpress.com/2012/07/09/beijo/

domingo, 17 de agosto de 2014

Agosto de 1999


Agosto de 1999. Sétima série. 

A sala estava em aula vaga. Em uma das carteiras quase na frente, destacava-se um garoto de 13 anos, magro e com olhos baixos. Estava reflexivo. Era um adolescente introvertido. Falava pouco. Sentia uma incompatibilidade com o mundo, e principalmente, para fazer amigos. Amava o mundo com a mesma intensidade que o odiava. Sentia constantemente uma vontade de desabafar. 

O garoto achava interessante o ato de contar histórias. Viu algumas vezes na tv, principalmente no desenho do Doug, o diário em que relatava as suas aventuras. Via também, no Castelo Rá-Tim-Bum da Tv Cultura, um os episódios em que o Nino resolveu escrever um livro. Ele até que gostava de escrever. Às vezes ele colocava no papel algumas coisas que o incomodava, ou passava as tardes contando histórias inventadas para um amigo de sua rua. 

Não via a hora de sair daquela sala. Já tinha xingado várias vezes um colega que insistia em pirraçá-lo. Era impressionante como querer ficar na sua era motivo para ser ainda mais importunado. Não iria bater nele. Sabia que era minoria. Ao ouvir o sino da saída, pegou sua mochila e disparou rumo sua casa, como sempre sem se despedir de ninguém. Já anoitecia e medroso como era, andava a passos acelerados. 

Já eram quase onze da noite quando se recolheu para seu pequeno quarto. Só havia uma cama com cabeceira de baú repleta de gibis em cima e uma cômoda marfim, na qual ficava seu gravador toca fitas, a pequena televisão de oito polegadas emprestada pelo irmão, que também tinha rádio. Ao lado, sua agenda escolar azul na qual costumava desabafar e marcar recados. 

Sentou na cama. Pegou seu travesseiro. Encostou-se ao baú. Iria aproveitar que seu irmão, que ficava no quarto ao lado, ainda não havia chegado do trabalho. Com o silêncio, poderia escrever a vontade. Sobre o que os poetas costumavam falar mesmo? Ah, mulheres, mulheres, mulheres! Ele não era muito de ler, só sabia mesmo ou pelo que via na televisão ou o que as professoras o mandavam ler. Pensou em uma linda garota qualquer. Resolveu exaltar sua beleza. Escreveu um poema em um estilo que, anos depois, descobriria que era semelhante aos poetas do Trovadorismo: exaltando uma mulher como um ser quase divino. Pronto. Intitulou-o de Imagem Sedutora e Atraente. Concluiu o seu primeiro poema. 

Após escrevê-lo, respirou fundo. Colocou as mãos atrás da cabeça. Percebeu que era isso que mais gostava: escrever. Era isso que ele queria fazer em sua vida. Era sua válvula de escape, o momento em que seu “eu” aparecia sem medo e respirava livremente, inclusive para falar o que pensava. 

Desligou o interruptor. Olhou para a lua, cujos raios escorriam pela janela. Enlaçou o travesseiro com seus braços magrelos, e dormiu, satisfeito com o que havia acabado de fazer. O poema ficou ali, guardado naquela agenda em cima da sua cômoda como uma criança que acabava de nascer. Agora repousava sob o manto do papel... 

E o universo dos seus sonhos finalmente encontrava seu lugar, seu espaço, e sua terra firme. 

Danilo Moreira
Criado inicialmente em agosto de 2009 (com adaptações).

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