
Quando era menor, me recordo de ver algumas produções onde se mostrava uma cena curiosa, para não dizer, triste. A novela “Éramos Seis” (SBT – 1994 – talvez a única novela produzida na emissora que deu certo), mostrava a família Lemos ao longo de duas décadas (1921 a 1942). Lá pela terceira fase, a protagonista Lola (Irene Ravache), já viúva e com todos os filhos crescidos e casados, além do mais velho já falecido, observa a mesa onde a família se reunia agora vazia. Foram-se as pessoas, ficaram-se as lembranças.
É o que eu chamo de “o sentimento da mesa vazia”.
Quem em algum momento da sua vida já não pensou em como certas coisas mudaram, como pessoas que antes frequentavam nossas vidas hoje não estão mais próximas? E de repente, aquele vazio nostálgico vai tomando conta de si...
Com a morte do Michael Jackson, me deparei hoje pensando nisso. MJ marcou a minha infância, assim como o Golias, o Rony Rios (que fazia a velha surda de A Praça é Nossa), entre tantos outros artistas que já morreram. E, mais perto, uma tia querida que vivia em casa, alguns vizinhos que marcavam presença nas festas da rua, amigos que foram pro mau caminho e não voltaram mais... todos já se foram. Entre os vivos, alguns vizinhos e amigos que eu passava quase 24 horas junto, e hoje, ou se mudaram, ou quando nos encontramos nos olhamos como estranhos (isso se alguns olham). Idéias que não batem mais. Amigos inseparáveis que hoje não se falam mais. Pessoas lindas que viraram relaxo. Pessoas sadias que hoje vegetam. Casas que não existem mais. Ruas que mudaram de cara. Turmas que não existem mais. Festas que não existem mais, ou porque não há mais os anfitriões, ou não há mais clima para isso. Um bairro que eu amava e conhecia bem, e hoje, não o conheço e nem faço mais questão de conhecer.
É claro que eu com 23 anos ainda sou jovem demais para fazer essas reflexões como um idoso como a Lola. Longe disso. Ainda há muitas pessoas que conheço há tempos e que ainda fazem parte do meu dia-a-dia, mesmo com uma freqüência diferente. E ainda me considero um ser em uma fase de busca de novos ares.
Mas, de fato, é estranho quando você percebe que algumas pessoas já se foram e que muitas coisas não são mais como antes, por mais que isso seja um processo normal. A dor da mudança é algo tão certo quanto a própria mudança, e por mais que lhe dêem conselhos do tipo “a vida é assim mesmo”, paira sempre no ar, e isso será gritante em algum momento, o sentimento de que perdeu-se alguma coisa, e que muitas vezes (como no mundo artístico), não será a mesma coisa. Ainda mais num tempo onde tudo é mais descartável.
Agora, de fato, não se pode enxergar a vida como uma constante onda de perdas, mas também, como uma importante onda de ganhos.
Danilo Moreira
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