quarta-feira, 9 de julho de 2014

O soco


Nada como levar um grande soco, daqueles que fazem você cair com a boca no concreto. Foi essa a sensação generalizada após o jogo de ontem (8/7), em que a seleção brasileira perdeu de 7 a 1 para a Alemanha. E, dessa forma, chega ao fim a anestesia e o sonho de ser o campeão da chamada “Copa das Copas”.

Há dois meses, o assunto Copa do Mundo no Brasil era tratado com extremo pessimismo, em meio a greves e protestos em diversas regiões do País. Muitos estufavam o peito e diziam que iam torcer contra a seleção, ou que no máximo não sentiam ânimo para acompanhar os jogos. Eu mesmo brincava que caso o Brasil fosse eliminado, era bem provável que as pessoas sairiam às ruas para comemorar.

E então, começou a competição e vimos aquele país acinzentado por um pessimismo quase paranoico (que confesso, também fiz parte) se colorir de verde e amarelo, ansioso para curtir os feriados ou sair mais cedo do trabalho para assistir aos jogos, conhecer os gringos e fazer aquela bagunça com os amigos e a família, e é claro, torcer pela seleção. Diferente de alguns meses antes, ser a favor do time agora não era mais uma “heresia”, mas sim uma atitude patriota. E então, muitos foram para rua (quando não conseguiam entrar nos bares lotados), desta vez para curtir o jogo.

E agora, depois da derrota de ontem, não se fala em outra coisa. Fazem piadas, no melhor estilo brasileiro de rir das próprias tragédias (assim como eu via as pessoas fazerem ao se espremerem nas escadas do Terminal Grajaú, horas antes dos jogos do Brasil), procuram-se culpados, renasce o tal espírito revolucionário da moda, e alguns que torceram contra vomitam frases como “humilhação mesmo é o que o povo sofre todo dia, sem saúde e educação...”. Às vezes acho que existem muitas pessoas bipolares no Brasil, inclusive a própria grande imprensa, que ovaciona a seleção em um dia, e no outro, a nocauteia, com frases de impacto e adjetivos que mais lembram uma novela mexicana.

Não tenho vergonha em dizer que torci pela seleção, mesmo criticando os gastos excessivos da Copa. Não vejo sentido em descontar neles algo que envolve pessoas que estão em um nível bem superior. Estes são os verdadeiros alvos. Os jogadores estão fazendo o seu trabalho. É a mesma lógica de quem acredita que agredir um jornalista da Globo vai atingir a manipulação da mídia.

A seleção teve um péssimo desempenho neste último jogo e sofrerá as consequências disso por anos. Já quem apenas foi um espectador sofrerá apenas com o momento, mas será passageiro. Voltaremos às nossas rotinas normais, aos mesmos problemas sociais de todos os anos, e assim a vida seguirá. É por isso que o jornalista Leonardo Sakamoto afirma em seu blog que não devemos ficar tristes por muito tempo. Estamos de ressaca de um evento que, graças à mídia, foi tratado como algo gigantesco, de suma importância, e que de uma hora para outra despedaçou-se em piadas, ofensas e frustração. É apenas futebol. A moral de um país vai muito além de um evento esportivo.

Perdemos a Copa, mas tenho certeza que para muitas pessoas, assim como eu, o evento trouxe experiências inesquecíveis: ver os jogos com os amigos, as situações engraçadas e inusitadas, torcer, vibrar e se emocionar com gente que você nunca viu na vida e ter contato com pessoas de outras culturas e nacionalidades. Quem vivenciou tudo isso, certamente terá histórias para contar e independentemente se a seleção ganhou ou não, serão essas esses momentos especiais que carregarão para o resto da vida.

É o fim de um ciclo que com protestos ou não, aconteceu. E ponto. O fato é que com título ou não, continuamos a ser o mesmo país e com os mesmos problemas. O importante é que quem quis se divertir, se divertiu. Quem não quis, está se divertindo agora vendo a decepção dos outros. Mas, logo, todos voltarão definitivamente às suas rotinas normais.

Danilo Moreira

Gostou do blog? Então não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cansaços...


Estou cansado de certas coisas.

Cansado de certas atitudes e palavras que vejo e leio por aí. De determinadas cenas que se repetem diante dos meus olhos e ouvidos todos os dias. Dos diálogos e situações estupidamente repetidos.

Estou cansado de certas paisagens.

Cansado de ruas fétidas e prédios úteis abandonados. De desviar de buracos e calçadas mal feitas. Do desequilíbrio de bairros entupidos de carros, empresas e gente e outros sem asfalto ou o mínimo de condições de moradia. De casas com grades em todos os lados e do medo estampado nos muros altos. Do cinza misturado com tinta descascada. Do verde sujo de papel de bala e de latas de alumínio. Do vermelho que escorre pelo asfalto. 

Estou cansado de certas discussões.

Cansado das pessoas que não sabem discutir. Daqueles que resumem a sociedade em PT e PSDB. Daquele que só faz piada de tudo. De quem não lê notícias e vomita todo tipo de ignorância. Daqueles que não experimentam algo ou uma marca e já a criticam sem conhecer.  De discussões que terminam em ofensas baratas. De opiniões que nascem e ecoam de mentes apodrecidas no universo dos estereótipos e dogmas. De querer falar e não saber como. De só saber dizer as palavras certas depois que a oportunidade se foi.

Estou cansado de certos discursos.

Cansado de propagandas políticas cheias de clichês. Das pessoas ignorantes que se apoderam da expressão “o poder do povo” e berram como se fossem donas da razão. Das promessas que nunca são cumpridas e vivem tendo prazo renovado. Das promessas de pessoas que no fundo apenas querem ser simpáticas, mas não têm palavra. 

Estou cansado de certas desculpas.

Cansado de quem sempre rebate palavras sinceras de incentivo com pessimismo. De quem nunca cumpre o que promete porque sempre está atrasado dando desculpas para adiar outras promessas atrasadas.  De tentar inventar desculpas para não assumir os próprios fracassos. De gente que sempre inventa uma desculpa para adiar-se do mundo. 

Estou cansado de certos apertos.

Cansado dos mesmos ônibus e trens lotados, não importa o horário. Da quantidade de vozes e sons estúpidos e vazios que invadem meus ouvidos sem licença. Das bocas que berram ignorância ao mesmo tempo. Das vezes que as nossas vontades apertam o nosso peito e são maiores do que o nosso universo.

Estou cansado de certos sentimentos.

Cansado de ver amores mal resolvidos. De gente que odeia tudo. Das pessoas que amam fingir que amam a todos. Daqueles que vivem carentes de atenção mesmo com todos os abraços do mundo. Do amor que chega errado ou nunca vem.  Do medo bandido que rouba o tempo e a vontade de arriscar.  

Estou cansado de estar cansado. 

Melhor voltar a caminhar. 

Porque cansado ou não, o tempo nunca terá dó de ninguém...

Danilo Moreira

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três.

Foto: Br.Freepik

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Ponto Três: 5 anos!



Olá!

Hoje é uma data muito especial. Há exatos cinco anos, no dia 15 de fevereiro de 2009, estreava na blogosfera o Ponto Três.

Este blog simboliza um período de renovação. Tinha saído de uma fase muito turbulenta, encerrado meu antigo blog e me sentia frustrado com uma série de coisas na minha vida. Entrei 2009 decidido a virar o jogo. Comecei a fazer faculdade, investi em outros planos que estavam engavetados, e a blogosfera, ambiente da qual nunca saí, me levou a criar um novo “filho”. E então, inspirado no clima dos botecos, que são um ponto de encontro e de ideias, criei o Ponto Três, cujo número refere-se ao fato de ser o meu terceiro blog, após o Em Linhas... e o Toca das Letras.

Muita coisa aconteceu de lá para cá. Mudei do curso de Relações Públicas para Jornalismo, publiquei um livro, saí (finalmente!) do Telemarketing e fiz estágio numa das maiores casas legislativas do país. Fiz Teatro, apresentei duas peças, sendo uma de minha autoria, e hoje, com a graduação concluída, trabalho como repórter numa agência de comunicação, além de colaborar para outros sites. E no meio disso tudo, sempre procurei espaço para atualizar o blog com conteúdos que variam desde textos literários a artigos e crônicas sobre fatos do cotidiano, como os protestos em junho de 2013, a morte de Michael Jackson, e reportagens como a feita sobre a Virada Cultural 2011 no SESC Interlagos.

Certamente, a seção mais acessada do blog é a Antes e Depois, com matérias que relembram intérpretes de produções antigas e contam suas trajetórias de vida antes e depois do sucesso. Até hoje, o post campeão de visualizações é o Os atores de Castelo Ra-Tim-Bum, com cerca de 49,8 mil acessos desde a sua publicação em outubro de 2010. Outras seções também me marcaram pelo desafio de produzir, como a À flor da pele, com textos literários de cunho sensual, ou os Minicontos, com histórias contadas em poucas linhas.

Quando vejo os textos que produzi aqui, a única palavra que me vem na mente é “mudança”. Tudo mudou. A blogosfera não é mais a mesma de cinco anos atrás. Minha mentalidade em relação ao blog também. Antes, comentário era moeda de troca. Me esforçava mais para procurar parceiros e blogs interessantes. Hoje, mal consigo ter tempo necessário para pensar no que vou publicar. Mas tento. Sempre tento. Meu coração sempre cobra. É como aquele copo d’água que nosso corpo sempre irá pedir e você não terá coragem de recusar, porque sabe o quanto te faz bem.  Aqui é a minha vitrine. Aqui me sinto à vontade para falar o que acho certo ou válido para ser discutido, e sinceramente, fico mais satisfeito com poucos e enriquecedores comentários que recebo, do que a grande quantidade nos blogs populares, cuja maioria dos visitantes transforma o espaço em uma vala de mediocridade, ignorância, preconceito, hipocrisia, ofensas gratuitas e outros venenos. Não sei como os autores desses blogs conseguem respirar e produzir diante de tanta podridão. 

Coincidentemente, este blog ganha cinco velas em um ano que completo 15 anos como escritor. Escrever é a minha vida, minha paixão, seja no jornalismo, no teatro ou na literatura. Me sinto feliz em poder contribuir de alguma forma com o conhecimento dos leitores, ou mesmo mexer com os sentimentos, a memória, o coração, ou colocar um simples sorriso no rosto. É um prazer que não me custa nada além de tempo e que também me enriquece como ser humano.

E por fim, quero agradecer de coração aos 93 seguidores, aos blogueiros parceiros e amigos que me acompanham desde o começo, aos que vieram depois, aos elogios e críticas que recebi por aqui ou pessoalmente, aos que leem os textos e os compartilham espontaneamente nas mídias sociais, e por todo o carinho e aprendizado que me trouxeram durante essa meia década.

Quanto ao futuro, não quero prometer nada. Mas no que depender de mim, este espaço continuará sendo um ponto especial para todos os outros.

Muito obrigado, e até a próxima!

Danilo Moreira

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três.

Foto: http://officesupplygeek.com/deals-and-sales/

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

25 lições que levarei de 2013


Olá!

Andei bem sumido do blog, ainda mais agora que estou trabalhando bastante. Mas não poderia encerrar 2013 sem deixar um post especial. Dessa vez resolvi fazer diferente e listar 25 lições que aprendi durante estes doze meses:

1 – Nem todo ano começa em janeiro. Alguns só começam quando a gente quer.

2 – Concluir a faculdade é apenas o começo de tudo.

3 – A família é base, mas a vida é nossa.

4 – Assim como a privacidade, o silêncio está cada vez mais escasso no nosso dia a dia. Por isso, se ainda o tiver, aproveite-o.

5 – Um gesto solidário descompromissado é mais nobre e verdadeiro do que o feito apenas por laços de sangue.

6 – Às vezes, a vida nos dá um presente: realiza aquele antigo sonho, da maneira mais inesperada e especial possível.

7 – Pior do que errar é agonizar em eternas dúvidas.

8 – Um simples “bom dia” pode ser a porta de entrada para criar laços, alguns surpreendentemente especiais.

9 – Podemos viver dentro em ternos e gravatas, cargos, status, regras e tabus, mas no fundo, não passamos de animais sentimentais, que reagem ao mundo de acordo com a frequência de atenção que recebem ou não recebem.

10 – O profano pode ser apenas um ponto de vista mal trabalhado. O divino também.

11 – Os anos da faculdade realmente são os melhores.

12 – Uma revolução não começa pela revolta, mas sim pela consciência do todo. Se começar apenas pela revolta, é só uma forma mais radical de alienação.   

13 – Pensar positivamente ou negativamente não faz a menor diferença se no fim você não sai do lugar.

14 – Toda frustração vem de uma expectativa, inclusive desnecessária.

15 – A nossa vida é feita de fases. Ruins ou boas, todas elas, mais cedo ou mais tarde, vão acabar.

16 – Existem mais corpos querendo se saciarem, mais corações que precisam de atenção, e mais pessoas infelizes em vidas falsas do que a gente imagina.

17 – Desconfie de tudo que carregue a expressão “o poder do povo”.

18 – Quebrar regras tem como principal norma assumir consequências.

19 – Muitos não querem justiça, querem apenas o poder de dizer o que é justo.

20 – A nossa vida também é feita das escolhas e consequências dos outros.    

21 – Um bom guerreiro é aquele que também consegue derrubar as ditaduras internas.

22 – Nem todo atraso é ruim. Às vezes ele veio para evitar atrasos piores.

23 – O sexo é o único regime puramente democrático. E mesmo assim, sempre terão pessoas que só vivem para tentar lhe dar golpes autoritários.

24 – Assim como somos especiais para uns, somos totalmente dispensáveis para outros. Aceite isso.  

25 – Devemos agradecer por tudo que conquistamos e por estarmos melhor que outras pessoas, mas não é errado querermos buscar sempre mais.    

E você, o que aprendeu de especial em 2013?

Feliz 2014, e até mais!

Danilo Moreira

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três.

Foto: http://janelaflutuante.blogspot.com.br/2011/09/resolvi-voltar.html

domingo, 13 de outubro de 2013

Vai dormir que é melhor...


Suspiro.
Abraço o corpo.
Encolho-me nas pernas,
Na dor,
No vazio,
No relógio estático,
Nos ponteiros atrasados,
No silêncio do tempo.

Aí vem o sono,
Acaricia os meus olhos,
Com força nos dedos,
E um sorriso irritante:
- Vai dormir que é melhor.

Nem consigo responder...

Danilo Moreira
Maio/2013

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três.

Foto: http://babiely.wordpress.com/2013/02/11/amnesia-consentida/

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...