segunda-feira, 25 de junho de 2012

Diferenças


Tarde fria de domingo e eu trancado no meu quarto mexendo no Facebook. Um amigo compartilha uma foto curiosa. Nela, está escrito: “crianças não pensam em preconceitos, elas são inteligentes demais pra isso”. A foto é de um jovem punk que, agachado, deixa uma criança negra impressionada tocar na sua jaqueta. A foto normalmente provoca um sentimento de admiração, e chama a atenção por ser um símbolo que quebra estereótipos.

Mesmo tendo amigos que são ou foram punks, conheço pouca coisa sobre esse movimento, mas sei da visão deturpada a quem sempre a mídia atribuiu a eles. Opiniões à parte, nunca vou me esquecer de um dia, quando tinha por volta de 20 anos, em que passei de ônibus em frente ao vão livre do MASP. Lá, um grupo de punks entregava mantimentos a mendigos. Foi ali que eu tinha entendido como o estereótipo deixava as pessoas cegas, mesmo que essas tivessem consciência dos males do preconceito.

O mesmo acontece para outros grupos. Conheço pessoas “de família” incapazes de dizer um “eu te amo” para os filhos. Por outro lado, já vi pessoas “tortas” que fazem de tudo pelas pessoas que amam. Conheço evangélicos que mesmo se dizendo com Deus no coração, possuem a frieza de uma pedra e preconceitos sem limites. Já outros evangélicos são capazes de dar a própria vida para ajudar o próximo. O mesmo acontece com ateus, judeus, católicos, umbandistas, etc. Vi gente de classe alta tendo fortes laços de amizade com pessoas da periferia. Já outros, paupérrimos, ostentam um desejo de ambição e segregação que impressiona. Quem disse que na periferia não existe fãs do rock, da música clássica e até indiana? Sim, existe. Conheço pessoas que possuem estilos de vida considerados “errados” e que têm o coração mais nobre do que alguns que se dizem com uma vida regrada. Gente intelectual que só pronuncia asneira. Pessoas sem grau de instrução que são capazes de falar da vida como poucos. Adolescentes maduros, decididos e responsáveis. Adultos irresponsáveis, infantis e sem futuro.

É por isso que eu digo: não adianta olhar e julgar o ser humano apenas pelo sistema ou grupo em que ele vive. Até porque, todos eles são feitos por pessoas constituídas de individualidade, gostos e preferências. Aqui entra o velho ditado que diz “as aparências enganam”.

E a minha curiosidade de jornalista acabou me fazendo pesquisar a origem dessa foto. Segundo o blog polonês “Suburbia Bomb”, ela foi tirada no começo de 2011, durante a Parada do Orgulho Gay em Boulevard Anspach, em Bruxelas, capital da Bélgica. Certamente é uma imagem que merece ser compartilhada, pois mostra como é possível conviver com diferenças, e principalmente, o mundo carregado de rótulos e estereótipos em que ainda vivemos. Se essa foto lhe causou algum tipo de surpresa, independente das suas convicções morais e éticas, pode ser que esse tipo de mundo esteja mais próximo do que você imagina...

Danilo Moreira

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FOTO: http://suburbiabomb.blogspot.com.br/2011/08/little-bit-of-fait-in-humanity.html

4 comentários:

Marília disse...

Essa foto retrata uma inocência emocionante, lindo o que escreveu, pessoas são diferentes entre si e independe de cor, religião, gosto musical ou afins, saber respeitar o outro é a maior virtude do ser humano!

http://pitadadecinema.blogspot.com
curta meu blog no face =D

Amy disse...

Falou tudo, a gente não pode tampar nossos olhos com o preconceito!

Layla Silva disse...

Olá Danilo, como vai?
Achei incrível a forma como você expõe sua opinião. Costumo dizer que o preconceito é um dos grandes males da humanidade, que impede nossa evolução e impossibilita que a paz esteja presente. Há pouco tempo fiz um texto sobre preconceito em meu blog, e foi incrível a forma ele repercutiu. Sim, há muito preconceito ainda, mas também existem muitas pessoas de mente aberta e que não ligam para diferenças. Realmente, seu blog é ótimo, já estou seguindo.
Se quiser dê um passadinha em meu blog, e visite o grupo de blogueiros no Facebook. Lá você poderá divulgar seu blog e fazer amigos. Te espero por lá. Até mais Danilo.
http://daquioitentaanos.blogspot.com.br/
http://www.facebook.com/groups/310688812354166/

Caoscentria disse...

Eu sendo negro, ouvi de uma negra. "Você, negão, e curte rock? ah não... Jesus" Aí que percebemos a força do racismo. Infelizmente vem de onde menos esperamos. Rock não é pra negro? Acho que Chuck Berry, Little Richard, Jimi Hendrix, Living Colour não sabiam disso

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