terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O bloco do vandalismo e as máscaras do Carnaval



Vandalismo. Essa é a palavra que mais traduz a final da apuração do grupo especial das escolas de samba de São Paulo 2012.

Para quem não sabe, na tarde de hoje (21), enquanto era anunciada as notas no quesito Comissão de Frente, o integrante da diretoria da Império de Casa Verde, Tiago Ciro Tadeu Faria, 29 anos, burlou a segurança e pulou para a mesa dos jurados e rasgou envelopes onde continham as votações. A partir daí, o que se viu foram várias torcidas promovendo quebra-quebra e muita confusão. Já do lado de fora, torcedores da Gaviões da Fiel atearam fogo a um carro alegórico da Pérola Negra. Cinco pessoas, incluindo o causador do tumulto e um torcedor da Gaviões (Cauê Santos Pereira, 20 anos, detido por atirar objetos), foram presas. Segundo informações exibidas no Jornal Nacional, Faria já tinha passagem na policia e já tinha até uma condenação desde 2005. 

Na maior parte das redes sociais, a Gaviões da Fiel foi apontada como a única e principal causadora do tumulto, como se outras escolas também não tivessem o seu grau de participação. Já boa parte da turma do “odeio carnaval” aplaudia de pé o fato e reforçava o seu pensamento de abolir o evento das terras brasileiras, além das piadas com tudo e com todos, de praxe (e admito, algumas muito bem feitas que nem o bom senso é capaz de conter o riso).

O fato é que isso abre o leque para várias questões polêmicas. Uma delas é a influência do fanatismo das torcidas nas escolas de samba. E outra questão, tão grave quanto, é sobre a incógnita que se formou diante da forma como foi feita a apuração, já que houve a troca de jurados, e uma reunião a portas fechadas com representantes das escolas que chegou a atrasar o início da apuração e acusações por parte de alguns membros de favorecimento e compra de votos. 

Não é novidade a suspeita (ou certeza) de que existe manipulação na votação das escolas de samba. O fato é que hoje se estourou uma bomba que talvez estivesse engasgada na garganta de muitos que acompanham aquele processo, e que de alguma forma se sentiam prejudicados. Acho que isso é mais que o suficiente para abrir os olhos de todos sobre o que acontece lá dentro. “Mas isso é Brasil, é comum. Se na política, no futebol, até na vida cotidiana, manipulações acontecem, porque na festa mais famosa do país isso também não poderia acontecer?”, diz o senso comum. “Em outras palavras, onde há fumaça, há fogo”.

E o resultado foi esse: vandalismo, um carro destruído de uma escola que nada tinha a ver com a história, e uma grande festa que terminou como uma notícia policial, e que terá desdobramentos.

Outra questão que também defendem é a abolição do Carnaval de São Paulo de torcidas e até de escolas ligadas à times de futebol, assunto que também não é novidade. Acredito que até poderia ajudar, mas se a intenção é acabar com a violência, de nada adianta abolir essas escolas do grupo especial, se os vândalos dentro das torcidas organizadas continuarem aprontando o que querem sob a sombra das cortinas da impunidade, seja no carnaval, ou nos próprios jogos.

Que o fato de hoje traga boas lições a todos. Pena que nem todas as pessoas têm maturidade ou a cabeça aberta, pelo menos, para entender onde estão mesmo os verdadeiros vilões e culpados dessa história. E não estou falando de nenhuma escola...

Mas, enfim, desejo apenas que seja feita a justiça, seja para quem for.

E agora pouco foi anunciado: a Mocidade Alegre é a campeã do Carnaval 2012. 

Até a próxima. E feliz ano novo!

Danilo Moreira

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FOTO: Reprodução/ Tv Globo

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O corpo que vê o corpo



O corpo que vê o corpo
É o mesmo que na alma se alegra
Quando a luz no fim dó túnel da solidão aparece
E ilumina até a visão das estrelas
O corpo flutua no próprio ego
As mãos percorrem as faces do pedido
Os olhos procuram o que não sabe o que vai encontrar
As palavras se entortam com a onda de desejos
A boca se morde com vontade de repetir.

É o corpo,
que vê o corpo,
que vê o corpo,
que vê o corpo,
que vê o corpo...

Danilo Moreira

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FOTO: http://cariocanerd.blogspot.com/2011/01/la-puta-favorita.html

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ponto Três: 3 anos!


Olá leitor!

Ontem, dia 15, o Ponto Três completou 3 anos de existência!

Das postagens mais marcantes neste período, dou um especial destaque às reportagens culturais. Inclusive aqui foi publicada, em abril do ano passado, a minha primeira reportagem, feita para a disciplina de Jornalismo Cultural, sobre uma exposição que falava sobre a cultura dos anos 80, no Shopping SP Market, no bairro do Jurubatuba, zona sul de São Paulo.

As da Virada Cultural no SESC Interlagos, no Extremo sul da capital paulista, também merecem destaque. Uma falava dos eventos de modo geral no clube, e a outra, sobre a Trilha das Artes. Também foi produzida para a mesma disciplina da faculdade, mas, na minha opinião, trouxe um diferencial em relação as coberturas do evento feitas pelos veículos tradicionais, pois normalmente focam mais nos shows do Centro e se esquecem de lugares mais afastados da cidade. A simplicidade do ser humano, a leveza e valores familiares e de noção do uso do espaço público, há muito tempo perdidos, aparecem nessas reportagens como um registro histórico.

Outros posts, na área literária, também marcaram. Depois de um longo tempo, voltei com um Delírio, e iniciei um tipo de publicação conhecida como Minicontos, que são pequenas histórias que, com base nos dados estatísticos, caíram rápido no gosto de quem visita o blog.

Estando no quarto ano de jornalismo (e TCC!), fica cada vez mais difícil manter certa regularidade na publicação de postagens. Por isso, o blog completa mais um ano de vida, mas com essa dívida, que um dia irei pagar.

É isso. Até a próxima! E obrigado, por continuar comigo até aqui.

Danilo Moreira

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FOTO: http://www.ruadireita.com/eventos/info/como-organizar-uma-festa-de-aniversario/

domingo, 29 de janeiro de 2012

Formiga


Vá, formiga, percorra esses caminhos no seu ritmo
Não se intimide com o tamanho do mundo
Não deixe que pés grandes lhe impeçam de seguir em frente
Você pode desejar o que quiser para a tua vida
Basta saber o que realmente precisa.

O tamanho de uma formiga não é páreo para o tamanho dos seus sonhos.

Danilo Moreira


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FOTO: http://mardeletras.ning.com/profiles/blogs/a-formiga

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dercy: de volta aos holofotes


Antes de começar a falar sobre o assunto, quero apenas dizer que faz muito tempo que não escrevo um texto desse tipo na seção Ponto de Vista. E estava fazendo falta. Por isso, peço desculpas de antemão caso apareçam alguns erros.

Segue a opinião de um jovem telespectador, que simplesmente adora teledramaturgia, seja ela como for.

Ouvir falar de uma série para Dercy Gonçalves é algo que me fez brilhar os olhos. Desde pequeno via aquela senhora desbocada em tudo quanto era programa de televisão. Palavrão na minha casa, pelo menos naquela época, era intolerável, ainda que fosse no final dos anos 80/inicio dos anos 90. Mas, quando ela entrava na televisão, mesmo vendo uma criança de 6/7 anos assistindo, os meus pais caíam na gargalhada. E de certa forma, aprendi naquela época que palavrão era feio, mas com a Dercy, não era. Meu fascínio por aquele temperamento excêntrico aumentou quando vi alguns filmes dela, reprisados até hoje pela Tv Cultura de SP.

Agora, como uma espécie de fênix, ressurge sob os holofotes Dercy Gonçalves, através da série “Dercy de Verdade”, de Maria Adelaide Amaral (que também produziu uma biografia sobre a atriz, chamado “Dercy, de Cabo a Rabo”) e dirigido pelo excelente Jorge Fernando. Confesso que me desagradou muito essa minissérie ter apenas 4 capítulos, para retratar quase 101 anos de vida da atriz.

Deve ser por conta disso que “Dercy de verdade” teve um ritmo muito acelerado, com fatos aleatórios e intercalados com as duas atrizes que a interpretam – Heloísa Périssé, que a faz mais nova, e Fafy Siqueira, que a interpreta mais velha – além da própria Dercy em imagens de arquivo. Fuçando no Twitter logo após a exibição do primeiro capítulo, encontrei muitos comentários positivos sobre a série (aliás, finalmente, foi a primeira vez que eu li gente falando algo diferente de “essa velha boca-suja fez hora extra na Terra”), mas, em especial, a observação da trilha sonora ser muito semelhante a utilizada na novela Chocolate com Pimenta (2003), de Walcyr Carrasco. Nisso eu acredito que a produção pecou, pois, a trilha sonora, na minha opinião, é parte da personalidade da série, e ela deveria ter a sua própria.

Heloísa Périssé está excelente no papel da atriz quando mais nova. Ela consegue nos fazer rir com os palavrões e a irreverência da mesma forma que Dercy conseguia. Até os exageros nas expressões faciais ela conseguiu fazer muito bem. Porém, não sei se essa é a intenção da série, mas pelo menos nos dois primeiros capítulos, senti uma Dercy um pouco estrelista, que gostava de fazer tudo ao seu modo e que chegava às vezes até a ser arrogante, mas que no fim dava tudo certo. É evidente também a carga de problemas e de perseguições que ela acumulou ao longo da vida (também, com uma personalidade daquela, eu imaginava que seria assim). Já Fafy Siqueira como Dercy para mim não é novidade, já que ela também apareceu na série Dalva e Herivelto - uma canção de amor (2010). A diferença é que a caracterização nesta microssérie, ao meu ver, está mais fiel à original, e também faz bonito.

Agora, a bandeira inicial da série, de mostrar uma Dercy “de verdade”, talvez pelo poucos capítulos, talvez fosse um equivoco. Vi uma mulher destemperada, que sofreu os preconceitos de sua época, tinha um amor incondicional pelo teatro, uma severidade moral com sua filha, que “namorou 13 anos e casou virgem”, e o que mais? Sim, tenho certeza que tinha muito mais para ser mostrado. Tenho certeza de que Dercy era muito mais do que 4 capítulos.

Fascinante é ver como ela conseguia ser ela mesma em plenos anos 20/30/40, com todo aquele moralismo e convencionalismo que fazia parte daquela sociedade. Talvez seja isso que a tenha levado ao estrelato. As peças em que atuava eram completamente diferentes de tudo aquilo. As pessoas que pagavam para assisti-la, pareciam querer embarcar num mundo mais cru, mais humano, onde falar palavrão, fazer gestos vulgares, fazer deboches mais descarados, não era feio nem falta de classe, mas apenas, um jeito mais humano de ser.

Talvez essa era a mensagem da minissérie: a Dercy de verdade era aquela mesma, sensível, sofrida, escrachada, desbocada, guerreira, severa quando necessário, mas, acima de tudo, um ser humano como a gente, com suas qualidades e defeitos.

Caso você queira saber mais sobre a série, clique aqui.

Danilo Moreira

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FOTO: http://www.portaldasnoticias.com/dercy-de-verdade-saiba-como-sera-a-nova-minisserie-da-globo/
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