sábado, 15 de fevereiro de 2014

Ponto Três: 5 anos!



Olá!

Hoje é uma data muito especial. Há exatos cinco anos, no dia 15 de fevereiro de 2009, estreava na blogosfera o Ponto Três.

Este blog simboliza um período de renovação. Tinha saído de uma fase muito turbulenta, encerrado meu antigo blog e me sentia frustrado com uma série de coisas na minha vida. Entrei 2009 decidido a virar o jogo. Comecei a fazer faculdade, investi em outros planos que estavam engavetados, e a blogosfera, ambiente da qual nunca saí, me levou a criar um novo “filho”. E então, inspirado no clima dos botecos, que são um ponto de encontro e de ideias, criei o Ponto Três, cujo número refere-se ao fato de ser o meu terceiro blog, após o Em Linhas... e o Toca das Letras.

Muita coisa aconteceu de lá para cá. Mudei do curso de Relações Públicas para Jornalismo, publiquei um livro, saí (finalmente!) do Telemarketing e fiz estágio numa das maiores casas legislativas do país. Fiz Teatro, apresentei duas peças, sendo uma de minha autoria, e hoje, com a graduação concluída, trabalho como repórter numa agência de comunicação, além de colaborar para outros sites. E no meio disso tudo, sempre procurei espaço para atualizar o blog com conteúdos que variam desde textos literários a artigos e crônicas sobre fatos do cotidiano, como os protestos em junho de 2013, a morte de Michael Jackson, e reportagens como a feita sobre a Virada Cultural 2011 no SESC Interlagos.

Certamente, a seção mais acessada do blog é a Antes e Depois, com matérias que relembram intérpretes de produções antigas e contam suas trajetórias de vida antes e depois do sucesso. Até hoje, o post campeão de visualizações é o Os atores de Castelo Ra-Tim-Bum, com cerca de 49,8 mil acessos desde a sua publicação em outubro de 2010. Outras seções também me marcaram pelo desafio de produzir, como a À flor da pele, com textos literários de cunho sensual, ou os Minicontos, com histórias contadas em poucas linhas.

Quando vejo os textos que produzi aqui, a única palavra que me vem na mente é “mudança”. Tudo mudou. A blogosfera não é mais a mesma de cinco anos atrás. Minha mentalidade em relação ao blog também. Antes, comentário era moeda de troca. Me esforçava mais para procurar parceiros e blogs interessantes. Hoje, mal consigo ter tempo necessário para pensar no que vou publicar. Mas tento. Sempre tento. Meu coração sempre cobra. É como aquele copo d’água que nosso corpo sempre irá pedir e você não terá coragem de recusar, porque sabe o quanto te faz bem.  Aqui é a minha vitrine. Aqui me sinto à vontade para falar o que acho certo ou válido para ser discutido, e sinceramente, fico mais satisfeito com poucos e enriquecedores comentários que recebo, do que a grande quantidade nos blogs populares, cuja maioria dos visitantes transforma o espaço em uma vala de mediocridade, ignorância, preconceito, hipocrisia, ofensas gratuitas e outros venenos. Não sei como os autores desses blogs conseguem respirar e produzir diante de tanta podridão. 

Coincidentemente, este blog ganha cinco velas em um ano que completo 15 anos como escritor. Escrever é a minha vida, minha paixão, seja no jornalismo, no teatro ou na literatura. Me sinto feliz em poder contribuir de alguma forma com o conhecimento dos leitores, ou mesmo mexer com os sentimentos, a memória, o coração, ou colocar um simples sorriso no rosto. É um prazer que não me custa nada além de tempo e que também me enriquece como ser humano.

E por fim, quero agradecer de coração aos 93 seguidores, aos blogueiros parceiros e amigos que me acompanham desde o começo, aos que vieram depois, aos elogios e críticas que recebi por aqui ou pessoalmente, aos que leem os textos e os compartilham espontaneamente nas mídias sociais, e por todo o carinho e aprendizado que me trouxeram durante essa meia década.

Quanto ao futuro, não quero prometer nada. Mas no que depender de mim, este espaço continuará sendo um ponto especial para todos os outros.

Muito obrigado, e até a próxima!

Danilo Moreira

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Foto: http://officesupplygeek.com/deals-and-sales/

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

25 lições que levarei de 2013


Olá!

Andei bem sumido do blog, ainda mais agora que estou trabalhando bastante. Mas não poderia encerrar 2013 sem deixar um post especial. Dessa vez resolvi fazer diferente e listar 25 lições que aprendi durante estes doze meses:

1 – Nem todo ano começa em janeiro. Alguns só começam quando a gente quer.

2 – Concluir a faculdade é apenas o começo de tudo.

3 – A família é base, mas a vida é nossa.

4 – Assim como a privacidade, o silêncio está cada vez mais escasso no nosso dia a dia. Por isso, se ainda o tiver, aproveite-o.

5 – Um gesto solidário descompromissado é mais nobre e verdadeiro do que o feito apenas por laços de sangue.

6 – Às vezes, a vida nos dá um presente: realiza aquele antigo sonho, da maneira mais inesperada e especial possível.

7 – Pior do que errar é agonizar em eternas dúvidas.

8 – Um simples “bom dia” pode ser a porta de entrada para criar laços, alguns surpreendentemente especiais.

9 – Podemos viver dentro em ternos e gravatas, cargos, status, regras e tabus, mas no fundo, não passamos de animais sentimentais, que reagem ao mundo de acordo com a frequência de atenção que recebem ou não recebem.

10 – O profano pode ser apenas um ponto de vista mal trabalhado. O divino também.

11 – Os anos da faculdade realmente são os melhores.

12 – Uma revolução não começa pela revolta, mas sim pela consciência do todo. Se começar apenas pela revolta, é só uma forma mais radical de alienação.   

13 – Pensar positivamente ou negativamente não faz a menor diferença se no fim você não sai do lugar.

14 – Toda frustração vem de uma expectativa, inclusive desnecessária.

15 – A nossa vida é feita de fases. Ruins ou boas, todas elas, mais cedo ou mais tarde, vão acabar.

16 – Existem mais corpos querendo se saciarem, mais corações que precisam de atenção, e mais pessoas infelizes em vidas falsas do que a gente imagina.

17 – Desconfie de tudo que carregue a expressão “o poder do povo”.

18 – Quebrar regras tem como principal norma assumir consequências.

19 – Muitos não querem justiça, querem apenas o poder de dizer o que é justo.

20 – A nossa vida também é feita das escolhas e consequências dos outros.    

21 – Um bom guerreiro é aquele que também consegue derrubar as ditaduras internas.

22 – Nem todo atraso é ruim. Às vezes ele veio para evitar atrasos piores.

23 – O sexo é o único regime puramente democrático. E mesmo assim, sempre terão pessoas que só vivem para tentar lhe dar golpes autoritários.

24 – Assim como somos especiais para uns, somos totalmente dispensáveis para outros. Aceite isso.  

25 – Devemos agradecer por tudo que conquistamos e por estarmos melhor que outras pessoas, mas não é errado querermos buscar sempre mais.    

E você, o que aprendeu de especial em 2013?

Feliz 2014, e até mais!

Danilo Moreira

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Foto: http://janelaflutuante.blogspot.com.br/2011/09/resolvi-voltar.html

domingo, 13 de outubro de 2013

Vai dormir que é melhor...


Suspiro.
Abraço o corpo.
Encolho-me nas pernas,
Na dor,
No vazio,
No relógio estático,
Nos ponteiros atrasados,
No silêncio do tempo.

Aí vem o sono,
Acaricia os meus olhos,
Com força nos dedos,
E um sorriso irritante:
- Vai dormir que é melhor.

Nem consigo responder...

Danilo Moreira
Maio/2013

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Foto: http://babiely.wordpress.com/2013/02/11/amnesia-consentida/

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Moradores de rua apresentam stand up na Praça do Patriarca


Hoje o Ponto Três vai abrir espaço para um convite.

Amanhã (10), às 9h, a Praça do Patriarca, no Centro de São Paulo, recebe o “Stand-up Comendigos”. Trata-se de uma comédia stand up feita por moradores de rua. Utilizando da magia e da espontaneidade do teatro ao ar livre, a peça promete ser um gostoso espetáculo de improvisação, humor e consciência, tendo a realidade das ruas como tema principal.

O trabalho artístico feito por esse pessoal é fantástico. Tive o primeiro contato com eles por meio de Tião Nicomedes, escritor, jornalista e ex-morador de rua, engajado em vários projetos para ajudar e dar voz a essa população, dentre eles o teatro. Ele é uma das histórias contadas no livro-reportagem que eu e mais cinco colegas da faculdade produzimos no ano passado, sobre pessoas em situação de vulnerabilidade social que usam o teatro como forma de expressão. Esse ano tive o prazer em revê-lo no II Salão Nacional de Jornalistas Escritores, no Memorial da América Latina, e fiquei sabendo dessa apresentação.

Portanto, se você tem um coração aberto, gosta de ver a mistura de arte e conscientização, passe na Praça do Patriarca amanhã, às 9h. E se puder, colabore com esse trabalho, nem que seja com uma moeda. A peça vai arrecadar fundos para ajudar uma companheira que fica nas imediações da Sé.

Para completar, colo abaixo um texto escrito nas palavras do próprio Tião:

“Pessoal, é o seguinte. Na próxima terça-feira estrearemos pelas ruas do Centro de SP com a baboseira do ‘Stand up Comendigo’. Quem quiser conferir de perto a cara de pau e o destalento da gente de rua, cola na Patriarca pela manhã, às 9hs em diante. Mas venha de bom humor e de bom amor! Revira as calças aí, senta a marreta e já quebra o porquinho, e trás moedas pra encher o nosso chapéu! Junta as notas velhas aí de 2 reais, e trás pra gente!

E quem puder ajudar, ou souber, a Marli ta desesperada pra sair da rua, pra deixar a Praça da Sé, mas vaga de albergue ela não quer, então tem que ser coisa barata ou alguma ocupação que aceite e não discrimine. Sabe como é, pessoa com muito tempo de rua, a cabeça pira, fica deteriorada, ainda mais mulher de idade... Aí já viu né? Cada um real já garante pelo menos o almoço da nossa amiga-irmã-companheira no restaurante popular. Já é um começo. A trupe por enquanto são só duas pessoas, mais a ideia é crescer. E num futuro, quem sabe, achar mais pessoas de talento na rua e que tem só como recurso último, acreditar em sonhos.”

Se você curtiu, então, compartilhe, e se puder, compareça amanhã. A população de rua agradece.

Muito obrigado, e até a próxima!


Danilo Moreira

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Foto: Bruna Sousa

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Vinte e oito


Uma primavera, duas fases. Na primeira, vida agitada. Rotina dividida entre estágio e faculdade. Trabalho de conclusão de curso. Amigos, barzinhos, teatros, shows, boemia, pessoas especiais, vivências, dificuldades e experiências. Etapas concluídas. Quatro anos executados com sucesso. Apaguei a luz da antiga sala. Despedi-me de tudo com lágrimas nos olhos. Tornei-me uma pessoa muito melhor.

Mudei-me para uma nova sala. Esta tem cheiro de incertezas. Em certos momentos, fede a nada. Olho para a janela. Um povo estava acordado. Juntei-me a eles. Voltei a olhar para a sala. Nada, e mais nada de novo. Olho na estante. Meu primeiro livro finalmente foi publicado. Na outra estante observo orgulhosamente o canudo que recebi na Colação de Grau. Sento no chão. Olho para o teto. Sons de recordações e cobranças se distorcem enquanto penetram nos meus ouvidos. Penso. Arrumo e completo papéis que esperam há anos por mim. Mas os que vêm do futuro são poucos.

Os trinta estão ali, no horizonte. E sinceramente, nem ligo. Sinto uma certa pressão no ar para “ter as coisas de acordo com a minha idade”, afinal, quase todos os meus amigos do colégio já construíram uma família, por exemplo. Mas tenho a minha liberdade. Ainda posso pegar uma mochila e sumir pelo mundo. Posso mesmo? Lá dentro, várias vozes dão e inventam inúmeros motivos para dizer que “Não”. Como odeio essas vozes! Mas de fato estou preso a muita coisa. Na verdade, estou no chão, refém do futuro, que não chega ou vem picotado. Não posso voar muito alto.

Vejo um cinza diante dos meus olhos. Ainda sim, lá dentro, as cores se multiplicam. Ainda vão emergir e surpreender a todos, quem sabe? Talvez novas revoluções estremeçam essa sala, ou o prédio inteiro. Inclusive construirão novos pilares. Ou, como às vezes acontece, tudo vai ficar só na promessa, e vai entrar para a pasta das dívidas internas.

Seja bem vindo, 28. Só não repare a bagunça, o cinza e o cheiro de incertezas. Ainda estou tentando arrumar essa sala com a experiência que tenho de outras primaveras.

Aos poucos, tudo vai dar certo. 


Danilo Moreira

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Foto: Ultradownloads
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