terça-feira, 5 de junho de 2012

Linhas especiais...


Hoje, o Ponto Três abre espaço para falar de outro blog muito especial. Ele foi um divisor de águas na minha vida enquanto blogueiro.

Iniciado exatamente em 05 de junho de 2007, o “Em Linhas...” tinha uma proposta de ser aquele caderno em branco (apesar o layout todo preto, rs) que pegamos para escrever tudo aquilo que pensamos. Foram 94 postagens em 1 ano, 3 meses e 5 dias de funcionamento.

Até 2007, eu mostrava os meus textos, na maioria manuscritos, apenas para amigos e parentes. Mas tinha uma curiosidade em saber como pessoas desconhecidas reagiriam ao ver o que eu escrevia e opinarem sem as influências da intimidade. Baseado num blog de uma amiga, iniciei em 22 de abril do mesmo ano o “Toca das Letras”. Mas, com o tempo, quis algo maior, mais conceituado. Como virginiano perfeccionista que sou, decidi criar outro blog, com novo layout, proposta e nome. Nascia, assim, o “Em Linhas...” e começava ali, definitivamente, a minha relação com a blogosfera, que dura até hoje.

Com ele aprendi muito. Descobri as comunidades de blogueiros no Orkut (e tópicos como o famoso “Comente no blog acima” – o céu e o inferno do blogueiro amador). Fiz vários amigos, uns que se perderam com o tempo, outros que continuam até hoje e que já tive o prazer de conhecer pessoalmente. Aprendi que comentário é moeda de troca, mas não é o principal. Entendi que NUNCA você estará sozinho. O que você escreve, não importa em qual lugar do mundo, com certeza será lido por alguém, mesmo que por cima. Vi como existem pessoas que sabem comentar, e outras que sabem apenas causar comentários, especialmente quando dizem coisas inúteis.

Lá, iniciei o que considero o extremo do meu lado poeta no marcador “Delírios”, que ainda tem continuidade neste blog. Um conto, chamado “O Concurso de Atrizes”, que critica a televisão enquanto entretenimento sem conteúdo, recentemente se tornou uma peça de teatro, que apresentei com o grupo da minha faculdade no começo deste ano.

O “Em Linhas...” veio numa fase em que eu tinha 21/22 anos. Naquela época, nem sonhava em ser jornalista. Era um jovem de moicano, roupas largas, escritor amador, operador de telemarketing, capaz de ouvir de Madonna à Janis Joplin, com um relacionamento intenso com uma garota fantástica, e com alguns problemas familiares. O blog foi um retrato importante dessa época, e que foi escrito para conter palavras que poderiam ser compartilhadas com qualquer pessoa e se possível, em qualquer tempo. Por motivos pessoais, decidi deixar de postar nele em 10 de setembro de 2008, mas não tive coragem de excluí-lo. Ele ainda continua aberto para visitação e inclusive para comentários, mas hoje, ele não passa de uma bela lição do que é um blog, e um belo retrato do que já fui.

Como comemoração, alguns textos do “Em Linhas...” passarão a ser postados aqui, no Ponto Três. Espero que gostem.

E a todos que adoravam o blog, mais uma vez, muito obrigado.

Até à próxima!

Danilo Moreira

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Foto: Acervo pessoal

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sons especiais na praça de alimentação


Já tinha ouvido aquela voz algumas vezes naquela praça de alimentação do Shopping Light, no Centro de São Paulo. Todas as noites das sextas-feiras, com seu violão e uma voz afinada, aquele rapaz desconhecido tocava em um pequeno palco improvisado e mal situado. Na bagagem, um repertório variado, com clássicos da MPB e conhecidas baladas internacionais. Disputava com seu talento um pouco de atenção das pessoas em meio àquele barulho misturado de conversas e talheres. Ao fim de uma música, ouvia uma, duas palmas, e agradecia discretamente com a cabeça.

Mas, naquele dia, enquanto eu me acomodava em uma das mesas com meu jantar, reparei que uma senhora bem idosa, negra, com um lenço elegante na cabeça, batia palmas com mais empolgação que os demais. Ela estava bem na frente do músico, sozinha, e pelo prato vazio, já tinha comido há algum tempo. O rapaz tinha acabado de tocar “Do you wanna dance?”, de Johnny Rivers, e ela, comovida, pediu mais. E ele, não dando muita atenção, continuou com seu repertório, com clássicos de Eric Clapton, Nando Reis, Djavan, Richard Marx, entre outros. Ao fim de uma música, o cantor foi aplaudido euforicamente pela senhora, e surpreso, enrubesceu-se. A mulher então chamou o rapaz de canto e sussurrou alguma coisa em seu ouvido. Ele sorriu. Então, pôs-se a tocar uma música que ela tinha sugerido, do Lionel Ritchie. E assim foi com outras.

As mesas em volta já começavam a ficar vazias por conta do horário de fechamento do shopping. Eu ainda comia bem devagar, apenas obervando os dois, curioso com a forma que se interagiam. A mulher sorria, batia palmas, brincava e acompanhava os gestos do rapaz, como se mesmo sentada também fizesse parte daquele palco. E ele ia junto, animado com a atenção especial que recebia, deixando que ela escolhesse, ao fim de cada música, qual a próxima a ser cantada. A apresentação, com finalidade de puro entretenimento, agora tinha ganhado um novo significado: ele fez a diferença na vida de uma pessoa, transformou aquele momento em algo inesquecível para alguém. E pelo brilho que seus olhos mostravam, isso já parecia o suficiente para deixá-lo satisfeito.

Olhei no relógio, vi que precisava ir embora. Passei ao lado do palco só para ver mais de perto aqueles dois. A senhora ainda continuava cantarolando, e o rapaz terminava de tocar mais uma música do Johnny Rivers. Era a última. Com toda a educação, despediu-se do público, deixando seu telefone para shows. A senhora o aplaudiu de pé, deu-lhe parabéns, agradeceu por tê-la feito se divertir tanto. Sorridente, o rapaz também a agradeceu por tê-lo ouvido.

São em casos assim que a gente percebe como não precisa de muito para transformar dias comuns em momentos especiais.

Danilo Moreira

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FOTO: http://aldeiatem.com/blog/?p=2999

sábado, 28 de abril de 2012

Nick

Estava mal naquela noite de outubro de 2000. Pela primeira vez, eu tinha sentido a dor de perder um cão de estimação, ainda mais daquela maneira trágica. Fui até o espaço onde você e ele conviviam. Olhei para a casinha dele, e desolado, encostei-me na parede, e comecei a chorar. Você ainda era novo, cheio de vida, pentelho, e me recordo bem que naquele dia, você simplesmente deixou a sua agitação quase compulsiva de lado e parou só para me observar. Sentou e ficou me olhando chorar. Prestou atenção em cada palavra de desabafo que eu te disse. Viu como aquele adolescente de 15 anos, um moleque magrelo metido a durão, desmoronava pela primeira vez daquele jeito, diante de uma morte que você também foi testemunha. Fechei os olhos, entrei numa viagem pela memória, pelos bons momentos que tive com aquele cão. Mas, um barulho de patas interrompeu aquela viagem e me trouxe de volta para o presente: era você, pulando, me chamando para brincar. Foi então que entendi, quando olhei novamente para os seus olhos, que o que você queria mesmo era tirar aquela dor que eu estava sentindo, da melhor maneira que você sabia: me fazendo rir.

Nunca mais esqueci desse seu gesto. Nunca mais esqueci da maneira como sempre se preocupou comigo. Mesmo há anos você não morando mais aqui em casa, sempre te considerei daqui, e você, todas as vezes que ia te visitar na casa do meu irmão, também sempre me tratou com um mesmo carinho, como se ainda fosse da sua, até aquela última vez, quando novamente, aqueles seus olhos me disseram um obrigado, por estar ali, enquanto você tentava ficar em pé, mas não conseguia mais, devido à sua idade avançada.

E hoje, recebi a noticia que você teve que partir. Eu sabia que logo isso ia acontecer, devido às suas limitações físicas cada vez mais cruéis. Mas mesmo assim, sabendo como foi, dói, ainda que no fundo tudo tenha acontecido para amenizar o seu sofrimento... Realmente é uma crueldade que os cães, maiores exemplos de amor incondicional e perdão, tenham uma vida tão curta em relação à que costuma ter o ser humano, às vezes mais duro que uma pedra e tão nojento quanto os ratos.

Obrigado por ter existido. Obrigado por tudo que fez por mim, e pela minha família. Às vezes acho que Deus criara os cães para mostrar que não precisa de muito para amar. As vezes um olho brilhando, uma companhia silenciosa do lado, ou mesmo um simples convite para brincar, podem ser mais do que suficientes.

Descanse em paz, Nick. 
(1997-2012)



Danilo Moreira

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FOTO: acervo pessoal

terça-feira, 13 de março de 2012

Delírio - Hedonismo


Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade. Busque a felicidade.

[Você não é homem!]
[Você magoou pessoas!]
[Você não serve para nada!]
[Você tem que ter medo!]
[Você vai morrer!]
[Que coisa de útil você fez pela sua vida?]
[Você não sabe se defender!]
 [Você é o culpado de tudo!]
[Você é excluído!]
 [Ninguém gosta de você!]
[O mundo está uma merda!]
[As pessoas não prestam!]
 [Você é muito certinho!]
[Você não aproveita a sua vida!]
[Você não sabe conversar!]
[Você é muito careta!]
[Você está fora da moda!]

Corpos [Você é fraco!] Bundas [Você não é gente!] Carros [Você nunca conseguiu amar alguém!] Sexo [Você tem roupas horríveis!] Shopping [Você tem um corpo horroroso!] Dinheiro [Você beija mal!] Bebida [Você é ruim de cama!] Tênis [Não se enturmou!] Drogas [Errou a vida toda!] Marcas [Só leva desaforo!] Puteiros [Não tem filosofia de vida!] Mulheres [É capacho dos outros!] Homens [Você não sabe falar!] Chicotes [Sempre apanhou dos outros!] Pés [É um pobre coitado!]

ERGO A BANDEIRA DO PRAZER NA PLATAFORMA DOS TEMPOS MODERNOS!

PROVO A TUDO COM VONTADE DE TIRAR O GOSTO AMARGO DEIXADO PELOS MEUS DEFEITOS E FRACASSOS.

O PRAZER QUE ME EXCITA.
O PRAZER QUE ME LIBERTA.
O PRAZER QUE ME SATISFAZ.
O PRAZER QUE ME FAZ SENTIR RICO.
O PRAZER QUE ME FAZ SENTIR HOMEM.
O PRAZER QUE ME FAZ SENTIR COMPLETO.
O PRAZER QUE ME FAZ SENTIR SEDADO.
O PRAZER QUE ME FAZ SENTIR AMADO.
O PRAZER QUE ME FAZ SENTIR ACEITO.
O PRAZER QUE ME FAZ SENTIR MODERNO.
O PRAZER QUE ME DÁ PRAZER.

ENQUANTO ISSO, OS PRODUTOS DEFEITUOSOS NO DEPÓSITO DO EGO VÃO SENDO
ESQUECIDOS ATÉ PERDEREM DE VEZ O PRAZO DE VALIDADE.

ATÉ O DIA EM QUE O PRAZER VIRAR OBRIGAÇÃO, E A OBRIGAÇÃO SE TORNAR UMA PRISÃO.

O QUE FARÁ QUANDO VOCÊ APODRECER?

Danilo Moreira
novembro de 2011

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FOTO: http://carolinaleitedasilva.blogspot.com/2011/02/hedonismo.html

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A nossa vitrine nas mídias sociais


Enquanto eu navegava pelo Facebook, uma amiga compartilhou um link de uma matéria da sessão TechTudo do portal G1. Segundo a  matéria, algumas empresas brasileiras já teriam deixado de lado o tradicional curriculum vitae e passado a utilizar como critério de seleção de candidatos a consulta do que andam publicando nos perfis das suas mídias sociais.

A notícia me deixou com uma pulga atrás da orelha. Será que já vivemos em tempos em que as redes sociais passaram a ser uma espécie de Big Brother Curricular, onde TUDO que escrevemos é observado e analisado por várias empresas?

O fato é que vivemos na era em que a privacidade praticamente está morta. Em todo lugar somos vigiados por câmeras. Tudo que acontece conosco faz parte de uma rede mundial, onde quanto mais o fato for inusitado e provocar algum tipo de reação, mais pessoas tomam conhecimento dele. Pode ser por exemplo um comentário bem humorado seu, mas se as pessoas acharam interessante, vão compartilhar.

Talvez seja o momento das pessoas monitorarem mais o que postam e o que compartilham nas redes sociais, afinal, vivemos sendo bombardeados (e dando atenção) o tempo todo por informações inúteis, e querendo ou não, que podem depor contra nós em situações como a descrita na matéria do G1. Ao mesmo tempo, é algo que particularmente me intriga e me leva a lhe jogar uma reflexão, leitor. Será que ter uma postura sempre politicamente correta nas redes não é uma forma de mascarar o ser humano que você realmente é? Ou precisamos nos fechar dentro de uma imagem montada e planejada, tendo um rígido controle sobre cada letra que escrevemos ou compartilhamos?

Pense nisso.

Danilo Moreira

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FOTO: http://aquintaonda.blogspot.com/2010/07/tse-publica-regras-para-redes-sociais.html
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