domingo, 5 de junho de 2011

Reportagem - A Trilha das Artes

Que tal acompanhá-los?

Olá leitor!

Primeiramente, peço desculpas pela demora em postar. Com o tempo escasso, o blog realmente ficou um pouco “de lado”.

Pois bem, agora, para tirar o mofo, trago hoje outra matéria interessante que também produzi para um trabalho da disciplina de Jornalismo Cultural, que foi entregue há poucos dias. A idéia era cobrir uma das atrações na Virada Cultural paulistana, realizada entre os dias 16 e 17 de abril deste ano, em vários pontos da cidade. Espero que goste, pois, é uma “viagem” interessante...

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Pessoas ao fundo observam o grupo, curiosas

Eis mais uma Virada Cultural paulistana. O evento, já presente na rotina dos paulistanos há sete anos, tem recebido cada vez mais destaque na mídia. Mostram-se as principalmente as atrações no Centro, cada vez mais lotadas. Mas agora, vamos para 24 km ao sul da cidade. Lá, um grupo de pessoas de várias idades caminha conduzida por dois homens de preto. Um toca uma sanfona. O outro guia os olhos de todos para uma experiência sensorial intensa.

Num mundo onde as pessoas cada vez têm menos tempo até mesmo para respirar, parar por alguns minutos em frente a uma obra de arte e fazer um exercício de interpretação estética é uma atividade rara, e mesmo quando é feita, pode trazer alguns equívocos. É justamente para aprimorar essa experiência que o Sesc Interlagos, localizado no extremo sul de São Paulo, apresentou nesta 7ª edição da Virada Cultural 2011, a Trilha das Artes. Trata-se de um passeio monitorado por várias obras espalhadas pela unidade.


Ao som da sanfona

Márcio e Sâmu, ao lado do quadro "Nu"

Era sábado, 16 de abril, 20 horas. No prédio da sede social, entre várias atrações simultâneas que aconteciam no local, dois homens surgem. Sâmu segura uma sanfona e Márcio exibe um sorriso no rosto, convidando aquele povo que os observava curiosos para acompanhá-los. Começava a Trilha das Artes.

“Hoje a gente vai fazer um percurso para abrir a nossa percepção”, anunciava Márcio. Segundo ele, o SESC possui uma coleção de 1200 preciosidades do chamado Acervo SESC de Arte Brasileira, iniciada há cerca de 60 anos atrás. Por ser grande a quantidade de obras no Interlagos (cerca de 300), veríamos apenas cinco delas.


"Pátio das Américas"

“Nu”, de Carlos Leão (1969), foi a primeira obra visitada. O quadro retrata uma mulher na sua intimidade, seminua, e mostra como durante muito tempo, desde a Grécia Antiga, o corpo feminino é um dos temas preferidos dos autores. Através de cada palavra pronunciada, os rapazes conduziam às pessoas ao processo de contemplação de cada detalhe, dando um tempo para que a imagem pudesse se comunicar com os olhos de todos. Minutos depois, várias pessoas já falavam o que haviam entendido dela. O momento é temperado com um poema de Vinícius de Moraes, chamado “Soneto da Mulher ao Sol”. Tudo para mostrar aos participantes como as diversas formas de arte podem dialogar entre si.

Dali, a Trilha seguiu para fora do prédio. Márcio distribuiu algumas lanternas para as crianças, adiantando que em certo momento do caminho, elas seriam essenciais. Na grama, passamos pelo “Pátio das Américas” (2005), obra em espiral feita em granito por Denise Millan e Ary Perez, e outra produção dos mesmos autores, cujo nome não foi dito, mas que parece um grande tronco amarrado a cordas de bronze. Em ambas, a interpretação dependia do tato.

Contemplando a obra

Descemos algumas escadas. A sanfona de Sâmu abria caminho. Quem via o nosso grupo (que muitas vezes parecia realmente estar em transe) se calava, e passava a nos observar. De certa forma, também nos tornamos uma obra de arte daquela Virada. Nos foi mostrado outra escultura, que era uma pedra esculpida e de onde corria água. Aqui o desafio da interpretação da arte foi bem maior, por ser um local de muito barulho. Márcio algumas vezes teve que gritar para o ouvissem. Não conseguimos nem mesmo identificar o autor da obra.

A partir daqui, a Trilha das Artes tomou uma direção mais profunda. Para ver a última obra, o grupo teve que andar bastante por uma longa rua de paralelepípedos e só parar quando os instrutores pedissem. Aos poucos, o prédio da sede social e as outras atrações da Virada ficaram para trás. O silêncio da noite e os grilos passam a tomar conta do cenário, ainda sob o som da sanfona de Sâmu.

Caminhando em meio ao breu da noite, sob a luz de lanternas

Chegamos enfim a um local escuro, ao lado da quadra de basquete do Sesc. O som agora era de uma flauta. Descemos sob a luz das lanternas que as crianças carregavam. Era também uma instalação. Troncos secos de árvores brotavam de pedras, e formavam um formato circular. Fomos convidados a entrar nela. Mais uma vez, várias interpretações. Nem as teias de aranha atrapalharam a essência do momento. Márcio explicou que ela fora colocada estrategicamente ali, pois, do lado, era a reserva da Mata Atlântica. E ela tinha sido construída por Siron Franco e as crianças do Projeto Curumim. Trava-se de um alerta para a preservação do meio ambiente, além de mostrar que qualquer pessoa poderia produzir arte.

Siron Franco: Arte e consciência ambiental

E por fim, após uma hora e dez minutos de total imersão no mundo das artes, os dois guias se despediram de todos, nos acompanhando de volta à sede social. Cada um que saiu dali teve a certeza de estar mais leve. E eram pessoas simples, boa parte moradoras da região, gente comum do nosso dia a dia. Mas, naquela noite, elas foram capazes de fazer o tempo parar, e passaram a servir exclusivamente à experiência estética proporcionada pelo passeio. Parecíamos ter acordado de um sonho gostoso. Com certeza, pelos sorrisos nos rostos de cada um, aquela trilha realmente seria inesquecível.

Elizabeth Brait é responsável pela programação de teatro, literatura, artes plásticas e visuais da unidade. Segundo ela, a ideia da Trilha surgiu em 2007 pelas mãos de Andrea Fonseca, que é instrutora do Projeto Curumim (programa que atende crianças de 7 à 12 anos com atividades educativas) e especialista em museologia. “Ela considerou importante fazer uma ação de mediação sobre as obras de arte expostas junto ao público frequentador do Sesc Interlagos”, explicou Beth, como é conhecida. Depois de vários ajustes, foi na Virada 2011 que o projeto finalmente foi posto em prática.

Sesc Interlagos na Virada 2011

Entrada do SESC Interlagos

Para quem não conhece, o Sesc Interlagos é um clube campestre de 500.000 m2, ao lado da represa Billings. Inaugurado em 1975, possui uma das maiores áreas verdes de todas as unidades da capital, tendo inclusive uma reserva da Mata Altântica.

“Esse SESC participou pela primeira vez no ano passado. Mas em termos de programação foi bem menos intenso do que agora. Essa unidade é uma das poucas que funciona até a seis da tarde. Foi muito gratificante programarmos tantas coisas para a noite e as pessoas vierem. A idéia da Virada no SESC é de acolhimento às pessoas, das famílias, um lugar de convívio, o que me parece um pouco mais difícil no centro da cidade, até porque por ser um espaço público, o perfil já é outro. E no Cento é muito mais difícil saber qual será a reação das pessoas”, contou Vanderlei Mastropaulo, responsável pela programação de cinema e vídeo, multimídia e circo. Segundo ele, só no dia da Trilha, o SESC recebeu cerca de 5400 pessoas, número que superou as expectativas.

Mas para quem perdeu a Trilha das Artes, fique atento! A unidade estuda promover novas edições da Trilha, até mesmo em épocas fora da Virada. Para mais informações, acesse http://www.sescsp.org.br. O endereço é a Avenida Manuel Alves Soares, 1100, Parque Colonial, perto da estação Primavera-Interlagos da CPTM.

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Este trabalho da Virada Cultural rendeu um fruto importante. Todas as reportagens produzidas pela minha sala estão reunidas neste novo blog. Vale a pena conferir.

Até mais!

Danilo Moreira

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FOTOS: Danilo Moreira

domingo, 24 de abril de 2011

Reportagem - Esses anos 80...

1- Conhece este cidadão?

Olá leitores do Ponto Três!

Hoje irei postar um texto especial. Essa é a minha primeira reportagem, produzida no começo deste mês para um trabalho da faculdade. Poderia ter postado há mais tempo, porém, não tive como. Ela fala de uma exposição que aconteceu entre os dias 18 de março e 10 deste mês num shopping da zona sul de São Paulo. Apesar dessa expo já ter acabado, recomendo a todos que leiam essa matéria, pois, garanto que há muitas curiosidades.

Espero que gostem!

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Um espaço espremido entre dois restaurantes. Um cartaz chama a atenção. Ali é um local especial. É a porta de entrada para um mundo diferente. Tudo que está ali, de certa forma, já fez parte de várias vidas, mesmo que de uma maneira mais distante. Mas quem disse que tudo aquilo que nos faz bem, necessariamente, precisa ficar apenas preso em outros tempos?

2 - A entrada 

Trazer esses bens à tona é a ideia da exposição De volta aos anos 80 no Shopping SP Market, na zona sul de São Paulo. Passar pelos mais de 60 itens deixa qualquer pessoa, seja da geração dos anos 80 ou não, maravilhada e curiosa diante de tantas lembranças e objetos.

A estrutura

3 - A exposição: espaço para circular à vontade

A exposição fica no centro da Praça de Eventos do shopping. Ao fundo, um telão com os principais clipes da época. As bicicletas Monark e Caloi estão em cantos separados com especial destaque, junto com uma bicicleta especial com o ET, personagem do famoso filme de 1982, de Steven Spielberg. Estão à mostra também antigos videogames, como o famoso Atari, junto com cartuchos de sucesso como River Raid, Pac Man, Froggy, entre outros. Os brinquedos, na sua maioria, estão dentro de caixas de vidro. São bonecos, desde Topo Gigio a Mônica e Cebolinha, estes com os antigos traços que faziam parte dos gibis da época. Artigos eletrônicos como fitas cassete e gravadores também causam admiração em quem os observa. “Eu tinha um desse!”, comenta Luana Brito, enfermeira, 23 anos, visitante da exposição, impressionada com o walkman amarelo com toca fitas. Dentre os chamados “bolachões” (discos de vinil), bandas importantes da época como Pet Shop Boys, Culture Club, New Order, Menudo, e bandas nacionais ainda no início de carreira, como RPM, Capital Inicial e Titãs. Há também uma guitarra autografada por Edgard Scandurra (ex-Ira!). Essas e outras atrações estão dispostas em corredores amplos para que as pessoas possam se deslocar e viajar sem precisar esbarrar em ninguém.

Luana comentou sobre o padrão de conservação dos itens. “O que mais chamou atenção foi a conservação de tudo, pois são coisas que já saíram de moda, e por isso, dificilmente as pessoas cuidam depois.”

Preservação da memória: a Lupa Expo

4 - Lu Zimmermann e Patricia de Alencar.

Foi graças ao trabalho da Lupa Expo, administrada por Lu Tanese Zimmermann e Patrícia de Alencar, que foi possível montar a exposição no shopping. A empresa é especializada em pesquisa e restauração de objetos antigos, que depois são disponibilizados para locação e exposição.

“Os objetos são fornecidos por pessoas que conhecem o trabalho do grupo e que nos contatam para mandar essas antiguidades. Eles recebem restauração e passam a fazer parte das exposições.”, contou Patrícia, que é também web designer e coodenadora de eventos da empresa.

A Lupa possui diversas atrações espalhadas em vários locais principalmente em São Paulo e também faz locações de objetos para cinema, televisão, teatro, agências e produtoras. Tudo ao redor da seguinte filosofia: “transmitir por meio dessas antiguidades valores que parecem estar se perdendo com a velocidade da substituição das tecnologias. Um brinquedo, por exemplo, passava por gerações, possuía uma estrutura que já era fabricada justamente para isso. Dos anos 90 para cá, tudo já é mais descartável.”, explica Patrícia.

O fascínio pelos anos 80

5 - Genius, famoso eletrônico dos anos 80

O visitante que passa por ali já tem um sentimento de reencontro com o próprio passado. Os olhos brilham. O sorriso vem de modo automático, acompanhado da sensação de espanto, já que ele tem a oportunidade de poder rever brinquedos, LP’s e outros objetos antes tão comuns, mas que se perderam com o tempo.

Segundo Patrícia, os anos 80 marcaram por ser uma década de muitas novidades tecnológicas e culturais. Houve também inovações na moda, principalmente com muita cor. Foi uma época em que o sentimento e a consciência política experimentaram uma nova fase de aquecimento, com o fim da ditadura militar e a restauração do regime democrático. Os brinquedos produzidos nessa época e até em épocas anteriores eram passados entre gerações.

6 - Fofoletes

É certo que falar dos anos 1980 para quem tem na faixa dos 25-40 anos e invocar uma série de lembranças, eternizadas por vários personagens, brinquedos, programas e discos. A exposição é inteligente ao abranger vários estilos e várias idades, já que, enquanto crianças brincavam de Atari, jogavam bola com Kichute, ouviam discos da Xuxa e assistiam novelas infantis como a mexicana Chispita, os jovens soltavam um urro abafado pelos anos da ditadura militar, através de bandas como Ira!, Legião Urbana, entre outras. Lá fora, Queen, A-há, Michael Jackson e outras bandas faziam história. O Rock in Rio 85 foi um marco na história brasileira. Patrícia afirma que não havia nada parecido no país. “Show de banda internacional no Brasil era quase que impensável. Aí veio o Rock In Rio e mudou isso. Poder ver pessoalmente aquelas bandas que sempre curtimos pela televisão foi uma sensação única”.

Muito se fala sobre a volta dos anos 80 como uma forma de contestar a revolução tecnológica cada vez mais acentuada nos nossos dias e que faz até mesmo jovens que não presenciaram o fervor cultural dos anos 80 se fascinarem ao ver a exposição. Luana, que era pequena na época, não pensa duas vezes quando se refere à década: “Eles [os anos 80] sempre estiveram presentes. Sempre algo daquela época é utilizado na moda, no cabelo, em acessórios como colares, saia de cintura fina, tudo isso está voltando. Hoje tudo é cópia.”

7 - Alguns LPs de bandas da época, como A-ha e New Order.

Enquanto isso, crianças observavam curiosas aqueles brinquedos com design tão consistente e que carregam muita história. Patrícia acredita que muito do que vemos hoje em termos de design de produtos tem origem nos anos 80. “Tem um menino que foi a exposição e observou um antigo minigame. Logo se identificou com o design, dizendo que parecia com um celular. Essa nova geração se identifica muito com o formato desses brinquedos.”

De volta aos anos 80 é um excelente entretenimento para toda a família, pois é uma forma dos pais passarem aos filhos um legado cultural marcante de toda uma geração, e que até hoje ainda é referência nos diversos campos artísticos e influencia aqueles que cresceram em anos posteriores.

8 - Luana Brito: paixão declarada pelos anos 80.

* A exposição infelizmente já terminou, mas, recomendo visitar o site da Lupa Expo e conhecer mais sobre esse trabalho bacana de preservação e locação de antiguidades. O endereço é o http://www.lupaexpo.com.br/ .

Uma boa Páscoa a todos!

Danilo Moreira

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FOTOS: 1, 5 e 6 - Lupa Expo (divulgação)
               2, 3, 7 e 8 - Danilo Moreira
               4 - foto extraída do site da Lupa Expo

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Uma Virada diferente

Pessoas curtem a Banda Paralela

Para quem mora ou está em São Paulo, a Virada Cultural paulistana já virou praticamente uma tradição. Para quem não sabe, é um grande evento que reúne diversas manifestações culturais por toda a cidade, especialmente no Centro, que atravessam 24h de um fim de semana a cada ano.

Mas, quando um individuo ouve falar em Virada, já imagina aqueles palcos enormes em vários pontos do Centro, tendo como principal atração os shows, muita muvuca, e outras coisas que não são o foco deste post. Mas, quando vejo notícias sobre este evento, sinto os holofotes da mídia direcionados até demais nessa região. É como se esquecessem por um momento que ela acontece em outros pontos da cidade. Fui na Virada em 2009 e 2010, ambas no Centro, em shows memoráveis. A de 2010, especialmente, foi a que vivi as situações mais inusitadas, além de ter pegado os horários e palcos de maior público.

Já neste ano, foi completamente diferente. Na edição 2011 eu tinha uma missão: fazer uma reportagem para um trabalho da faculdade. Confesso que pela primeira vez não senti entusiasmo ao ver as atrações em geral. As do Sesc então, nunca tinha parado antes para vê-las em detalhes. E tinha muitas coisas interessantes, e curiosas.

Obviamente, por ser mais perto de casa, escolhi o Interlagos. Nem me sentia tão animado para ir, mas, tinha que fazer esse trabalho. E pela primeira vez, ia sozinho. Cheguei lá por volta das 19h, e me surpreendi com o movimento e com as atrações. Enquanto de um lado, acontecia o show “Mágico por Acaso”, onde bonecos manipulados curiosamente faziam as mágicas, do outro, a dupla "Olam Ein Sof " tocava músicas da cultura celta em meio a um cenário de velas. Mais acima, o Sarau Cantos & Encontros tocava cantigas e contava histórias para uma roda de pessoas. Mais tarde, outra roda de curiosos curtia a “Banda Paralela” com suas roupas de soldadinho de chumbo. Chegaram a tocar “Dancing Days” de As Frenéticas, fazendo o público cantar alto e pirar nas palmas. Depois, “Solas de Vento”, um espetáculo na fachada do prédio da sede, onde bailarinos faziam performances acrobáticas com vários tipos de músicas ao fundo. Falando em música, perto da piscina, havia um palco montado para os shows que aconteceram por lá, com destaque para Zeca Baleiro, na qual infelizmente não pude acompanhar. E por fim, o recorte que havia escolhido para fazer a reportagem: a “Trilha das Artes”. Resumidamente, imagine um grupo de pessoas passeando pelas obras do Sesc, ao som de uma sanfona e de um rapaz que conseguiu despertar em todos os presentes – homens, mulheres, crianças e jovens – um olhar estético e que proporcionou ótimos momentos de “brisa”. Futuramente postarei esse trabalho, com detalhes sobre essa experiência incrível e única.

Mas, o que ficou dessa visita ao Sesc Interlagos foi uma sensação maravilhosa. Tive a impressão de estar naquelas festinhas de interior, onde as famílias passeiam em meio a várias atrações simultâneas, que têm como veia principal artistas muito criativos e que sabem que aquela noite é deles. E o público precisa fazer parte de toda aquela festa, sem exageros, apenas com a disposição de embarcar em tantas viagens. Sai de lá com a sensação de dever cumprido, um sorriso no rosto, fotografias, vídeos, e com a alma mais leve, afinal, nunca imaginei que numa Virada Cultural conseguiria se divertir com tamanha simplicidade.

Valeu a pena!

Sarau Cantos & Encontros

Tenha uma ótima semana!

Danilo Moreira

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FOTOS: Danilo Moreira (acervo pessoal)

domingo, 13 de março de 2011

Ponto News, Ponto Três Recomenda e Agenda Ponto Três


Olá!

Sempre aprendemos algo em nossas vidas. Mas, esse aprendizado só será mesmo efetivado quando o colocamos em prática.

E por isso, este estudante de Jornalismo que lhe fala anuncia, que a partir de agora, o Ponto Três entrará numa nova fase.

Um pacote de sessões passará aos poucos a fazer parte do conteúdo. Todos eles voltados para notícias e recomendações.

Segue as novas sessões:

Ponto News

Um punhado de noticias para mantê-lo bem informado. Aqui serão notas de manchetes extraídas dos principais sites do país, com link direto para eles caso deseje maior aprofundamento.

Ponto Três Recomenda

Indicações de livros, sites, exposições, peças de teatro, atrações da TV, etc.

Agenda Ponto Três

Principais eventos do mês, na música, no cinema, no teatro, etc.


Convém sempre lembrar que este é um blog de variedades, que cada vez mais oscilam entre textos literários e jornalísticos.

Vamos ver se dará certo. Conto com você leitor para opinar, apreciar, e criticar os conteúdos que virão daqui para frente. Não vou prometer datas para postagem, pois, a minha rotina anda passando por algumas transformações importantes, e por isso, não sei ainda como ficará. Mas, dentro disso tudo farei o possível para manter o blog atualizado, tanto nestas quanto nas seções mais antigas.

Tenha uma ótima semana!

Até mais!

Danilo Moreira

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FOTO: http://convictosoualienados.blogspot.com/2008/08/nova-semente.html

terça-feira, 8 de março de 2011

Homem é tudo bobo...


Enxugou os seus olhos. Estava chorando por causa do filme que tinham acabado de assistir, no cinema da cidade. Caminhando pela rua já à noite, Cleiton abraçava a esposa com toda a proteção e cuidado que um homem poderia oferecer a uma mulher. E ele ria dentro de si mesmo: “Como essas mulheres são frouxas”.

- Ai Cleiton, já pensou? Coitado daquele menino! Assassinado daquele jeito pelo padrasto! Ai, só de pensar que isso acontece tanto por ai eu até fico...

- Eu sei, amor. Mas ali é só filme. Você não precisa ficar assim. É tudo mentira.

- Ai eu sei, amor. Mas parece tão real... Dá dó do menino...

- Olha, que tal irmos tomar um sorvete, hein? Assim você relaxa, e esquece isso.

- Acho melhor não. Já está tarde, é melhor voltarmos para casa. Amanhã preciso acordar cedo. Deixemos para outro dia.

- Tem certeza?

- Absoluta. E até já me sinto melhor. O filme é ótimo, mas foi só aquela cena do menino que me deixou impressionada.

- Mas relaxa. Está tudo bem. Vamos então para casa.

Chegando lá, Irene foi direto para o banheiro tomar um banho. Cleiton foi para o quarto do casal, já arrumar a cama para dormirem.

Sentou-se na cama. Riu sozinho. Como mulher se impressionava fácil com as coisas! Se lembrou do velho clichê “mulher, sexo frágil”. Cleiton sabia que esse bordão, na verdade, era piada, mas em matéria de emoções, talvez, elas realmente fossem mais vulneráveis. Irene chorava em vários filmes. Já Cleiton, homem criado para não chorar, mantinha-se intacto. Em certos momentos, era difícil se manter assim, sem derrubar nenhuma lágrima, mesmo comovido por dentro. Querendo ou não, ele também tinha sentimentos, e estes, quando vem, não pedem licença, já aparecem de surpresa. Mesmo assim, Cleiton se sentia na obrigação de manter-se firme, principalmente ao lado da esposa, pois quando esta quisesse chorar, ele estaria lá, pronto para ampará-la, assim como seu pai fazia com a sua mãe.

- É... mulher gosta mesmo é de um homem para se sentir protegida. Que mal tinha ver uma cena de filme onde de uma criança, um ator-mirim, sendo espancada e morta pelo padrasto, que também é um simples ator? É só um filme de suspense, nada de mais! O garoto está por aí, vivo, famoso, ganhando dinheiro com o espanto e as lágrimas de mulheres como ela. E ela aqui, chorando por ele. Tudo bem que infelizmente essas mortes covardes acontecem...

E então, nesse momento, seu semblante mudou. Ficara sério. Do fundo de sua memória, uma história dos seus tempos de infância veio de repente bem na frente dos seus olhos, dominando, em poucos minutos, todo aquele quarto:

- ... Nossa, me lembro como se fosse hoje! Eu, criança, brincando com o Caio, meu grande amigo de infância. A gente empinando pipa até altas horas... Aquela voz grossa e bruta o chamando para entrar... Ele pálido, olhando pra mim e dizendo que não queria ir... Aquele braço grosso, peludo, aquele cheiro de cachaça, surgindo e arrancando ele da minha frente... Aqueles gritos... Aqueles socos... Aqueles chutes... Aquele mão apertando a garganta dele... Para quê fazer aquilo com o moleque, meu Deus? Ele era só uma criança... Uma criança que morreu de tanto apanhar... De tanto apanhar... E eu não pude fazer nada para ajudar o meu amigo! Velho desgraçado! Aquele brutamontes deveria ter sido pego de surra... Se eu fosse maior... Nem preso aquele filho-da-mãe foi... Pobre Caio! Tenho certeza que de onde quer que você esteja, deve estar olhando por mim. Ah, Caio...

Irene saiu do banho. Estava mais tranqüila. Riu sozinha do seu choro por causa de um simples filme de suspense. “Como eu sou besta”, pensava. Vestiu-se, pegou a toalha e foi para o quarto. Chegando lá, parou, e olhou para a cama do casal.

- O que foi, querido?

E Cleiton estava sentado no pé da cama, com o olhar distante, encolhido e com a cabeça nos joelhos, com lágrimas escorrendo dos olhos. Ao ver a esposa, virou a cabeça para o lado, se enxugou com o braço, e tentou disfarçar.

- Não foi nada. Só estou com muito sono.
Irene sorriu. Ela conhecia bem o marido que tinha. Sentou ao seu lado, pegou a sua cabeça, e delicadamente, o deitou em seu colo.

- Homem é tudo bobo. Tenta dar uma de durão, disfarçar que não está bem, mas quando uma mulher o ama, jamais consegue enganá-la... Me fala o que aconteceu, vai.

Ele sorriu. No que adiantava enganá-la? Saber quando um homem não está bem... Nisso, realmente, elas eram craques. Contou a dor que carregava dentro de si há tantos anos. Irene o ouviu, palavra por palavra, com os olhos bem atentos, acariciando o peito dele. Abraçou-o com toda a delicadeza e cuidado. Minutos depois, Cleiton já dormia confortavelmente em seu colo, tão frágil como uma criança, tão amado quanto um filho, e tão bobo quanto um homem.

Danilo Moreira
© 2011

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FOTO: http://plumuarte.blogspot.com/2011/01/quando-um-homem-chora.html
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