quarta-feira, 18 de março de 2009

Mítica


Estava à toa dentro da minha rotina. Até olhar o que estava à minha volta.

Vi uma mulher caminhando pela multidão. Composta por lindos cabelos escuros que escorriam pelo ombro nu. Vi seu corpo esculpido pelo doce que atrai os que podem e os que não devem se entregar a si.

E de repente, como braços carinhosos, sua imagem atravessou as cortinas da minha mente, entrou no meu quarto principal, despiu-se, e deitou-se em minha cama com olhos fixos na minha alma.

Meu corpo começou a se rebelar. O homem civilizado que vive a correr atrás de sua vida e de seus sonhos de cada dia, se viu perdendo-se no animal que existia dentro de si, escondido no porão.

Desejei aquele corpo.

Meu corpo desejou aquele corpo.

Olhei-me por um momento a subestimar-me perante àquela figura mítica.

A vi como uma mulher. Me vi como um animal vendo aquela mulher. Senti meu corpo suar frio, e a minha masculinidade prensar as minhas roupas. Meu coração bateu mais forte. Meus olhos fincaram-se no alvo. Minhas pernas mudaram, sozinhas, de direção. Fui atrás dela, excitado de possuí-la, contido por lembrar, ainda, que era um rapaz civilizado. Mas, eu era mais do que isso. Era um rapaz de coração aberto, e de desejos que em certos momentos se faziam ultrapassar às cortinas de contenção.

Tentei ir atrás dela. Tentei chamá-la. Mas a multidão que, ao contrário de mim, ainda continuavam nas suas rotinas, abafaram a minha voz, e logo, a minha visão.

Perdi-a de vista.

Insisti em ir atrás. Atrás dela, de mim, do meu desejo, da minha satisfação, da satisfação dela. Foi tudo em vão. Meus olhos não acompanharam a minha vontade, e me deixaram com sede sentado á beira da estrada, com o coração na mão.

Como todo mistério irresistível, ela sumiu abruptamente, da mesma forma que entrara na minha vida.

Como um fenômeno inexplicável, pegara meus sentimentos, atirara-me para seu corpo, mexera com os meus sentidos, fizera meu corpo suar, fizera meu pólem sair a esmo.

E como o ar, entrou pelo meu peito, e saiu, sem deixar rastros.


Danilo Moreira


FOTO: http://plathanus.coloridus.zip.net/images/TENTACAU.jpg

11 comentários:

Bruno (de mim para mim) disse...

Poético e obsceno... (mistura deliciosa)

Rodrigo Yoshizumi disse...

cara, achei esse praticamente fabuloso!!

gosto desses elementos ocultos nos textos... algo do tipo: escrito de um jeito para fazer vc pensar alguma outra coisa... hehe

abraaaço

Miss Butterfly disse...

hmmm semi erótico... eu gostei!

ALEX disse...

TÔ SEM FÔLEGO....
CARA MUITO BOM ISSO...
PIREI, SÉRIO...
MUITO DINÂMICO ESTE TEXTO, RÁPIDO, DÁ PRA SENTIR O QUÃO RÁPIDO TUDO ACONTECE...


FLWS
MUITO BOM...

Humberto Camargo disse...

Brother, é seu este texto? Independente da resposta, parabéns! Ou pela escrita ou pelo bom gosto. Passei para retribuir a visita no Tatu com Cobra e me surpreendi. Passarei mais vezes por aqui.
Abraço.

Humberto.
Tatu com Cobra

Inez disse...

Texto erótico de um sonhador.

Ana Lucia Nicolau disse...

muito bom o texto! você soube colocar a palavra certa, na medida certa.parabéns!

danisiinha disse...

texto sensual , envolvente que exprime a intensidade do desejo....parabens !

luiz disse...

nossaaaaa
d+++++++
muito bom
gostei muito
xD

se puder
http://sonabrisa.nomemix.com/

André disse...

Excelente!
Perturbador!

Wander Veroni disse...

Rapaz, você escreve muito bem, viu! Amor a primeira vista, tesão, paixão...tudo ao mesmo tempo num único sentimento. Parabéns!

Abraço,

=]

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

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