
Uma notícia que pegou o mundo de surpresa no dia 25 deste mês: falece, aos 50 anos, de parada cardíaca, o cantor e compositor Michael Jackson, o responsável pelo álbum mais vendido da história “Thriller” (1982), com mais de 120 milhões de cópias vendidas até hoje, o caçula do grupo de cinco irmãos de nome Jackson Five que estourou nos anos 60, e o pivô de uma vida conturbada, cheia de escândalos como acusações de pedofilia, manias estranhas como a de mascarar seus filhos, e as suas famosas cirurgias plásticas que com o tempo deformou seu rosto, embranqueceu a sua pele, e fragilizou a sua saúde.
Polêmico, amado ou odiado, MJ merece seu lugar na história da música. Quem nunca tentou imitar seus passos, ou soltou aquele grito característico, ou não ouviu “Thriller” pelo menos uma vez na vida? Fora os clipes superproduzidos com histórias que sempre tinham ele como um “ser fora do comum” e lindas garotas que não resistiam aos seus encantos (ainda que fora deles tenham duvidado da sua sexualidade), fora os cenários, as pessoas, as batidas que pareciam nos levar junto. E os shows, com efeitos inimagináveis, com uma sofisticação que num certo tempo só os shows da Madonna conseguiam alcançar (aliás, queria muito ter visto os dois dividindo o mesmo palco). Fora as vezes que ele veio ao Brasil, em especial em 1996, vindo gravar uma versão do clipe de “They Don’t Care About Us” no Morro Dona Marta (Rio de Janeiro - RJ) e no Pelourinho (Salvador - BA), com a presença dos batuques do Olodum de fundo.
Não sou hipócrita a ponto de agora querer santificá-lo por causa de sua morte. Longe disso. Meus elogios são para o MJ cantor. O MJ como pessoa já é outra história.
A ultima notícia que vi a seu respeito quando vivo foi em março, onde ele anunciava que estaria de volta com uma turnê que começaria em Londres em julho deste ano, indo até março de 2010. Seria uma tentativa da volta ao sucesso depois de uma longa fase tumultuada, que resultou em problemas de saúde, uma imagem desgastada e sérios problemas com dívidas.
Agora, tudo acabou. Ficarão apenas histórias. Sim, jornais sensacionalistas, programas estilo Superpop, tablóides, emissoras de radio e TV, produtores de cinema, música e livros, por fim, todos os interessados, ainda lucrarão muito com sua morte, sua história, suas músicas e principalmente com os seus escândalos. Pouco importa. O importante mesmo é que perdeu-se um grande talento, ainda que sendo parte da indústria de cultura de massa a que somos muitas vezes submetidos a consumir goela abaixo, mas ele deixou a sua marca, a marca de uma época, a marca de uma geração inteira, a marca da verdadeira música pop, que ao meu ver, nesse tempo, ainda tinha a sua essência.
Queria muito tê-lo visto novamente nos palcos, fazendo aquilo que ele sabia fazer de melhor: um verdadeiro show. Pena que mais uma vez, a morte surpreendera, levando de maneira brusca quem a gente menos esperava...
Descanse, em paz, Michael, o homem cujos passos o mundo nunca esqueceu.
E nunca esquecerá.
Danilo Moreira
FOTO: http://gm54.files.wordpress.com/2009/01/michael-jackson.jpg