domingo, 8 de janeiro de 2012

Miniconto - A professora


Kadu desejava aquela professora da sua sala. Nova, ruiva, corpo esbelto, roupas comportadas mas que provocava os desejos do adolescente de 14 anos.

Desejos nas noites de seu quarto, no banheiro, na surdina. Mãos trabalhavam mais do que o comum.

Decidiu não perder mais tempo. Esperou o momento certo. Pronto, a bela professora estava sozinha. Avançou até a mulher. Ela que estava corrigindo trabalhos em sua mesa, assustou-se com Kadu. Ele não pensou duas vezes. Deu-lhe um beijo de língua.

Apalpou o seu corpo. A professora, assustada com o atrevimento do rapaz, não reagiu. Começou a sentir um calor imenso dentro de si. As convenções sociais e morais sofreram um forte soco dos desejos, e ficaram para o lado de fora da porta Entregou-se a ele, ensandecida, enlouquecida, pronto a atender aquele corpo ainda em crescimento.

- EI, GAROTO! ESTÁ ME OUVINDO OU VOU PRECISAR REPETIR MAIS UMA VEZ?

Ele murchou. Se esqueceu do real motivo que o trouxera ali.

- Tome a sua prova. Você tirou 2. Sinceramente, você precisa estudar mais.

- E-Eh, po-pode deixar. Obrigado, professora.

E saiu daquela sala, constrangido, com o caderno na frente.

Ele até podia a desejar como um verdadeiro homem, mas, na frente dela, ele não passava de um moleque, mais um que ela era paga para aguentar...

Enquanto isso, as mãos que brincam de ser homem, continuaram também engrandecendo o seu ego, que se sentia tão inferior àquela Vênus escolar...

Danilo Moreira

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FOTO: http://www.teclasap.com.br/blog/2005/04/25/falsas-gemeas-teacher-x-professor/

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

2012: Start!


Chegando de viagem, mais uma vez me vejo na obrigação de escrever alguma coisa sobre a virada do ano. Escrever? Obrigação? Não, na verdade, é tudo prazer. Às vezes me questiono se escrever sobre as minhas conquistas e derrotas em um blog acrescenta algo na vida do leitor. Talvez, acrescente. Não somos nada sem olhar para o lado, sem olhar para a história, os ensinamentos, as derrotas e até os defeitos de quem está ao nosso lado.

Em 2011, cheguei ao ápice da desmotivação em um emprego. Era uma planta que já estava secando, que não tinha mais para onde crescer e muito menos me interessavam os frutos que poderiam vir dela. Me peguei no dilema de largar o certo pelo duvidoso, ainda mais em tempos de problemas financeiros. Me senti, de verdade, num estado de deterioração profissional, um estado que não recomendo para ninguém. No fim das contas, a vida acabou me surpreendendo: finalmente recebi o bendito exílio daquela terra infértil, e fui parar num estágio na minha área, numa das maiores casas legislativas do país.  E não é uma planta, e sim uma árvore, que já me rendeu frutos como reportagens assinadas no jornal da casa, e boletins para o rádio da mesma.

Entrei o ano terminando de digitar o meu acervo de contos e crônicas, e saio dele com 85% deles registrados, além de um livro juvenil, escrito em 2005. Agora, é correr atrás de publicações. Na faculdade, penei no sexto semestre: o semestre dos imprevistos.

Tive momentos maravilhosos ao lado dos amigos. Comemoramos de tudo. Era a chegada da sexta-feira, num barzinho perto da faculdade. Era aniversário comemorado em forma de churrasco, ou de luau em Itanhaém, com direito a assistir o sol nascendo e tudo. Festejamos 8 anos de uma turma que fez história em uma escola técnica em Veleiros (zona sul de SP). Até demissão de emprego foi comemorado, numa festa que reuniu trocentos felizardos (é, como eu disse, desmotivação em emprego é terrível!). Feliz é o ser humano que tem bons amigos, que pode dizer que tem pessoas com que pode contar. E amigo não existe apenas para amparar nos momentos difíceis, mas também te diverte, fala besteira, faz você rir a ponto de pagar mico, tem ótimas idéias, solta as melhores pérolas, que faz questão da sua companhia e vice-versa. Só com o amigos você consegue xingar com um sorriso no rosto, dar tapas nas suas costas, tirar fotos e fazer vídeos comprometedores, e ele levar tudo isso na esportiva (até porque, certamente, ele desconta depois rs). Obrigado a todos vocês, amigos, pois graças também a vocês, a cada dia que passa, eu me torno uma pessoa muito melhor.

E por fim, finalizei o ano de 2011 fora de casa, na casa de um grande brother em Belo Horizonte (sim, peguei chuva! rs) e ainda tive a oportunidade de conhecer um grande parceiro da blogosfera, Wander Veroni, do excelente blog Café com Notícias, num papo enriquecedor, regado a uma boa pizza num dos bairros mais boêmios da cidade.

Saio de 2011 um homem que continua na sua metamorfose. Até o visual mudou um pouco, mais alinhado com o que o seu coração pede e menos com o que o seu histórico medo do ridículo impõe. Saio daquele ano com a certeza de que cumpri boa parte das metas, assim como também tenho certeza de que fracassei em algumas delas. Saio dali com algumas dívidas internas, e que sei que algumas delas nunca mais vou conseguir pagar... Outras, aos poucos, vou quitando à medida que as redomas vão caindo uma a uma...

Saio, enfim, por estas linhas, de 2011, para finalmente entrar de cabeça em 2012. Agradeça a Deus, leitor, por começar esse ano, por ter a chance de se renovar, e de se estabelecer novas metas. E que seja um ano abençoado e enriquecedor para todos nós, e em todos os sentidos!

Agora sim, 2012 começa neste blog!

Até mais!

Danilo Moreira

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FOTO: http://beatrizsdd.blogspot.com/2011/09/new-start.html  

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Do lado de fora



Olá leitor!

Peço desculpas pela ausência. Para tentar me redimir, quis fazer algo diferente neste Natal (ou pós-Natal rsrs). 

Espero que goste. E um Feliz Natal atrasado pra você e pra toda a sua família!
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- E aí, jovem! O que está fazendo aqui, nesse banco da praça, à essa hora da noite?

- Nada.

- É Natal. Você não deveria estar na sua casa com a sua família?

- Deveria. Mas não quero. To bem aqui.

- Brigou com alguém?

- Não.

- Então?

- To cansado daquela hipocrisia toda. Todo ano chega a Tia Lúcia, com aquele sorriso no rosto, aqueles primos todos. Chega também a Tia Maria, com aquele marido dela com cara de pinguço e poucos amigos. Chega a prima Raquel, com aquela cara de paisagem. Todo mundo se junta ali, mas nas costas, é um falando mal do outro. Tenho certeza que mais uma vez vai ter algum barraco, como sempre aconteceu nos outros natais, porque sempre alguém não se bica com alguém. É uma coisa ridícula essa reunião de natal. Todo mundo se odeia ali. O povo de mata de comprar presentes pra depois ficar falando mal do que recebeu.

- Entendi. Engraçado, você, que parece ser tão jovem, e já pensando assim.

- Ah, no fundo todo mundo pensa, só que a maioria não quer dizer pra não ficar chato.

- Entendi. E o que vai fazer aqui fora?

- Sei lá. Vou ficar aqui. Queria beber alguma coisa agora, mas sei lá, to meio deprimido, acho que vou acabar fazendo merda se beber... E você, tá fazendo o que, aqui?

- Digamos que eu já fiz merda...

- Fez? Pode contar?

- ... Sei lá... Pior que eu preciso contar isso pra alguém senão eu vou ficar louco...

- Bom, se quiser falar...

- Bem... Vamos lá... Eu tava jogando sinuca com alguns amigos num boteco aqui perto. Só que aí eu cheguei em casa, tava lá a minha mulher, toda descabelada, no meio das panelas, fazendo a ceia, e os meus dois filhos brincando... Me deu um aperto, sabe? Nunca senti isso antes, mas hoje, sei lá... Acho que deveria estar mais com eles...

- Verdade. Mas então porque não está lá agora?

- A família dela está lá. E não gosto deles. Já me desentendi com um cunhado. Ele trai a mulher dele e quer se fazer de moralista pra cima de mim. A gente brigou e tudo. Pra evitar mais confusão eu preferi sair.

- Vixe... que chato. Mas sei lá, é a sua família, você tinha que estar lá com eles também. Porque não vai lá e conversa com a tua mulher? Diz que a ama, sei lá. Não vale a pena continuar aqui, nessa agonia.

- É, tem razão... E você, porque não vai pra sua casa? Se o seu problema é só com os parentes, é só ficar no seu canto, numa boa. Faz parte da vida ter parentes assim.

- É... tem razão.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, olhando para o chão.

- Engraçado, né? A gente reclama das nossas famílias e tal... Mas sei lá, às vezes eu paro pra pensar, o que seria de mim sem eles? Sem a minha mulher, sem os meus filhos... Tipo, eles fazem parte de mim, são a minha razão de dever, mesmo que me irritem às vezes, mas os amo...

- É, eu também sou assim. Já quis muitas vezes sumir daquela casa, mas sei lá, eu também não sei se conseguiria viver muito tempo sem os meus pais e os meus irmãos por perto... É uma base, se faltar, não sei se agüentaria...

O outro rapaz ia falar, mas, sua voz foi interrompida por um som de sino.

- É meia noite. Feliz Natal, garoto.

- Feliz Natal pra você também!

Os dois se abraçaram, apertadamente.

- Bom, melhor eu ir. Minha mulher já deve estar me procurando.

- É. Já eu, tenho certeza que meus pais não estão nem se lembrando de mim agora com aquela gente toda lá, mas mesmo assim, eu sei que eles estão precisando de uma força. Quero estar lá pra ajudar pelo menos pra evitar confusão.

Ambos abriram um sorriso, o rapaz, e o adolescente. Se despediram com um olhar de gratidão. Talvez o Natal devia ser aquilo: perceber o real valor das pessoas que amavam.

E cada um foi para seu canto, mesmo com idades e experiências diferentes, mas com o mesmo sorriso no rosto. Aquele Natal, finalmente, faria algum sentido para eles naquela noite.

Danilo Moreira

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FOTO: http://imaginemeandyouforever.blogspot.com/2011/01/as-sombras-de-uma-conversa.html

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Miniconto - Educação Física


Era aula de Educação Física. O garoto era ruim de futebol. Outra vez a tortura. Todos escolheram a todos, menos ele. Foi colocado em um grupo aleatório. Todos torceram o nariz. Ninguém lhe passou a bola. Fim do jogo, ele desistiu. Sentou em um canto. Ficou por lá algum tempo.

O garoto abraçou os joelhos, e fechou os olhos. Queria se desintegrar dali, desaparecer. Aquele não era o seu mundo. Não era a sua cara. Ele não precisava passar por aquele exercício semanal de exclusão. Nessa hora, ele odiava, do fundo da sua alma, todos os outros.

Tomou um susto. Sentiu um vento do seu lado. O menino, que sentou ao seu lado, também estava cabisbaixo. Ficou surpreso.

- O que foi?

- Nada. É que não consegui fazer nenhum gol. Chutei seis vezes e acertei todas na trave. Fico puto quando acontece isso.

Não falou mais nada. O garoto chegou mais próximo dele. Ambos ficaram calados. Ficaram ao lado do outro, olhando para o nada.

E o garoto sentiu a mão do menino nas suas costas.

- Quer saber? Vamos jogar volei? Vou pegar uma bola pra gente.

Ele sorriu. O ódio que sentia por todos, evaporou.

Nada como uma boa companhia.

Danilo Moreira

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FOTO: http://noticias.r7.com/saude/noticias/crianca-dislexica-tem-mais-chance-de-ter-depressao-20110810.html

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vinte e seis


Neste ano tinha prometido fazer diferente. Ia escrever um dia antes do meu aniversário, que foi no dia 05. Mas, a dispersão, a falta de inspiração e o sono peculiar de quem estudam e fazem estágio novamente adiaram os meus planos.

Sigo em frente com um pequeno retrovisor nos olhos da alma. Presente, passado e futuro brigam o tempo todo num só palco. O Passado age como um dedo indicador o tempo todo me apontando pelos meus erros, e talvez, por não ter errado mais. A outra mão, mais baixa, me parabeniza pelas vitórias que consegui. O Presente me contempla, afinal, finalmente larguei o telemarketing, estou estagiando na minha área de Jornalismo e ainda na maior Casa Legislativa do país. Já registrei boa parte dos meus contos e crônicas, e já estou no start para divulgá-los. Sou mais eu, faço os meus passos, pago minhas contas, tenho mais liberdade. O Futuro me cobra. Pesa. Exige. Parece que nunca estou à altura dele. Acho que nunca vou estar. Sempre vou sentir que falta de alguma coisa, ou, que permanecerei a uma velocidade sempre menor que a dos outros.

Queria apenas agradecer a todos pelo carinho, pelos presentes, pela surpresa do pessoal do estágio, pelo excelente churrasco montado pela galera da faculdade com direito a bolo e tudo. Como é bom estar ao lado de quem a gente ama, fazer bagunça com os amigos, dividir momentos especiais com quem realmente vale a pena. Feliz é o ser humano que pode ter esses momentos especiais.

Até à próxima!

Danilo Moreira

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FOTO: http://livrovaleuapena.blogspot.com/2011/07/olhando-pelo-retrovisor.html
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