sábado, 5 de janeiro de 2013

Antes de Depois – restante do elenco principal de Blossom




Continuando a Sessão Antes de Depois, falaremos sobre o restante do elenco principal do seriado Blossom (1991-1995). Caso você não tenha visto o post que fala da protagonista, clique aqui.

Ted Wass (Nick Russo)


Ted Wass nasceu em 27 de outubro de 1952 na cidade de Lakewood (Ohio – EUA). Formou-se na Glenbard West High School em 1970 e fez pós-graduação na Goodman School of Drama em 1976. Antes de Blossom, Ted já era conhecido por interpretar personagens como Danny Dallas na série Soap (1977-1981). Após Blossom, ele se especializou em direção, tendo em seu currículo a produção de séries como “Two and half a men”, “Todo mundo odeia o Chris” e “Brothers”, além de uma participação em “The Big Bang Theory”, seriado onde Mayim Bialik (Blossom) atua. Ted se casou com a atriz Janet Margolin, vítima de câncer em 1993, tendo dois filhos. Atualmente, com 60 anos, Ted é casado com a produtora Nina Wass.

Joey Lawrence (Joe Russo)


Joseph Lawrence Mignogna nasceu em Abington (Pennsylvânia – EUA) em 20 de abril de 1976. Começou aparecendo em diversos comerciais de TV. Nos anos 1980, atuou em séries como “Gimme a Break”, e em filmes como “Summer Hental”, “Pulse”, “Oliver & Company”, entre outros. Após fazer o papel do famoso irmão de Blossom e seu bordão “Wow!”, Joey atuou com menos destaque em outra série exibida também pelo SBT chamada “Amor Fraterno”, onde contracenou com seus irmãos na vida real, Mattew e Andrew. Joey também foi cantor, lançando dois álbuns. De lá para cá, dublou alguns desenhos e atuou em séries, como “E agora, quem manda?”, e filmes como “Lenda Urbana 2”, mas sem muito destaque. Atualmente está com 36 anos e interpreta Joey Longo, no seriado de humor Melissa & Joey. É casado com Chandie Yawn-Nelson, e tem duas filhas, Charleston e Liberty Grace.

Michael Stoyanov (Antony Russo)


Michael Stoyanov, que fez o irmão mais velho de Blossom, nasceu em Chicago em 14 de dezembro de 1970, filho de macedônios. Atuou em alguns filmes nos anos 1980, como Big Shots (1987), e Gross Anatomy (1989). Após Blossom, fez uma participação em “Barrados no Baile” em 1996, e seguiu carreira como roteirista do programa “Late Night with Conan O’Brien”. Apareceu também “Prision Break”, além de ser um dos capangas do Coringa no filme “Batman, O Cavaleiro das trevas” (2008). Suas últimas participações de destaque foram em “The Mentalist” e “Monk”, ambas em 2009. Em 2010, atuou novamente em uma participação com Mayim Bialik na série “Til Death” . Atualmente, está com 42 anos.

Jenna von Oÿ (Six)


A atriz, que fez a melhor amiga de Blossom, nasceu em 02 de maio de 1977, em Stamford (Connecticut – EUA), e é descendente de alemães. Começou a carreira com seis anos de idade atuando em um comercial. Uma das primeiras séries de destaque foi “Lenny” (1990-91), pela rede CBS. Após, Blossom, ela fez Cinema na University of Southern California. Em 1999, ela ganhou o papel de Steve Van Lowe em The Parkers, ficando até 2004. Ela também apareceu em filmes como “Nascido em quatro de julho” (1989) contracenando com Tom Cruise, e como dubladora para as animações Family Guy (2005), e Dr. Dolittle 3 (2006).  A atriz também tentou carreira como cantora country, lançando um álbum em 2007 e outro em 2009. Assim como boa parte do elenco de Blossom, em 2010 voltou a contracenar com eles em uma participação na série “Til Death”. No mesmo ano, casou-se com Brad Bratcher e no dia 21 maio do ano passado, aos 35 anos, deu a luz à primeira filha, Gray Audey. Seu último trabalho, segundo o blog Séries Vício, foi no filme “The 30 -Day Chalenge” (2011). Jenna chegou a fazer alguns ensaios sensuais.

Mayim Bialik, Jenna von Oÿ e Michael Stoyanov em "Till Death" (2010)

E é isso. Até a próxima!

Danilo Moreira

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Fontes: 

http://en.wikipedia.org/wiki/Ted_Wass_(actor)
http://tedwass.com/bio/
http://minilua.com/blossom-veja-como-estao-atores-serie-hoje-dia/
http://bolhapop.wordpress.com/2010/04/15/por-onde-anda-o-elenco-de-blossom/  
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Lawrence
http://www.tvguide.com/celebrities/joey-lawrence/bio/157668
http://www.tribute.ca/people/joey-lawrence/5173/
http://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Stoyanov
http://en.wikipedia.org/wiki/Jenna_von_O%C3%BF
http://www.imdb.com/name/nm0001883/bio
http://www.jennavonoy.com/bio.php
http://vicioserie.blogspot.com.br/2012/06/jenna-von-oy-apresenta-sua-1-filha.html
http://en.wikipedia.org/wiki/'Til_Death


FOTOS:

http://bolhapop.wordpress.com/2010/04/15/por-onde-anda-o-elenco-de-blossom/
http://www.thesymmetricswan.com/2011/06/1990s-week-blossom.html
http://wehavenofriends.ca/2012/01/flashback-friday-remember-that-time-joey-lawrence-had-luscious-locks.html
http://www.winnipegfreepress.com/fpnewsfeatures/joey-lawrence-star-of-abc-familys-melissa--joey-joins-chippendales-for-3-weeks-in-june-151935515.html
http://now.msn.com/jenna-von-o%C3%BF-writes-tribute-to-newtown
http://www.vibe.com/article/blossom-star-jenna-von-oy-pens-letter-newtown-shooting-victims
http://tvseriesfinale.com/tv-show/blossom-reunion-til-death-14786/

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Estadia código 2012



Último ano de faculdade. Vejam minha peça de teatro: “O Concurso das Atrizes”! Shows. Te amo, Alanis! Bares. Risadas. Piadas. Conselhos. Ares da Rua Augusta. Trabalho de Conclusão de Curso. Problemas. Amigos. Caminhar pela Avenida Paulista à noite. TCC! TCC! TCC! TCC! Estágio. Livro-reportagem do TCC. Vila Mariana. Cervejas. Ficar na República de estudantes. TCC! TCC! TCC! TCC! Baladas. Lágrimas. Peças de teatro. Desejos. Muitos desejos. Ocultos desejos. Desejo de se formar. Vila Mariana. Digita. Conto sorteado. Lançamento em antologia no ano que vem! \o/  TCC! TCC! TCC! TCC! TCC! TCC! Tensão. Dores. Vai Corinthians! \o/ Escombros de outras estradas. Prazos. Estresse. TCC! TCC! TCC! TCC!!! TCC!!!! TCC!!!!!! TCC!!!!!!!!!! TCC!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nasce “Três Atos: a vida ao encontro da arte”. Aprovado!  \o/ Saudades! Beijos. Muitos beijos. Abraços. Lições. Despedidas de uma fase de quatro anos. Despedida do estágio. Despedida da minha segunda casa. Mais despedidas. Churrasco. Fogos. Feliz 2013.

Só quis mostrar, de maneira resumida, o que carrego na mala.

Sou grato por essa estadia tão intensa e produtiva. Obrigado por tudo.

Vou sentir saudades. Já sinto. Muita coisa ficou para trás.

Sigo em frente, por um caminho cujo destino ainda não sei. Mas tudo bem. O importante é caminhar.

Até a próxima!

Danilo Moreira

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Foto: http://santosabel2.wordpress.com/2012/05/30/pe-na-estrada-parte-3/ 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Felicidade entre os ferros do ônibus




Setembro de 2012. Final de uma tarde de domingo. Saída do SESC Interlagos, na zona sul de São Paulo. Show da banda Ultraje a Rigor. Uma muvuca seguia rumo ao ponto de ônibus. Eu e mais três amigos esperávamos por qualquer um que nos levasse a um “ponto mais acessível” a outras linhas. Ao encostar uma lotação, um bolo de gente se formou ao redor, e as escadas ficaram inacessíveis. “Vamos nesse!”, falei ao meu amigo. No fim, ficamos. Tivemos que esperar por outro.

Foi então que veio um ônibus, piso baixo, com enormes degraus. Subimos nós quatro. O casal de amigos se sentou em bancos de idosos. Eu e meu outro amigo ficamos em pé, ao lado deles. 

Ruas depois, uma mulher loira, baixinha, com três crianças, subiu alvoroçada. Falavam alto. Riam muito. Faziam festa. A mulher não era mal vestida. Muito menos as suas crianças. Encostaram-se justamente no meio do corredor. Pelo fato do coletivo estar vazio, era possível escolher o local em que poderiam ficar. E escolheram ficar ali.

E como se não bastasse, decidiram promover mais animação àquela viagem. A criança mais velha – devia ter pouco mais de 10 anos – formou junto com a mãe um sanduíche, junto com as duas crianças menores, que ficaram no meio. A mulher se segurou entre dois ferros, e pôs-se a balançar com eles, acompanhando os movimentos do ônibus. Balanços logo foram acompanhados de gritos exaltados. Tinha transformado o coletivo em um playground. 

Um idoso, de chapéu, entrou no local. A minha amiga, do casal, ofereceu o lugar para sentar. Creio que ele pensou em ir, mas o playground deve o ter desanimado de tentar subir. 

E a brincadeira continuava, com a tal mulher se jogando com os filhos entre os ferros, como se estivesse num barco viking do extinto Playcenter. Barco apertado, diga-se de passagem. Mas isso ela resolveu tirar de letra. Quem estivesse perto que aguentasse as consequências. Jogava seu corpo contra quem estivesse atrás. E ria. Gritava. Divertia-se junto com as crianças. O barulho começou a incomodar as pessoas. Cabeças se viravam para trás, mas, numa apatia de quem estava acostumado com situações incômodas dentro dos ônibus, evitaram qualquer manifestação. Meu amigo, que tinha ficado em pé, foi acertado várias vezes nas costas, mas para não arrumar confusão, preferiu apenas se distanciar da mulher.

“Veja, o pão e circo... É disso que o povo gosta.”  – comentou comigo, irônico. 

E a alegria continuava. Não sei se aquela mulher e seus filhos conheceram um parque de diversões alguma vez na vida, mas a sensação que transmitiam era a que realmente estavam em um, mesmo que aqueles ferros não tenham sido fabricados para ter essa sensação. E quem estava perto, para ela, que se danasse. Infelizmente, o tal idoso, de chapéu, era o premiado naquele minuto. Foi jogado para o lado com violência. Nisso, os meus dois amigos, o casal, que estava sentados, ficaram indignados, e se manifestaram contra a mulher.

“Você é louca! Olha o senhor idoso aí!”

Estragaram a alegria da mulher. Chatos. Diante disso, ela não fez outra coisa a não ser ficar indignada. E a alegria com as crianças mudou, mais rápido que o tempo em São Paulo, para um surto de agressividade e descontrole.

“Calem essa boca! Vocês estão incomodados com a felicidade alheia! Brasileiro não pode ser feliz que todo mundo se incomoda!”

A partir daí, o que se seguiu foi uma sucessão de palavras de baixo calão, trocadas entre a mulher, os meus amigos, e também o senhor idoso, que foi inclusive recebeu histéricas ameaças de agressão por parte dela.

E enlouquecida, até o ponto que descemos, ela provocou. Meus amigos e o idoso se tornaram vilões. Uma outra mulher também a defendeu, dizendo que os incomodados que fossem pegar um taxi. Injustiça. Que absurdo destruir a felicidade alheia, mesmo que ela se resumisse em se pendurar em ferros de ônibus. Vendo que a mesma queria exibir a seu conceito de felicidade da mesma forma que alguém pendura uma melancia no pescoço, meus amigos decidiram não dar mais atenção. Mas ela queria atenção. E foi os provocando até onde descemos.

“Eu quero ver quem vai impedir a minha felicidade. Vejam meus, filhos, não abaixem a cabeça pra ninguém! Sejam felizes! Não deixem ninguém estragar a felicidade de vocês!” – disse, sentindo-se imponente.

“Sim, mamãe, a gente não vai abaixar a cabeça pra ninguém!” – respondeu uma das crianças, como se falassem a uma super heroína perante os inimigos cruéis.

E foi assim que descemos. A mulher ainda se vangloriando da tal felicidade, e meus amigos, os vilões cruéis e sem humanidade, ainda sentindo pena daquela espécie de pavão bizarro de virtudes.

É assim que vamos caminhando, com pessoas como ela sendo felizes, mas tão felizes, que continuarão se pendurando em ferros de ônibus, empurrando e ameaçando idosos de agressão, e ensinando as suas crianças a acreditarem que estão sempre certas. 

Um futuro emocionante nos aguarda. Pelo menos nos transportes coletivos, que já são um reduto de felicidade cotidiana.

Danilo Moreira


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FOTO: http://ascartasqueeunaoenvio.blogspot.com.br/2009/09/gente-folgada.html 


domingo, 16 de dezembro de 2012

Quatro anos



Vila Mariana, zona sul de São Paulo, 11 da manhã.

Ouço aquelas risadas. Muitas. Por um momento, esqueço que estou na sala de aula de uma faculdade. Parece que estou em casa. O professor também. Mas, não é indisciplina. Nem desordem. É intimidade construída ao longo de quatro anos. São amigos, que entre um slide o outro, riem, filosofam, questionam, debatem como se falassem com um parente. E tudo acaba numa grande gargalhada. Quatro anos. Era de se esperar que acabasse assim, nessa grande brincadeira tão séria. 

Uns fazem planos para o futuro. Vieram de longe, mesmo que o longe ainda fique na mesma zona sul de São Paulo, ou no extremo da zona leste. Mudaram o visual. Amadureceram. Traçam planos. Ou então, o futuro a Deus pertence. Não importa. O que precisam mesmo é terminar tudo aquilo, apresentar o TCC, resolver todas as pendências que ficaram.

Saio da faculdade. O silêncio dos corredores tão característico do Matutino não é mais o mesmo. Entraram novas turmas. Calouros barulhentos, deslumbrados com todo aquele universo da graduação. E eu caminhando devagar, com cansaço nas costas, prazos na cabeça, e um pequeno sentimento de saudade de tudo aquilo, sensação que aos poucos começa a me abraçar. 

Subo na biblioteca, não tão vazia como antes. Grupos de “bixos” e de outros semestres se aglomeram. Pegam livros, jornais. Falam de matérias que eu nem me lembro mais. Alguns professores de que falam mal conheço. Reclamam de trabalhos pesados com tensão e receio na voz. Eu rio por dentro. “Eles não sabem o que os esperam ainda...” – penso. Sento-me na mesa onde se encontra meu grupo de TCC . Reunião. Todos sérios. Sisudos. E pensar que há quatro anos, mal falava com alguns deles. Outros eu já tinha visto em todos os estados possíveis: felizes, bravos, deprimidos, eufóricos, bêbados... E agora, todos eles ali na minha frente, com postura de profissionais, dialogando entre si com a tensão dos prazos traduzida nas palavras secas e objetivas e nas dores na cabeça e no estômago.

Problemas resolvidos, hora de almoçar. Entro mais uma vez naquele restaurante com nome de personagem do Sítio do Pica-Pau Amarelo, num casarão antigo, de mesas apertadas e receptividade enorme, a ponto de já chamar o dono pelo nome. Comida caseira. Amigos me acompanham. Discutimos assuntos que vão de política ao tamanho da linguiça no prato. Hora de ir para o estágio. Me despeço de todos. “Sexta tem pastel na feira do Ana Rosa, né?”. “Sim, tem!”. À noite, tem barzinho. Amigos de vários semestres reunidos em uma mesa. Risos. Danças. Bebidas. Papos. Beijos. Todos perguntam entre si: “E aí, tem planos para o ano que vem?”. Ano que vem tudo muda. Muda? Ou recomeça? Ou volta a ser o que era antes da faculdade?

Tintas na mão. Novas caras e corpos sendo pintados. “Vem, vem, vem bixo, vem!”. Trote com ar de despedida da turma mais veterana. “Aproveitem, bixarada, quatro anos passam rápido!” E passam. Não tenho mais paciência para ouvir slides e anotar explicações do professor. Não consigo mais acordar no horário. Preciso dormir, mas não posso. Aquelas paredes que antes me fascinavam pelo ar maduro da universidade, agora me parecem comuns como qualquer outra. Mas, não paro de olhá-las, agora com uma sensação estranha. Quando poderei olhá-las novamente? O mesmo faço com as pessoas ao meu redor ali, como aquela faxineira que sempre cruzo no elevador, ou com os antigos casarões vizinhos sendo engolidos pela especulação imobiliária. O passado nostálgico, dividindo espaço com o presente tenso do TCC, e se espremendo com o temor e os planos do futuro.

Curioso é ver como coisas tão simples e cotidianas, de repente, irão se tornar apenas mais um pedaço da série de lembranças que ocupam o nosso armário de recordações. Um ciclo de quatro anos se fecha. Agora, incógnitas surgem, poucas certezas aliviam a sensação de pisar no escuro. E a saudade... bem, vai tomando forma e criando corpo.

Sinal de que valeu a pena cada segundo. E valeu mesmo. Ganhei uma valiosa bagagem e que será muito bem guardada, com carinho. Obrigado a todos que participaram dessa história. E continuem participando até o dia em que a vida, o destino e a rotina deixarem.

Que venha o futuro.


Danilo Moreira

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 FOTO: acervo pessoal

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sobre novelas e umbigos



A novela global “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, é certamente um sucesso da teledramaturgia recente. A história protagonizada por Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) tem rendido à Globo, nas últimas semanas, picos que beiram os 50 pontos de audiência, índice que nem últimos capítulos de outras novelas conseguiram atingir.

Por conta dessa repercussão é inevitável que o assunto seja mencionado nas redes sociais. O que chama a atenção é a crítica hipócrita por parte da turma que se considera “consciente” em cima de quem vê novelas. Afirma-se, de maneira geral, que ela é um instrumento de manipulação, e quem as assiste são pessoas “fúteis”, “alienadas” e que “não se importam com a política e o que acontece no país”.

Hipócrita sim. Tão hipócrita quanto quem diz que não assiste novela por ser pura ficção, mas chora só em saber que um novo livro da saga Crepúsculo vai ser lançado. Tão hipócrita quanto quem diz que o povo “se droga” com as novelas, mas que deixa de ir trabalhar para ver a partida de futebol do seu time. Tão hipócrita quanto quem fala que assistir novela é fugir da realidade, mas que conta os dias para assistir seriados americanos como “The Walking Dead” e realmente acredita que vai haver um “apocalipse zumbi”. Tão hipócrita quanto aqueles que criticam quem compra bijuterias semelhantes às usadas pela protagonista da novela, mas enche o quarto de posters, revistas e objetos que lembram o seu cantor ou banda preferidos. Tão hipócrita quanto quem critica UFC como estímulo a violência, mas assiste desde pequeno filmes de luta às vezes mais sangrentos. Tão hipócrita quanto quem prega o boicote à Globo por ela ser manipuladora, mas assiste atrações da Record e outras concorrentes que não passam de cópias mal feitas da “Vênus Platinada”, e às vezes, até mais apelativas e desumanas.

Vivemos sim em um país que precisa acordar para a sua realidade e acompanhar mais o trabalho dos governantes. E instrumentos para isso não faltam. Aqui em São Paulo, por exemplo, a Câmara Municipal possui um portal onde é possível até assistir ao vivo as Sessões Plenárias, saber o andamento de projetos importantes para seu bairro, ou ainda, acompanhar o trabalho e assiduidade do vereador que você escolheu. Você sabia disso, leitor? Se você é de outra cidade, já verificou se aí existe esse recurso? E sobre o trabalho do governador do seu Estado?

Agora, não consigo imaginar um mundo onde as pessoas apenas usem a televisão para assistir programas que discutam a realidade e a sociedade em que vivemos. E não tiro o mérito de desse tipo de conteúdo. Ele é importante. Precisa existir. Só que parece que falar de puro entretenimento virou pecado. Você não pode deixar um pouco de lado a sua realidade para embarcar em uma trama, seja ela qual for, que logo é estereotipado como alienado. Ora, se for por essa linha, todos nós então o somos. Todos, sem exceção.


É possível equilibrar. Você pode ser um cara que assiste "besteiróis" adolescentes americanos mas que sabe, por exemplo, o que o seu prefeito tem feito pela sua região. Mesmo sabendo que a novela é um produto feito para vender outros produtos, eu gosto. Assisto. Curto ver a narrativa, a construção dos personagens, rir com eles. Nem por isso, me considero um “robô manipulado pela mídia”. Sei que existem pessoas de fato alienadas, que realmente levam à sério coisas que não deveriam passar da tela da TV. E é errado. Mas culpar simplesmente um único produto pela alienação de um povo é algo impreciso. A mídia manipula, mas, cada pessoa tem o seu gosto, a sua forma de receber as informações e como vai usar aquilo para a sua vida. Assim como eu não acredito na consciência política de uma pessoa que pede voto nulo mas não se lembra em quem votou nas últimas eleições, não acredito que as pessoas que criticam as novelas como "o ópio do povo" também não consumam algo similar, mesmo que não seja brasileiro.

Busque o equilíbrio. Ninguém deve viver só de realidade ou de ficção. E pior, quem valoriza demais determinado produto midiático é o primeiro que deve baixar a cabeça e se atentar melhor àquilo que fala sobre o consumo dos outros.

E por fim, quem critica a tudo e a todos também é um alienado. Pois jamais será capaz de sentir orgulho de alguma coisa, e não sairá do senso comum de que “tudo está errado”. Quem realmente é inconformado com a sociedade berra menos e atua mais, pois almeja ver mais resultados do que problemas. E quem realmente é alienado está se lixando para essa discussão, e também tem a mesma linha de pensamento do “tudo está errado”, por isso, não sairá do seu sofá para se impor e muito menos para reclamar.

Em suma, vamos cuidar mais dos nossos umbigos e ser menos hipócritas. A sociedade já doente de egos e visões mal construídas agradece. 

Danilo Moreira

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FOTO: 
http://www.dtvusaforum.com/blogs/orrymain/189-director-mel-stuarts-death-brings-memories-willy-wonka-pure-imagination.html
http://www.tribunahoje.com/noticia/42409/entretenimento/2012/10/11/passado-negro-de-doroteia-vem-a-tona-em-gabriela-dancava-nua.html
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