domingo, 22 de março de 2009

Liberdade é que nem água...


Hoje em dia muitas meninas são independentes...

Luana perdeu a virgindade aos onze anos.

Aos treze já fugia de casa para ir com as amigas para as baladas. Eram festas na casa de colegas ou de conhecidos das amigas.

Aos quatorze já tinha perdido as contas de quantos caras já tinha ficado. Os pais se preocupavam com sua rebeldia e tentavam segurá-la de toda maneira, ainda mais depois que descobriram que ela já consumia maconha. Bateram, brigaram, discutiram, prenderam-na no quarto, mandaram por uns tempos na casa de uns tios, mas nada adiantou.

Aos quinze cabulava aula para ir ao shopping. Sempre arranjava um menino para pagar o cinema, o lanche, e etc... Como seu corpo já era desenvolvido para a idade, abusava de miniblusas, tomara-que-caia e microssaias, deixando os marmanjos enlouquecidos. Já freqüentava barzinhos e não havia um dia que ela não saísse de lá acompanhada de um menino e caindo de bêbada. Era barraqueira, sempre utilizava palavras chulas. Quando perguntada sobre o que queria da vida, ela apenas respondia: “sei lá, tá muito cedo pra isso”.

Certo dia acabou se apaixonando por um belo rapaz. Já tinha dezesseis anos e já fazia planos para morar junto em uma casa alugada. Largou as baladas, as drogas, as más companhias, passou a usar roupas mais discretas, passou a se dedicar mais aos estudos. Criara juízo. O rapaz já tinha dezoito anos e estava prestes a entrar na faculdade.

Luana largou a casa dos pais e fora morar com o companheiro em uma casinha de três cômodos. Foi trabalhar no sustento, assim como fazia o rapaz. Já estava pensando também em cursar uma faculdade quando terminasse o colegial.

E assim Luana foi levando a sua vida, que a cada dia se enchia de mais sonhos e mais amor, quase como um conto de fadas.

Porém dois meses depois Luana já estava de saco cheio daquela rotina. Sentia falta das amigas e principalmente das baladas. Resolveu sair depois do trabalho junto com as antigas companheiras, mesmo contra a vontade do marido. Com o tempo, as saídas voltaram a ser freqüentes. A situação piorou quando seu companheiro a flagrou bêbada e seminua com outro rapaz em sua cama. Terminaram. Um mês depois, Luana descobriu que estava grávida do caso. O rapaz nem quis saber da criança.

Hoje, Luana tem dezessete anos. Largou o trabalho, os estudos, as baladas e foi abandonada pelas amigas da noite. Voltou para a casa dos pais, endividada com o aluguel de sua antiga casa. Passa o dia todo em casa apenas cuidando da filha de seis meses. Não tem tempo para mais nada, nem mesmo para curtir o que restou da sua bela adolescência e menos ainda para investir no seu futuro. Se ela pudesse voltar atrás...

Por isso que eu digo, liberdade é que nem água: se não usar com consciência, paga caro...


São Paulo, junho de 2005

Danilo Moreira


FOTO: http://i192.photobucket.com/albums/z259/lightmylife/liberdade.jpg

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12 comentários:

Groo disse...

A história de Luana é a mesma história de Maria, Rosângela, Camila, Beatriz e tantas e tantas outras garotas que não souberam dar valor à liberdade ou usaram-na muito mal, sem nenhuma sabedoria.

palavras ao vento disse...

parace com amusica do capital natasha...as vezes temos uam liberdade mas não sabemos usar...pensando que tudo e festa...

ALEX disse...

NOSSA...
LUANA NÃO É A ÚNICA..
A DIFICULDADE EM LIDAR COM
A INDEPENDENCIA ESTÁ NA PREOCIDADE COM QUE ELA OCORRE. QUANDO O JOVEM AINDA ESTÁ DESESTRUTURADO PARA ASSUMIR RESPONSABILIDADES....

FLWS

MUITO BOM O POST.

Igor disse...

nessas horas tem que ser conciente,e rever todas as situações do que a pessoa quer para ela.....

Carioca disse...

confunde-se liberdade com libertinagem. pobre brasil.

http://raciocinioquebrado.blogspot.com/

piu! disse...

História comum.
Todos os dias a gente vê casos e mais casos do tipo, porém...
Lamentável.

Boa visão.
**super**

piu! disse...

A imagem é bem "uou!"
Gostei MUITO.

Wander Veroni disse...

Oi, Danilo!

Adorei o conto, parabéns! A comparação entre água e liberdade ficou ótima...rs. E o bem da verdade, muitas meninas sofrem desse mal de querer agarrar o mundo em uma tacada só. Deu no que deu. É preciso limite e conciência para viver cada fase de uma vez e com responsabilidade.

Abraço,

=]

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

Felix disse...

Isso seria quase a "Natasha" de hoje em dia.

anderson disse...

Danilo, gostei muito mesmo hein.
Este foi o primeiro que li e claro irei ler os demais, porém não poderia deixar de elogiar esta realidade descrita e muito bem relatada. Parabêns!!!

Márcio disse...

Danilo comecei lendo essa...

Me faz lembrar de tantas colegas, meninas que se iludiram e se apresaram para ter liberdade. Mas este não é o desejo de todos os jovens adolescentes?
Minha mãe sempre me dizia que se eu quisesse partir podia ir na hora em que me desse vontade, que se eu achasse a rua melhor. "─ É só ir meu filho fique à vontade!" Dizia ela. Hoje eu imagino o quanto em alguns momentos de crises da adolescência, ela não deve ter aguentado os meus erros, graças a deus eu nunca tive coragem de sair de casa. Creio que são os nossos pais as maiores vitimas. Quantas vezes não pensamos que eles eram nossos inimigos? Só depois que amadurecemos, percebemos o quanto eles estavam na maioria das vezes certos.
Acho que a paciência é uma virtude e tanta que os pais pedem, mas que muitas vezes perdem para a ansiedade desenfreada e louca da efervescência de nossa juventude.

Ótimo conto!
E nem me venha com modéstia!!!(risos).

Marcio Andrade.

LuEs disse...

Acredito que o seu conto tenha um argumento social muito forte e é exatamente por isso que eu o valorizo. Situações como a descrita por você são comuns e elas registram um problema muito grande, que deriva de vários fatores sociais: a educação, a pressão social, a formação da pessoa como indivíduo pensador etc. Por essa abordagem, vai o meu elogio.

A minha única crítica ao seu conto provém do fato de que achei o seu relato automatizador, exatamente a característica que o afasta da literatura, cuja função é desautomatizar, criando no espectador um nodo modo de enxergar o acontecimento descrito. Sem fugir do convencional, tenho a impressão de que já li relatos parecidos e também sei que lerei outros tantos bem semelhantes. Acredito que invadir o psicológica da personagem seria uma forma de quebrar a sensação de já-vi-isso-antes. É sabido que todos fazemos as coisas de acordo com certas motivações - qual foi a motivação de Luana para se entregar a essa vida? Se conhecêssemos o seu modo pensar e que fatores a influenciaram a ser como era aos 11 anos, decerto teríamos uma impressão de maior densidade.

Mas, repito, achei interessante o seu conto. Vou ler outros!

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