segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Do lado de fora



Olá leitor!

Peço desculpas pela ausência. Para tentar me redimir, quis fazer algo diferente neste Natal (ou pós-Natal rsrs). 

Espero que goste. E um Feliz Natal atrasado pra você e pra toda a sua família!
=================================================

- E aí, jovem! O que está fazendo aqui, nesse banco da praça, à essa hora da noite?

- Nada.

- É Natal. Você não deveria estar na sua casa com a sua família?

- Deveria. Mas não quero. To bem aqui.

- Brigou com alguém?

- Não.

- Então?

- To cansado daquela hipocrisia toda. Todo ano chega a Tia Lúcia, com aquele sorriso no rosto, aqueles primos todos. Chega também a Tia Maria, com aquele marido dela com cara de pinguço e poucos amigos. Chega a prima Raquel, com aquela cara de paisagem. Todo mundo se junta ali, mas nas costas, é um falando mal do outro. Tenho certeza que mais uma vez vai ter algum barraco, como sempre aconteceu nos outros natais, porque sempre alguém não se bica com alguém. É uma coisa ridícula essa reunião de natal. Todo mundo se odeia ali. O povo de mata de comprar presentes pra depois ficar falando mal do que recebeu.

- Entendi. Engraçado, você, que parece ser tão jovem, e já pensando assim.

- Ah, no fundo todo mundo pensa, só que a maioria não quer dizer pra não ficar chato.

- Entendi. E o que vai fazer aqui fora?

- Sei lá. Vou ficar aqui. Queria beber alguma coisa agora, mas sei lá, to meio deprimido, acho que vou acabar fazendo merda se beber... E você, tá fazendo o que, aqui?

- Digamos que eu já fiz merda...

- Fez? Pode contar?

- ... Sei lá... Pior que eu preciso contar isso pra alguém senão eu vou ficar louco...

- Bom, se quiser falar...

- Bem... Vamos lá... Eu tava jogando sinuca com alguns amigos num boteco aqui perto. Só que aí eu cheguei em casa, tava lá a minha mulher, toda descabelada, no meio das panelas, fazendo a ceia, e os meus dois filhos brincando... Me deu um aperto, sabe? Nunca senti isso antes, mas hoje, sei lá... Acho que deveria estar mais com eles...

- Verdade. Mas então porque não está lá agora?

- A família dela está lá. E não gosto deles. Já me desentendi com um cunhado. Ele trai a mulher dele e quer se fazer de moralista pra cima de mim. A gente brigou e tudo. Pra evitar mais confusão eu preferi sair.

- Vixe... que chato. Mas sei lá, é a sua família, você tinha que estar lá com eles também. Porque não vai lá e conversa com a tua mulher? Diz que a ama, sei lá. Não vale a pena continuar aqui, nessa agonia.

- É, tem razão... E você, porque não vai pra sua casa? Se o seu problema é só com os parentes, é só ficar no seu canto, numa boa. Faz parte da vida ter parentes assim.

- É... tem razão.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, olhando para o chão.

- Engraçado, né? A gente reclama das nossas famílias e tal... Mas sei lá, às vezes eu paro pra pensar, o que seria de mim sem eles? Sem a minha mulher, sem os meus filhos... Tipo, eles fazem parte de mim, são a minha razão de dever, mesmo que me irritem às vezes, mas os amo...

- É, eu também sou assim. Já quis muitas vezes sumir daquela casa, mas sei lá, eu também não sei se conseguiria viver muito tempo sem os meus pais e os meus irmãos por perto... É uma base, se faltar, não sei se agüentaria...

O outro rapaz ia falar, mas, sua voz foi interrompida por um som de sino.

- É meia noite. Feliz Natal, garoto.

- Feliz Natal pra você também!

Os dois se abraçaram, apertadamente.

- Bom, melhor eu ir. Minha mulher já deve estar me procurando.

- É. Já eu, tenho certeza que meus pais não estão nem se lembrando de mim agora com aquela gente toda lá, mas mesmo assim, eu sei que eles estão precisando de uma força. Quero estar lá pra ajudar pelo menos pra evitar confusão.

Ambos abriram um sorriso, o rapaz, e o adolescente. Se despediram com um olhar de gratidão. Talvez o Natal devia ser aquilo: perceber o real valor das pessoas que amavam.

E cada um foi para seu canto, mesmo com idades e experiências diferentes, mas com o mesmo sorriso no rosto. Aquele Natal, finalmente, faria algum sentido para eles naquela noite.

Danilo Moreira

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três!

FOTO: http://imaginemeandyouforever.blogspot.com/2011/01/as-sombras-de-uma-conversa.html

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Miniconto - Educação Física


Era aula de Educação Física. O garoto era ruim de futebol. Outra vez a tortura. Todos escolheram a todos, menos ele. Foi colocado em um grupo aleatório. Todos torceram o nariz. Ninguém lhe passou a bola. Fim do jogo, ele desistiu. Sentou em um canto. Ficou por lá algum tempo.

O garoto abraçou os joelhos, e fechou os olhos. Queria se desintegrar dali, desaparecer. Aquele não era o seu mundo. Não era a sua cara. Ele não precisava passar por aquele exercício semanal de exclusão. Nessa hora, ele odiava, do fundo da sua alma, todos os outros.

Tomou um susto. Sentiu um vento do seu lado. O menino, que sentou ao seu lado, também estava cabisbaixo. Ficou surpreso.

- O que foi?

- Nada. É que não consegui fazer nenhum gol. Chutei seis vezes e acertei todas na trave. Fico puto quando acontece isso.

Não falou mais nada. O garoto chegou mais próximo dele. Ambos ficaram calados. Ficaram ao lado do outro, olhando para o nada.

E o garoto sentiu a mão do menino nas suas costas.

- Quer saber? Vamos jogar volei? Vou pegar uma bola pra gente.

Ele sorriu. O ódio que sentia por todos, evaporou.

Nada como uma boa companhia.

Danilo Moreira

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três.

FOTO: http://noticias.r7.com/saude/noticias/crianca-dislexica-tem-mais-chance-de-ter-depressao-20110810.html

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vinte e seis


Neste ano tinha prometido fazer diferente. Ia escrever um dia antes do meu aniversário, que foi no dia 05. Mas, a dispersão, a falta de inspiração e o sono peculiar de quem estudam e fazem estágio novamente adiaram os meus planos.

Sigo em frente com um pequeno retrovisor nos olhos da alma. Presente, passado e futuro brigam o tempo todo num só palco. O Passado age como um dedo indicador o tempo todo me apontando pelos meus erros, e talvez, por não ter errado mais. A outra mão, mais baixa, me parabeniza pelas vitórias que consegui. O Presente me contempla, afinal, finalmente larguei o telemarketing, estou estagiando na minha área de Jornalismo e ainda na maior Casa Legislativa do país. Já registrei boa parte dos meus contos e crônicas, e já estou no start para divulgá-los. Sou mais eu, faço os meus passos, pago minhas contas, tenho mais liberdade. O Futuro me cobra. Pesa. Exige. Parece que nunca estou à altura dele. Acho que nunca vou estar. Sempre vou sentir que falta de alguma coisa, ou, que permanecerei a uma velocidade sempre menor que a dos outros.

Queria apenas agradecer a todos pelo carinho, pelos presentes, pela surpresa do pessoal do estágio, pelo excelente churrasco montado pela galera da faculdade com direito a bolo e tudo. Como é bom estar ao lado de quem a gente ama, fazer bagunça com os amigos, dividir momentos especiais com quem realmente vale a pena. Feliz é o ser humano que pode ter esses momentos especiais.

Até à próxima!

Danilo Moreira

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três!

FOTO: http://livrovaleuapena.blogspot.com/2011/07/olhando-pelo-retrovisor.html

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Miniconto - Ela


Ela veio de vez. Entrou na minha vida com a velocidade de um furacão. Seus olhos me enlaçaram. Fui jogado entre pernas, beijos, suor, prazer e orgasmos. Ela dominou a mente. Pernas e mãos se deslocaram para um só ponto. Me levou para os seus caminhos. Dominou a minha alma. Me levou à loucura.

O relógio tocou. Os meus olhos foram abertos pela realidade. O destino me colocou na frente dela. O silêncio dos adolescentes tímidos fechou a minha boca. A alma gritou de lá de dentro. Comecei a suar frio. Os olhos dela pareciam normais. E de repente, senti que o pó debaixo do meu tênis possuía mais visibilidade que o meu coração.

E ela ficou com o cara do Vectra.

Danilo Moreira

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três.

FOTO: http://www.recantodasletras.com.br/homenagens/1471073

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Delírio - Descontrole


Caminhando alucinado [acorda!] pelo asfalto rachado da minha consciência eu peço pelo amor de [vai trabalhar!] Deus me perdoe pelos meus atos [pague essas contas!] mas preciso parar de pensar tantas coisas ao mesmo tempo por que preciso respirar preciso tomar [atende o telefone!] ar preciso tomar fôlego preciso plantar novas sementes respirar novos ares [presta atenção no que eu estou te falando!] poder ficar descalço sem ter medo de sujar os pés poder gritar a vontade [cala a boca!] sem ter medo de represálias andar de peito nu para o vento que sopra no [oLHA OS COMPROMISSOS!] tempo sem precisar me preocupar eu sou besta [NÃO PODE!] eu me sinto besta eu preciso abrir a cabeça preciso parar de respirar esse  [não vai dar tempo, fica para amanhã!] bafo envelhecido de saudades e cotidianidades preciso botar para fora o coração que bate cheio de desejos preciso correr para [hora de dormir!] o alto da escada preciso esticar as pernas preciso esticar os braços [hora de dormir. Acordar cedo amanhã!] preciso esticar a língua preciso esticar o...
|
|
|
|
|
|
zZzZzZzZzZzZzZzZzZzZzZzZzZzZzZzZzZzZz
A martelada do sono dos cansados é o remédio que alivia os sintomas por algumas horas.
Mas, amanhã, começa tudo de novo...
Tenha um bom dia!

Danilo Moreira
fevereiro de 2011

Gostou do blog? Então, não o perca de vista. Assine o feed, adicione nos seus favoritos, ou seja um seguidor. Obrigado pela visita ao Ponto Três!

FOTO:
http://afadadaspalavras.blogspot.com/2010/11/desesperoou-desespero.html
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...