sábado, 11 de julho de 2009

12 Dogmas por 1


Olá leitor do Ponto Três.

Em virtude de seu aniversário amanhã, dia 12, o amigo Rod, do excelente blog
dogMas está promovendo uma série de 12 textos que estão sendo publicados desde o dia 01-07. São textos curtos, e com palavras escolhidas por alguns de seus amigos onde ele desenvolve o post a partir delas.

O texto de hoje é Sagrado, palavra sugerida por mim e que considero como um dos textos mais fortes que eu já o vi produzir. É claro, sem desmerecer os outros anteriores da série que também são excelentes.

Quando puder, visite o
dogMas e confira principalmente esses textos da série 12 Dogmas por 1, que eu considero como verdadeiros primores da blogosfera, já que provocam um forte impacto em quem os lê. Perfeccionista do jeito que sou com essas coisas, não digo isso á toa ou para puxar saco (rs!). É de fato, excelente.

Com certeza não é fácil publicar todo dia um post e edificá-lo a partir de uma palavra sugerida por outra pessoa. Ao amigo, a quem eu já tive o prazer de conhecer pessoalmente, meus parabéns por esse desafio, e que você continue e nos enriquecer cada vez mais com as suas palavras.

E amanhã, dia do seu aniversário, o Ponto Três também lhe fará uma homenagem.

Como diria Silvio Santos, aguardemmm...
Danilo Moreira
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terça-feira, 7 de julho de 2009

O Sentimento da Mesa Vazia


Quando era menor, me recordo de ver algumas produções onde se mostrava uma cena curiosa, para não dizer, triste. A novela “Éramos Seis” (SBT – 1994 – talvez a única novela produzida na emissora que deu certo), mostrava a família Lemos ao longo de duas décadas (1921 a 1942). Lá pela terceira fase, a protagonista Lola (Irene Ravache), já viúva e com todos os filhos crescidos e casados, além do mais velho já falecido, observa a mesa onde a família se reunia agora vazia. Foram-se as pessoas, ficaram-se as lembranças.

É o que eu chamo de “o sentimento da mesa vazia”.

Quem em algum momento da sua vida já não pensou em como certas coisas mudaram, como pessoas que antes frequentavam nossas vidas hoje não estão mais próximas? E de repente, aquele vazio nostálgico vai tomando conta de si...

Com a morte do Michael Jackson, me deparei hoje pensando nisso. MJ marcou a minha infância, assim como o Golias, o Rony Rios (que fazia a velha surda de A Praça é Nossa), entre tantos outros artistas que já morreram. E, mais perto, uma tia querida que vivia em casa, alguns vizinhos que marcavam presença nas festas da rua, amigos que foram pro mau caminho e não voltaram mais... todos já se foram. Entre os vivos, alguns vizinhos e amigos que eu passava quase 24 horas junto, e hoje, ou se mudaram, ou quando nos encontramos nos olhamos como estranhos (isso se alguns olham). Idéias que não batem mais. Amigos inseparáveis que hoje não se falam mais. Pessoas lindas que viraram relaxo. Pessoas sadias que hoje vegetam. Casas que não existem mais. Ruas que mudaram de cara. Turmas que não existem mais. Festas que não existem mais, ou porque não há mais os anfitriões, ou não há mais clima para isso. Um bairro que eu amava e conhecia bem, e hoje, não o conheço e nem faço mais questão de conhecer.

É claro que eu com 23 anos ainda sou jovem demais para fazer essas reflexões como um idoso como a Lola. Longe disso. Ainda há muitas pessoas que conheço há tempos e que ainda fazem parte do meu dia-a-dia, mesmo com uma freqüência diferente. E ainda me considero um ser em uma fase de busca de novos ares.

Mas, de fato, é estranho quando você percebe que algumas pessoas já se foram e que muitas coisas não são mais como antes, por mais que isso seja um processo normal. A dor da mudança é algo tão certo quanto a própria mudança, e por mais que lhe dêem conselhos do tipo “a vida é assim mesmo”, paira sempre no ar, e isso será gritante em algum momento, o sentimento de que perdeu-se alguma coisa, e que muitas vezes (como no mundo artístico), não será a mesma coisa. Ainda mais num tempo onde tudo é mais descartável.

Agora, de fato, não se pode enxergar a vida como uma constante onda de perdas, mas também, como uma importante onda de ganhos.

Danilo Moreira

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domingo, 5 de julho de 2009

A Dança


A noite provoca os seus sentidos
O silêncio o faz desprender-se do pudor
Teu quarto torna-se o palco da explosão de desejos
Em seu corpo manifesta-se o pecado
Suas mãos o convidam para dançar
Sua essência respira a juventude
Sua imaginação cria asas
Mulheres nadam em quadro livre pelos seus olhos
Cores e sabores provocam o seu corpo
As mãos começam a repetida dança
Que o faz rugir em suspiros exaltados

A dança, que o faz flutuar em seu instinto
A dança, que o faz esquecer-se do que é proibido
A dança, que o provoca com o movimento
A dança, que se ajeita na calada do momento

Seu rosto envergonha-se de si mesmo
Com base na moral hipócrita a regar tua sociedade imoral
Teu corpo permanece esparramado
Teus instintos desabrocham-se sem pedir autorização
A dança que o faz mexer-se por completo
Provoca-lhe sentimentos multiplicados
Pois toda dança que é feita com prazer
Por mais que faça o seu corpo tremer
Terá como satisfação o seu grande final.

Danilo Moreira

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Aquecer


Hei de sentir este frio até quando?
Se encontrei as luzes que agora iluminam a estrada?
Serão as chuvas e trovoadas que rondam o meu corpo?
Serão os vários dedos a cutucarem as feridas que me incomodam?
Serão os pensamentos que me arrastam para os bueiros do pessimismo?
Serão as imagens passadas a rasgarem minha memória sem dó nem piedade?

Estou procurando me aquecer.
Mesmo meus olhos vendo um mundo tão cinza e degradado por goteiras de umidade,
Que respingam na minha pele provocando incômodo e resgatando dores passadas.

Pouco importa.
Mesmo embaixo do frio, procurarei me aquecer.


Danilo Moreira


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terça-feira, 30 de junho de 2009

O Homem do Creme de Barbear


As pessoas que passavam por ele olhavam, curiosas. Saindo de casa, um homem assobiava, tranqüilo, indo para mais um dia de trabalho. Vestia um terno preto e uma gravata azul marinho. Até aí, nada demais.

Mas aquele homem tinha algo a mais, algo bem diferente. Estava com creme de barbear na cara. Um creme já seco, cobrindo toda a região abaixo do nariz até o começo do pescoço.

As pessoas que viam comentavam entre si: “estava louco?” Outras, apenas olhavam. Algumas chegavam a dar risada, sem se preocupar se ele ouviria ou não. O homem nem ligava. Continuava caminhando tranqüilamente, assobiando e às vezes até cantarolando. Parecia estar de bem com a vida, ao contrário de muitos cidadãos que passavam por ele apressados, tensos e mal humorados.

Chegou a um ponto de ônibus. Deu o sinal quando viu o seu se aproximando. Estava lotado. Espremido, passou pela catraca e foi para o fundo. As pessoas o olhavam com receio, dando o máximo de espaço que podiam para “aquela coisa”. Tinham medo daquilo ser contagioso. E ele, nem aí. Encostou-se na porta traseira, escorando-se nos ferros atrás dele. As pessoas que desciam se contorciam máximo para não encostar nele.

E após alguns minutos, o tal homem do creme desceu. Iria agora para uma estação de metrô. Mais olhares. Mais comentários. Uma senhora passou, fitou-o e se benzeu, apertando o passo em seguida.

Chegou à estação. Passou na catraca. Um segurança o encarou com a testa franzida, mas não foi falar com ele. Um grupo de garotos resolveu soltar piadinhas para o rapaz, comentando em tom alto sobre as melhores marcas de creme de barbear. O homem percebeu as indiretas mas sorriu para eles. Por sorte, quando pôs o pé na plataforma de embarque um metrô já parava. Entrou rapidamente e sentou em um dos bancos de costas para a janela. Para se distrair, pegou o celular e começou a jogar um jogo de carrinhos. As pessoas que o olhavam não entendiam, e perguntavam entre si quem era aquele “doido”. Não teria percebido o creme na cara? Teria se esquecido de tirá-lo? Seria um ser tão distraído a esse ponto?

O homem deu pausa no jogo. Abriu a carteira. Tirou um espelho. Se olhou, sorridente, ajustando com os dedos as partes do rosto onde o creme de barbear estava sumindo. Então, ele sabia do creme, e estava gostando! Ninguém conseguiu entender. O homem estava horrível com aquele creme seco na cara, e estava satisfeito por estar daquele jeito, pouco se importando com os olhares e os comentários, pouco se importando com o que falariam dele. Para ele, já bastava estar de bem consigo mesmo.

Minutos depois, assobiando, o tal homem do creme de barbear desceu do metrô, passou por uma catraca, subiu uma escada e seguiu por uma avenida, sumindo no meio de uma multidão apressada, sem tempo para ver a vida, e muito menos, para verem a si mesmos.

Danilo Moreira
São Paulo, maio de 2006

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