quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ponto Três: 2 anos!!


É só para não passar em branco.

Ontem, dia 15/02, o Blog Ponto Três completou 2 anos de vida!

2010 foi um período que contou com poucos posts, até mesmo por causa da faculdade. Mesmo assim, surgiram novidades como os textos da sessão Antes de Depois (com artistas que fizeram sucesso no passado e como estão hoje), Ponto Retrô (um raio x de antigas atrações), além da série especial Pontos e Pontos, onde parceiros da blogosfera foram convidados a escrever a partir de um tema que começava com a palavra Ponto. E neste ano, em um post especial sobre o aniversário de São Paulo, foi publicado a primeira entrevista pingue-pongue (perguntas e respostas) feita exclusivamente para o blog, com amigos que contavam um pouco sobre suas visões sobre a capital paulista.

Bem, é isso. Fiz esse texto meio corrido no meio dessa minha rotina louca de facul-trabalho, mas, não podia deixar essa data passar em branco. Primeiramente, um muito obrigado aos parceiros da blogosfera, aos 58 seguidores, e a todos que sempre que podem vêm visitar este espaço cheio de textos que oscilam entre o amador e o profissional, que mas acima de tudo, mostram um autor que, por causa da vida acadêmica, está numa fase mais intensa de transformação, tanto nas observações da sociedade, quanto no seu próprio lado interior.

Para este ano, não vou prometer nada. Idéias vão surgindo, e sempre que puder, aparecerão por aqui. Talvez o layout passe por mudanças, e o conteúdo do blog oscile ainda mais entre o jornalístico e o literário, mas a sua essência, a de ser um ponto de encontro de idéias, continuará a mesma.

Tenha uma ótima semana.

Danilo Moreira

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FOTO: http://marianamaedeprimeiraviagem.blogspot.com/2010/07/sindrome-do-pre-aniversario.html

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Delírio - Compre! Pague!


Depois de quase 2 anos, os Delírios estão de volta ao blog Ponto Três. São construções poéticas inspiradas no movimento concretista dos anos 1950, e que mostram um lado irracional, onde os sentimentos são postos de forma onde o leitor não só os lê, mas também os enxerga.

Embarque nesta viagem. E bom divertimento.

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Aqui jaz um consumidor.

Cuide-se para não ser o próximo.

Danilo Moreira


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FOTO: http://www.sortimentos.com/rs/porto-alegre-agenda-consumidores-negociar-dividas.htm

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Seco


Seco é o pó que vejo pela frente
Seco é o olhar que emito sobre os dias de hoje
Coloco em evidência o ar de fim que assola e liberta a humanidade
Seco é o sol desbotado que me cobre com lã o calor que me faz ficar desidratado
Seco é pó doce que jogado no asfalto vira alvo de muitos pés
Seco é a língua de sede que só recebe pó dos escapamentos dos carros.

Não consigo acender as luzes da razão neste barulho
.

Seco é o coração e a indiferença dos tiros que cortam sua casa

Seco é o momento que tudo parece ficar amarelo-escuro
Para no fim das contas tornar-se uma escuridão monopolista
Seco é a água hoje
Seco é a lagrima que cai hoje
Seco é o braço que só busca prazer
Seco é o rancor que consome a todos
Seco e o tesão por corpos socialmente descartáveis
Seco e o tenso momento de corrida contra as horas
Seco é aquele braço maldito que atrapalha o seu tempo.

Seco é a terra rachada, a casa rachada, o homem rachado, as memórias rachadas.

Seco, até não ficar nenhuma ponta de vida, até virar os pedaços.

Seco, até que nem pra estar seco.

Seco, até o entulho se tornar nada.

Danilo Moreira
janeiro de 2010

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FOTO: http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/blogs/identidade/index.php?blog=13&mes=&pagina=8

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Onde está a chave?


Às vezes me sinto com a mente tão vazia.

Não sei, mas sabe quando bate aquele desejo de escrever, mas nada passa à sua mente? É como se você estivesse numa sala iluminada com uma luz fluorescente piscando, em paredes descascadas, sem móveis, você andando de um lado para o outro, com desejo de escrever de sobra, mas faltando e muito aquela inspiração. Falta inspiração, falta tempo. O relógio também suga a minha inspiração. O relógio, o tempo, a falta de tempo, a rotina, o trabalho, as contas... Afinal, o que está acontecendo comigo?

Tenho que admitir que vivo em uma cidade e em uma época onde o ser humano tem mais deveres, mais informação, mais compromissos com o relógio. Isso ainda agravado por morar numa cidade como São Paulo, onde a pressa é tão companheira quanto a falta de tempo, o trânsito, etc.

Talvez por isso que tantas pessoas sentem falta da infância, da adolescência, dos tempos dos colégio... tempos onde se tinha mais tempo. Tempo para pensar, tempo para não pensar em mais nada, tempo para se divertir, tempo para observar uma formiga caminhando na calçada, para perguntar aos mais velhos os porquês que a vida nos cria, tempo para tudo. À medida que vamos ficando mais velhos, esse tempo vai acabando. Vem a necessidade de trabalhar, de estudar, vem o casamento, os filhos, aumenta-se as responsabilidades, o trânsito, a perda de tempo, e por ai vai. Somos pessoas cada vez mais sem tempo para ver a nós mesmos.

Mesmo falando sobre isso, tem momentos em que me sinto culpado. Sou solteiro, não tenho filhos, sou jovem, ainda não preciso assumir certas responsabilidades que até gente mais nova do que eu já têm. Mas não sei, tenho a sensação de que algo em sufoca, algo me prende e não me deixa livre no pensamento. Alguns vizinhos mais supersticiosos me dirão que é energia negativa, inveja, etc. Minha mãe vai dizer que eu durmo muito tarde, e que não me alimento direito. Outros darão n palpites, mas no fim, continuarei me sentindo da mesma forma: ainda na sala vazia, andando de um lado para o outro, me sentindo com a mente vazia (e relaxe, mesmo vazia, a oficina continua sendo controlada por mim mesmo, e de certa forma, por Deus).

É claro, para quem escreve, passar por isso é a coisa mais normal do mundo, tanto que já estive na tal sala várias vezes. Mas dessa vez parece diferente. Sinto que algo está me prendendo, sinto que algo está me deixando preso naquela sala. Coloquei a falta de tempo aqui como um possível motivo, mas diante da complexidade do ser humano, quem sabe que se a verdade pode estar ou não bem debaixo do meu nariz...

Afinal de contas, onde está a chave?

Danilo Moreira
junho de 2010

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FOTO: http://pt.dreamstime.com/foto-de-stock-buraco-da-fechadura-image3060580

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O lado escuro da balança


Uma roda de amigos, no bar, à noite, num bairro qualquer.

Leiliane: A sociedade é hipócrita. O ser humano é hipócrita.

Conrado: Todos são normais por fora, mas são bizarros por dentro.

Paula: Eu sou bem resolvida, não preciso me esconder de ninguém. Tenho minha vida simples de estudante universitária e trabalhadora. Procuro apenas um companheiro. Não quero me casar. Tem quem me cobra arranjar um namorado.

Felipe: Meu negócio é mulher. Não tenho vontade de me casar, só quero curtir. A sociedade que se dane.

E no brinde com cerveja, quatro mãos se juntam num só desejo.

- Fora hipocrisia! Viva à liberdade!

O relógio tocou. Era hora de irem embora.

Leiliane se despediu dos amigos. Encontrou pelo caminho uma loira sensual, com cara de fútil. Olhou-a com ódio por ser daquela forma, tão desprezível, por ser tão ela mesma. Andou mais alguns quarteirões. Olhou para os lados. Abriu seu sobretudo. Formou-se uma fêmea com pouca roupa e muitos desejos. Logo um rapaz se aproximou. Deu em cima dele. Foram para um galpão abandonado. Fizeram amor ali mesmo.

Conrado saiu do bar a passos lentos. Não queria ir para casa. Resolveu pegar um ônibus, sem rumo. Desceu numa avenida distante. Olhou se alguém suspeito o veria. Ninguém à vista. Sentiu-se livre. Tirou a camisa pólo. E num misto de desejo e irritação, começou a lamber as portas esteiradas dos estabelecimentos fechados.

Paula ainda tomou mais uma cerveja. Quando saiu, sentiu seu corpo solto como se tivessem jogado óleo lubrificante nas suas articulações. Começou a correr pela rua, gritando altos palavrões contra a sua rotina. Chegou até um cruzamento vazio. Sentou no meio. Olhou para os quatro cantos. Não sabia para onde ir. Ou ia para a casa de Thiago, transar com ele como prometido, ou para a casa de Alessandra, transar com ela conforme prometido. Ou para a casa de Juliano, formalizar o seu namoro, ou para casa de Luciano, seu ficante-amigo-companheiro de todas horas, jogar videogame.

Felipe foi a último a sair. Andou calmante até seu carro. Pensou em ir para casa mas pensou em assediar algumas garotas na rua. Apenas mexer, porque seu negócio eram garotos, jovens, cheios de estilo e músculos. Foi encontrar Cacá em sua casa, vestido com a bermuda jeans, a camiseta de gola em V e um tênis de skate branco velho que tanto o excitava. Sua língua começou por ele. Logo, já estavam brincando de marido e mulher.

A noite passou. Leiliane se vestiu e voltou para casa. Conrado foi lavar a boca com sabão. Paula foi na casa de Luciano jogar videogame e Felipe acordou abraçado com um pé do tênis de Cacá.

O relógio tocou. Vestiram-se com suas normalidades. Foram para sua rotina. A sensação de culpa foi junta. O tempo escasso para refletir deixou-a guardada para depois.

E à noite, no mesmo bar, os amigos se reencontraram.

Leiliane: Vi uma biscate no caminho de casa! Vagabunda! Como mulher se presta à um papel daquele?

Conrado: Tenho medo desse povo doido que a gente encontra à noite.

Paula: Sou uma pessoa bem resolvida, e madura.

Felipe: Ontem peguei duas mulheres. Até acordei abraçado com um dos saltos dela. Eu não sou como esse povo moderninho que acha legal pegar homem e mulher. Eu sou macho.

E todos riram, felizes, pois a balança estava equilibrada entre a moral da sociedade e o imoral dos seus sentimentos.

- Abaixo a hipocrisia!

Com as portas trancadas para o outro lado, é fácil dizer.

Até o dia em que:

o Abaixo a hipocrisia

for

a hipocrisia

vindo

abaixo!

Danilo Moreira

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FOTO: http://julysilver.blogspot.com/2010/04/balanca.html
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