domingo, 5 de julho de 2009

A Dança


A noite provoca os seus sentidos
O silêncio o faz desprender-se do pudor
Teu quarto torna-se o palco da explosão de desejos
Em seu corpo manifesta-se o pecado
Suas mãos o convidam para dançar
Sua essência respira a juventude
Sua imaginação cria asas
Mulheres nadam em quadro livre pelos seus olhos
Cores e sabores provocam o seu corpo
As mãos começam a repetida dança
Que o faz rugir em suspiros exaltados

A dança, que o faz flutuar em seu instinto
A dança, que o faz esquecer-se do que é proibido
A dança, que o provoca com o movimento
A dança, que se ajeita na calada do momento

Seu rosto envergonha-se de si mesmo
Com base na moral hipócrita a regar tua sociedade imoral
Teu corpo permanece esparramado
Teus instintos desabrocham-se sem pedir autorização
A dança que o faz mexer-se por completo
Provoca-lhe sentimentos multiplicados
Pois toda dança que é feita com prazer
Por mais que faça o seu corpo tremer
Terá como satisfação o seu grande final.

Danilo Moreira

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Aquecer


Hei de sentir este frio até quando?
Se encontrei as luzes que agora iluminam a estrada?
Serão as chuvas e trovoadas que rondam o meu corpo?
Serão os vários dedos a cutucarem as feridas que me incomodam?
Serão os pensamentos que me arrastam para os bueiros do pessimismo?
Serão as imagens passadas a rasgarem minha memória sem dó nem piedade?

Estou procurando me aquecer.
Mesmo meus olhos vendo um mundo tão cinza e degradado por goteiras de umidade,
Que respingam na minha pele provocando incômodo e resgatando dores passadas.

Pouco importa.
Mesmo embaixo do frio, procurarei me aquecer.


Danilo Moreira


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terça-feira, 30 de junho de 2009

O Homem do Creme de Barbear


As pessoas que passavam por ele olhavam, curiosas. Saindo de casa, um homem assobiava, tranqüilo, indo para mais um dia de trabalho. Vestia um terno preto e uma gravata azul marinho. Até aí, nada demais.

Mas aquele homem tinha algo a mais, algo bem diferente. Estava com creme de barbear na cara. Um creme já seco, cobrindo toda a região abaixo do nariz até o começo do pescoço.

As pessoas que viam comentavam entre si: “estava louco?” Outras, apenas olhavam. Algumas chegavam a dar risada, sem se preocupar se ele ouviria ou não. O homem nem ligava. Continuava caminhando tranqüilamente, assobiando e às vezes até cantarolando. Parecia estar de bem com a vida, ao contrário de muitos cidadãos que passavam por ele apressados, tensos e mal humorados.

Chegou a um ponto de ônibus. Deu o sinal quando viu o seu se aproximando. Estava lotado. Espremido, passou pela catraca e foi para o fundo. As pessoas o olhavam com receio, dando o máximo de espaço que podiam para “aquela coisa”. Tinham medo daquilo ser contagioso. E ele, nem aí. Encostou-se na porta traseira, escorando-se nos ferros atrás dele. As pessoas que desciam se contorciam máximo para não encostar nele.

E após alguns minutos, o tal homem do creme desceu. Iria agora para uma estação de metrô. Mais olhares. Mais comentários. Uma senhora passou, fitou-o e se benzeu, apertando o passo em seguida.

Chegou à estação. Passou na catraca. Um segurança o encarou com a testa franzida, mas não foi falar com ele. Um grupo de garotos resolveu soltar piadinhas para o rapaz, comentando em tom alto sobre as melhores marcas de creme de barbear. O homem percebeu as indiretas mas sorriu para eles. Por sorte, quando pôs o pé na plataforma de embarque um metrô já parava. Entrou rapidamente e sentou em um dos bancos de costas para a janela. Para se distrair, pegou o celular e começou a jogar um jogo de carrinhos. As pessoas que o olhavam não entendiam, e perguntavam entre si quem era aquele “doido”. Não teria percebido o creme na cara? Teria se esquecido de tirá-lo? Seria um ser tão distraído a esse ponto?

O homem deu pausa no jogo. Abriu a carteira. Tirou um espelho. Se olhou, sorridente, ajustando com os dedos as partes do rosto onde o creme de barbear estava sumindo. Então, ele sabia do creme, e estava gostando! Ninguém conseguiu entender. O homem estava horrível com aquele creme seco na cara, e estava satisfeito por estar daquele jeito, pouco se importando com os olhares e os comentários, pouco se importando com o que falariam dele. Para ele, já bastava estar de bem consigo mesmo.

Minutos depois, assobiando, o tal homem do creme de barbear desceu do metrô, passou por uma catraca, subiu uma escada e seguiu por uma avenida, sumindo no meio de uma multidão apressada, sem tempo para ver a vida, e muito menos, para verem a si mesmos.

Danilo Moreira
São Paulo, maio de 2006

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domingo, 28 de junho de 2009

Desarme-se


Por muitos dias, seus pensamentos estavam longe...
Se desejares acompanhar teus pensamentos
Comece mexendo as tuas pernas
E deixando o medo para trás
Porque o medo é uma arma que te protege de teus inimigos
Com a mesma força que libera os de dentro de você.


Danilo Moreira



Como agora, de fato, estou de férias da facul, a partir de hoje as publicações no Ponto Três serão mais intensificadas. Por isso, aguarde, mais novidades virão para te surpreender, e em todos os sentidos...

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson: Passos que o Mundo Nunca Esqueceu


Uma notícia que pegou o mundo de surpresa no dia 25 deste mês: falece, aos 50 anos, de parada cardíaca, o cantor e compositor Michael Jackson, o responsável pelo álbum mais vendido da história “Thriller” (1982), com mais de 120 milhões de cópias vendidas até hoje, o caçula do grupo de cinco irmãos de nome Jackson Five que estourou nos anos 60, e o pivô de uma vida conturbada, cheia de escândalos como acusações de pedofilia, manias estranhas como a de mascarar seus filhos, e as suas famosas cirurgias plásticas que com o tempo deformou seu rosto, embranqueceu a sua pele, e fragilizou a sua saúde.

Polêmico, amado ou odiado, MJ merece seu lugar na história da música. Quem nunca tentou imitar seus passos, ou soltou aquele grito característico, ou não ouviu “Thriller” pelo menos uma vez na vida? Fora os clipes superproduzidos com histórias que sempre tinham ele como um “ser fora do comum” e lindas garotas que não resistiam aos seus encantos (ainda que fora deles tenham duvidado da sua sexualidade), fora os cenários, as pessoas, as batidas que pareciam nos levar junto. E os shows, com efeitos inimagináveis, com uma sofisticação que num certo tempo só os shows da Madonna conseguiam alcançar (aliás, queria muito ter visto os dois dividindo o mesmo palco). Fora as vezes que ele veio ao Brasil, em especial em 1996, vindo gravar uma versão do clipe de “They Don’t Care About Us” no Morro Dona Marta (Rio de Janeiro - RJ) e no Pelourinho (Salvador - BA), com a presença dos batuques do Olodum de fundo.

Não sou hipócrita a ponto de agora querer santificá-lo por causa de sua morte. Longe disso. Meus elogios são para o MJ cantor. O MJ como pessoa já é outra história.

A ultima notícia que vi a seu respeito quando vivo foi em março, onde ele anunciava que estaria de volta com uma turnê que começaria em Londres em julho deste ano, indo até março de 2010. Seria uma tentativa da volta ao sucesso depois de uma longa fase tumultuada, que resultou em problemas de saúde, uma imagem desgastada e sérios problemas com dívidas.

Agora, tudo acabou. Ficarão apenas histórias. Sim, jornais sensacionalistas, programas estilo Superpop, tablóides, emissoras de radio e TV, produtores de cinema, música e livros, por fim, todos os interessados, ainda lucrarão muito com sua morte, sua história, suas músicas e principalmente com os seus escândalos. Pouco importa. O importante mesmo é que perdeu-se um grande talento, ainda que sendo parte da indústria de cultura de massa a que somos muitas vezes submetidos a consumir goela abaixo, mas ele deixou a sua marca, a marca de uma época, a marca de uma geração inteira, a marca da verdadeira música pop, que ao meu ver, nesse tempo, ainda tinha a sua essência.

Queria muito tê-lo visto novamente nos palcos, fazendo aquilo que ele sabia fazer de melhor: um verdadeiro show. Pena que mais uma vez, a morte surpreendera, levando de maneira brusca quem a gente menos esperava...

Descanse, em paz, Michael, o homem cujos passos o mundo nunca esqueceu.

E nunca esquecerá.


Danilo Moreira
FOTO: http://gm54.files.wordpress.com/2009/01/michael-jackson.jpg


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