
Hoje em dia muitas meninas são independentes...
Luana perdeu a virgindade aos onze anos.
Aos treze já fugia de casa para ir com as amigas para as baladas. Eram festas na casa de colegas ou de conhecidos das amigas.
Aos quatorze já tinha perdido as contas de quantos caras já tinha ficado. Os pais se preocupavam com sua rebeldia e tentavam segurá-la de toda maneira, ainda mais depois que descobriram que ela já consumia maconha. Bateram, brigaram, discutiram, prenderam-na no quarto, mandaram por uns tempos na casa de uns tios, mas nada adiantou.
Aos quinze cabulava aula para ir ao shopping. Sempre arranjava um menino para pagar o cinema, o lanche, e etc... Como seu corpo já era desenvolvido para a idade, abusava de miniblusas, tomara-que-caia e microssaias, deixando os marmanjos enlouquecidos. Já freqüentava barzinhos e não havia um dia que ela não saísse de lá acompanhada de um menino e caindo de bêbada. Era barraqueira, sempre utilizava palavras chulas. Quando perguntada sobre o que queria da vida, ela apenas respondia: “sei lá, tá muito cedo pra isso”.
Certo dia acabou se apaixonando por um belo rapaz. Já tinha dezesseis anos e já fazia planos para morar junto em uma casa alugada. Largou as baladas, as drogas, as más companhias, passou a usar roupas mais discretas, passou a se dedicar mais aos estudos. Criara juízo. O rapaz já tinha dezoito anos e estava prestes a entrar na faculdade.
Luana largou a casa dos pais e fora morar com o companheiro em uma casinha de três cômodos. Foi trabalhar no sustento, assim como fazia o rapaz. Já estava pensando também em cursar uma faculdade quando terminasse o colegial.
E assim Luana foi levando a sua vida, que a cada dia se enchia de mais sonhos e mais amor, quase como um conto de fadas.
Porém dois meses depois Luana já estava de saco cheio daquela rotina. Sentia falta das amigas e principalmente das baladas. Resolveu sair depois do trabalho junto com as antigas companheiras, mesmo contra a vontade do marido. Com o tempo, as saídas voltaram a ser freqüentes. A situação piorou quando seu companheiro a flagrou bêbada e seminua com outro rapaz em sua cama. Terminaram. Um mês depois, Luana descobriu que estava grávida do caso. O rapaz nem quis saber da criança.
Hoje, Luana tem dezessete anos. Largou o trabalho, os estudos, as baladas e foi abandonada pelas amigas da noite. Voltou para a casa dos pais, endividada com o aluguel de sua antiga casa. Passa o dia todo em casa apenas cuidando da filha de seis meses. Não tem tempo para mais nada, nem mesmo para curtir o que restou da sua bela adolescência e menos ainda para investir no seu futuro. Se ela pudesse voltar atrás...
Por isso que eu digo, liberdade é que nem água: se não usar com consciência, paga caro...
São Paulo, junho de 2005
Danilo Moreira
FOTO: http://i192.photobucket.com/albums/z259/lightmylife/liberdade.jpg
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