
Em 2009, depois de seis anos sem estudar, finalmente havia conseguido entrar na faculdade, cursando Relações Públicas. Não tinha muita noção do que era, apenas havia colocado como ultima opção para não ser eliminado na nota de corte. O que eu queria mesmo fazer, na época, era Jornalismo, principalmente por gostar muito de escrever e pesquisar sobre vários assuntos, principalmente culturais.
Resolvi conhecer o curso, senti um pouco do preconceito vindo de quem é de fora e não conhece bem a área, aprendi que um RP é um gestor da comunicação. Fiz grandes amigos, tive aulas inesquecíveis especialmente com uma simpática e elegante professora chamada Denise, e cheguei ao fim do ano até que fascinado com a profissão que deveria seguir.
Mas, sempre senti algo inquieto dentro de mim. Não sei se porque eu esperava ser chamado para um curso, e acabei indo parar em outro. Tentei abraçar a profissão com toda a força que meus braços podiam, mas ao mesmo tempo, sentia que essa força era desnecessária, era como se o corpo não correspondesse.
Foi aí que, no final do ano passado, após ter passado por algumas situações relacionadas a pessoas do meu cotidiano, percebi que não tinha perfil para a profissão. E de repente, tinha me visto novamente numa encruzilhada, perdido, tentando decidir em qual caminho seguir, e principalmente, quais as conseqüências em deixar os outros.
O Jornalismo, que eu havia deixado de lado principalmente após a desobrigação do diploma, voltara a ocupar a minha cabeça.
Deixar Relações Públicas, uma das oito profissões mais promissoras do século XXI, de acordo com uma pesquisa feita em 2005 pelo instituto norte-americano Bureau Labor Statistics, segundo o site Revista Ensino Superior, para Jornalismo, um dos cursos mais procurados, e por isso, com um mercado saturado. Inevitavelmente, me veio o famoso dilema que assola os vestibulandos, e que eu nunca imaginei que voltaria a fazer parte dos meus pensamentos: vale mais fazer o que se gosta, ou o que lhe traz mais ganhos?
Segundo o site administradores.com.br, nem sempre fazer o que gosta já é o caminho direto para o sucesso. Pelo contrário. Segundo pesquisas feitas em empresas pela psicóloga organizacional e consultora do IDORT/SP, Rosana Bueno, a maioria dos que se declarava gostar do que faziam eram justamente aqueles que não subiam de cargo. Segundo ela, pessoas com talento geralmente executam o seu trabalho com menos esforço, e por isso, permanecem no mesmo cargo. Ou seja, fazer o que gosta somente não basta, é necessário esforçar-se para fazer buscar o seu melhor. Outro site, o acerteorumo.uol.com.br, afirma que “Não existe a profissão que dá dinheiro. Existem profissionais que ganham dinheiro porque investem e gostam do que fazem.”.
Foi passando o tempo, e o prazo para a troca de curso se esgotando. Foi então que na sexta-feira, dia 05, eu tomei a decisão que há dias estava consumindo a minha cabeça. Mudei para Jornalismo. Percebi que mesmo que ficasse em Relações Públicas, talvez poderia me frustrar no futuro, por justamente não me achar no perfil para o profissional. È aquela coisa, fazendo o que realmente gosta, com esforço, vai se longe.
É claro que isso vai mudar a minha vida. Felizmente nem tanto os meus horários, mas a minha cabeça e tudo que irei produzir no futuro, isso com certeza. Confesso que ainda estou um pouco apreensivo com essa decisão, aquele medo de quem acaba de entrar em um novo caminho, mas teme que esteja no lugar errado ou que pode voltar a mudar no futuro, mas essas respostas, só o tempo é quem irá me dizer.
Até lá, espero que seja muito proveitoso, mesmo que não seja nessa profissão, mas em tudo que eu vier a fazer daqui pra frente.
E agora estou aqui, prestes e voltar para a faculdade, num novo curso, com nova mentalidade, e mergulhando nesse universo, que na prática, desde que prestei o primeiro vestibular em 2005, foi o que eu realmente escolhi para mim...
E seja o que Deus quiser...
E após cerca de um mês em recesso, o Ponto Três está de volta. Algumas novidades, em breve, estarão pintando por aqui. Aguarde...
FOTO: http://www.aleac.ac.gov.br/aleac/edvaldomagalhaes/images/stories/caminhos.jpg




